Um sábio se permite mudar de opinião sempre que necessário. E não que eu seja sábio, mas trabalhando como alguém que dá opiniões na internet, às vezes mudo mesmo. Porém, eu me lembro de a versão mais recente de Mortal Kombat ser maior legal. A ponto de que fiquei muito surpreso com ele ter estacionado no Metacritic em 44. Antes de ir ver Mortal Kombat II, eu decidi rever o primeiro, totalmente me permitindo mudar de opinião. Mas não mudei, viu? Aliás, achei o filme até mais legal nessa segunda assistida do que na primeira. Quando escrevo esta crítica Mortal Kombat II, no dia 29 de abril de 2026, o filme ainda está embargado, então não dá para saber o que a crítica achou dele ainda. Mas agora que deu o embargo, quer saber o que eu achei? Então continue lendo.

CRÍTICA MORTAL KOMBAT II

Sem delongar: eu gostei, meu. Bastante, sabe? Quase tudo que critiquei no texto supralinkado foi resolvido ou melhorado. O que era ruim, como a interpretação do Raiden, continua no mínimo igual. Então está é uma continuação bem-sucedida, que melhora onde dava para melhorar e não piora em nada. Mas ainda bem que assisti ao filme anterior na véspera da cabine, pois esta é uma continuação que exige que você saiba exatamente onde a história parou, quais personagens morreram e tudo mais.

Lembra que eu critiquei na resenha anterior o fato de que o tão falado torneio nunca acontece? Pois chegou a hora. Assim como no segundo jogo, em Mortal Kombat II a gente descobre que o tão temido Shang Tsung, vilão do anterior, era apenas um capacho do verdadeiro vilão, Shao Khan. Shao é o rei da Exoterra e o responsável por desafiar a Terra para todos os torneios anteriores. Isso fez algum sentido para mim. No primeiro filme, Shang e seus comparsas foram enviados para tentar matar os guerreiros da Terra antes do torneio começar. Como eles falharam em sua missão, agora o torneio propriamente dito começa.

VIVOS E MORTOS

Não demora para o filme dar uma de Marvel Comics e o famoso “tudo que você viu antes era mentira”, ao ressuscitar boa parte dos personagens mais populares que morreram no primeiro filme. É uma forma de trazer Kano e Bi-Han de volta (embora este último não volte exatamente como o Sub-Zero). Mas para mim é uma tática narrativa fraca, pois elimina o impacto das mortes que acontecem, já que todo mundo pode ser ressuscitado no futuro (e, a julgar pelo final, provavelmente vão mesmo). Dito isso, tem algumas mortes, pelo menos uma em específico, que realmente me surpreenderam. Os fatalities também são bem legais, boa parte deles versões filmadas do que a gente conhece dos jogos. Ainda nessa pegada, é simplesmente muito legal quando os personagens usam seus golpes mais famosos no filme, ainda que isso aconteça basicamente uma única vez por golpe. Mas convenhamos, é impossível não rir do momento “soco no saco” do Johnny Cage.

Também gostei muito dos personagens escolhidos para participar. Quase todos os novos estavam nos três primeiros Mortal Kombats, que são os que me lembro melhor. Também gostei da interpretação que o filme deu para eles, embora em muitos casos seja totalmente diferente da que conhecemos. Por exemplo, Kitana e Mileena, que sempre foram irmãs, aqui aparentemente nem se conheceram.

JOÃOZINHO GAIOLA

Uma crítica comum ao primeiro filme – e que eu concordo – é como ele se leva a sério, algo que simplesmente não se encaixa no jogo. Afinal, devemos lembrar que, apesar da violência, estamos falando de um game onde um carinha aparecia com alguma frequência no canto da tela e falava com voz aguda “torradinho”. Talvez até pela presença do Johnny Cage, este não é mais um problema. Mortal Kombat II é realmente um filme engraçado, e ganha muitos pontos por isso. Aliás, eu amo tanto quando Hollywood parodia filmes de ação que sinceramente assistiria a um filme inteiro que fosse simplesmente uma dessas paródias. A cena do filme de Cage, ao som da versão orquestrada de Rock You Like a Hurricane é uma farofa deliciosa e certamente é a cena de luta mais divertida do longa inteiro.

O último aspecto que vale elaborar é que Mortal Kombat II é certamente um filme violento. Porém, não chega nem perto da violência do jogo. Você, admirador de ambas as formas de arte, sabe bem que jogos vão bem mais longe na violência e isso ainda é verdade aqui. Não que faça diferença neste caso específico. Afinal, embora seja lembrado pela violência, Mortal Kombat sempre teve uma lore muito legal, a ponto de que eu sinto falta de mais jogos como Shaolin Monks, explorando especificamente este aspecto.

Lembre-se, você está lendo uma crítica positiva do filme Mortal Kombat II escrita por um caboclo que já tinha falado bem do primeiro filme. Tenha isso em mente quando dou minha opinião, mas a minha opinião é que achei este filme ainda mais legal do que o anterior. E, embora ele faça questão de deixar uma ponta aberta para o III, sinceramente não sei se o pitch me convenceu. O tempo dirá.