Resident Evil Requiem é o primeiro Resident Evil inédito desde meu preferido, Resident Evil Village, que saiui em 2021. Não parece que faz tanto tempo. Na verdade, o fluxo de produção da Capcom anda tão forte que a gente nunca fica muito tempo sem um novo jogo da série. Nem que sejam os excelentes remakes. A série anda com tudo, com muitos jogos e qualidade altíssima. E isso é ótimo, pois eu diria que nunca houve um apetite tão grande por jogos single player de alto orçamento que não são mundo aberto. E as vendas de Requiem até o momento provam isso, já que ele se tornou o capítulo da série que vendeu mais cópias mais rápido.

REVIEW RESIDENT EVIL REQUIEM

Resident Evil Requiem é totalmente Resident Evil. Mas é também um capítulo um tanto estranho. Mais indeciso. Ele coloca a direção da aventura nas mãos do jogador mais do que nunca. É basicamente um compilado de tudo que foi mau residente no passado. Você quer usar ink ribbons para salvar? Então escolha isso. Gosta mais da visão em primeira pessoa de VillageVII ou da visão em terceira pessoa que vinha desde Resident Evil 4? Escolha nas opções e troque a hora que desejar. Por fim, você gosta mais do gênero survival horror cheio de perseguições, com inventário e itens limitados? Ou gosta de sair abaixando as calças dos zumbis e apontando e rindo para a cara deles? Bom, isso você não vai poder trocar a hora que quiser, mas o jogo oferece as duas formas de jogar, dependendo do momento da campanha.

Para mim, humildemente, Resident Evil Requiem não é o melhor da série. Meu preferido ainda é o Village. Porém, ele faz muito bem tudo em que se arrisca. E a questão é que se arrisca muito. Talvez eu não tenha sido justo ao chamar o jogo de indeciso. As decisões são, em sua maioria, suas. Mas ele tem sugestões bem claras de como o jogo foi pensado. Por exemplo, a câmera. As partes com a Grace, mais focadas no terror, são pensadas para primeira pessoa. As de Leon, por outro lado, são praticamente um filme de ação. Portanto, terceira pessoa. Eu experimentei todas as formas de jogar, mas fiquei a maior parte do tempo jogando da forma planejada.

GRACE TEM MEDO

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O jogo com Grace.

Talvez você se lembre de Resident Evil 6 quando cito a indecisão. Mas a verdade é que Requiem se dá melhor do que o mais odiado número da série em todos os sentidos. O início do jogo, por exemplo, é quase totalmente focado na Grace, com apenas lampejos da pintudice do Leon. E esta talvez seja a parte mais tradicionalmente Resident Evil.

Digo isso porque mesmo os jogos mais focados na ação, como o quarto, costumam colocar o jogador logo de cara em uma situação sem esperanças. É o caso aqui. Quando os zumbis de fato começam a aparecer na história da Grace, ela ainda está desarmada. Não demora muito para encontrar uma pistolinha, mas demora muito para você ter munição suficiente para se sentir seguro para usá-la. Sinceramente, não gosto de me sentir tão indefeso. Eu morri muito, MUITO mesmo neste início. Estava de saco cheio de explorar as mesmas salas escapando do maldito cozinheiro e dos zumbis que habitam a área inicial. Queria realmente mudar para a dificuldade mais baixa. Não fiz isso porque me lembrei quão fácil foi o jogo na parte do Leon que veio antes e pensei que mudar para o fácil tornaria o resto do jogo simplesmente chato.

Eu resisti, e Grace é sempre mais ou menos indefesa. Porém, depois de juntar alguns itens, aumentar a limitação de inventário e melhorar a potência de seus tiros, ela fica bem mais jogável. Ainda frágil, mas pelo menos capaz de se defender. O jogo melhora muito a partir de então. Vale destacar que os zumbis neste início têm muita personalidade. Tem os que não gostam de barulho, os que preferem ficar no escuro e uma que fica cantando. É incrível. Nunca um jogo fez com que eu me sentisse tão próximo de um filme de zumbis antes. É uma pena que estes zumbis com personalidade sumam totalmente depois do hospital. E, como previsto, depois do esforço inicial, Requiem fica muito fácil. Acho que simplesmente não morri mais depois da área inicial. Nem com a Grace nem com o Leon.

Eventualmente, o jogo muda para o Leon por um trecho estendido. E, quando volta para a Grace, você vai sentir que desaprendeu a jogar. Afinal, passou as últimas horas degolando zumbis quase como uma versão violenta do Superomão, e agora precisava voltar a administrar inventário, fugir e economizar munição. Eu não gostei dessa parte, para ser sincero, mas felizmente depois que o Leon de fato assume o jogo, o foco é no Senhor Cabelo.

LEON TEM ARMAS

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O jogo com Leon.

Já virou meme. A Grace morrendo de medo de qualquer zumbizinho, enquanto o Leon luta como um herói invencível. E é por aí mesmo. Leon tem uma pá de armas, munição a rodo e um inventário que dura o jogo inteiro sem precisar jogar nada fora. O combate brilha quando você está usando o Senhor Cabelo. Acertar um tiro de jeito deixa os inimigos tontos, possibilitando um chutão que o derruba. Daí, você tem um machado que pode usar para matar qualquer inimigo caído em um único golpe. O machado tem durabilidade, mas ao contrário das faquinhas quebráveis da Grace, você pode restaurá-lo a sua plena glória ao toque de um botão. Basta esperar uma animação que não dura mais do que o tempo de recarregar uma arma.

Eu gostei muito mais de controlar o Leon. Porém, é inegável que seu level design é muito inferior ao da parte com Grace. A abertura do jogo, com Grace, lembra o Resident Evil clássico ou, se desejar, o castelo Dimitrescu. A parte com Leon não lembra o Resident Evil 4, apesar de o combate ser semelhante. Isso porque sua parte grande acontece em Raccon City, um mapa mais ou menos aberto. Não pense que é um flerte direto com mundo aberto, como The Last Of Us II. Felizmente não.

A fase em questão tem vários caminhos e, uma vez que você começa um, o segue linearmente até atingir seu objetivo. Daí volta à área central, para savesupgrades e escolher o próximo desafio. Não é ruim exatamente por isso, mas por causa do seu visual, que simplesmente não é interessante. É uma cidade destruída, cheia de pó e areia. Falta cor, mistério e beleza. Simplesmente não empolga tanto quanto o hospital da abertura, que é muito mais bonito e elaborado. Além de, claro, contar com mais quebra-cabeças, chaves e exploração em geral.

HISTÓRIA

A história sofre pela indecisão da narrativa. Grace é uma agente do FBI que vai investigar um assassinato e se vê atacada por monstros e zumbis. Terror. Leon é um super-herói invencível, capaz de escalar, pular de alturas altíssimas e dirigir motocicletas como um dublê profissional. Nada pode com ele, a não ser a doença que traz em seu corpo. Resident Evil Requiem parece, narrativamente, uma mistura de [REC] com Adrenalina. É estranho.

Ele traz algumas decisões legais e outras um tanto curiosas. De legal, tem o fato de que este é o primeiro Resident Evil em um bom tempo em que a Umbrella e o Spencer têm papel importante na narrativa. O jogo volta ao início com um monte de fanservice, inclusive uma nova visita à delegacia de Resident Evil 2. Por outro lado, qual é a daquele personagem Zeno? O cara é claramente o Wesker, em visual, superpoderes e personalidade, mas usa um outro nome o jogo inteiro. Eu esperava que a qualquer momento ele fosse soltar um “surpresa, eu era o Wesker o tempo todo”, mas isso nunca acontece. Será que dava muito trabalho terem desenhado um novo vilão para o papel ou ter usado o Wesker propriamente dito?

VISUAL

Uma coisa que acho muito impressionante sempre que jogo um Resident Evil é quão caro e bem feito tudo é. Mesmo o cenário de Raccoon City, que é artisticamente pouco inspirado, é graficamente muito bom. É incrível pensar que absolutamente todas as representações culturais de zumbis – ou de terror como um todo – são independentes e feitos com pouco dinheiro, mas Resident Evil está absolutamente na vanguarda tecnológica dos videogames. E olha que eu joguei no PS5 amador, mas dizem por aí que a versão de PS5 Pro nunca foi tão superior à padrão.

Todo Resident Evil é um tanto irregular. Resident Evil Requiem assume isso, dando formas diferentes de jogar e criando gameplays únicos ao longo da sua campanha. Não diria que você vai se divertir por igual durante toda sua duração (ele durou 13 horas para mim na primeira jogada na dificuldade padrão), mas ficaria bem surpreso se você não se divertisse adoidado. Resident Evil Requiem não é o melhor jogo da série, mas é certamente um dos melhores do ano até o momento. E que venha mais.

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REVER GERAL
Nota:
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Carlos Eduardo Corrales
Editor-chefe. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. É o autor dos livros infantis "Pimpa e o Homem do Sono" e "O Shorts Que Queria Ser Chapéu", ambos disponíveis nas livrarias. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).
review-resident-evil-requiem-indeciso-mas-excelenteDisponível: Windows, Switch 2, PS5, Xbox Series<br> Analisada: PS5<br> Desenvolvedora: Capcom<br> Editora: Capcom<br> Lançamento: 27 de fevereiro de 2026<br> Gênero: Survival Horror, Ação, TPS<br>