It Reaches conseguiu uma façanha. Eu tenho uma boa relação com a Perp Games, mas é fato que eles lançam tantos jogos ruins (vários deles de terror), que dificilmente eu fico animado quando chega um código de review deles. Mas este foi exceção. Embora a primeira impressão seja ruim, com gráficos péssimos, performance idem e uma clara falta de testes, o jogo acaba conquistando pelo que faz bem. E o que ele faz bem é literalmente ser um primo pobre de Resident Evil.
REVIEW IT REACHES
Uma das coisas mais marcantes da divulgação de It Reaches é o fato de sua câmera ser uma bodycam. Absolutamente todo release fala disso. No jogo em si, isso é verdadeiro. A altura e movimentação da câmera são feitos como qualquer outro jogo em primeira pessoa. Porém, o visual é deformado e em baixa resolução, que é o que dá o efeito planejado. Felizmente, dá para desativar estes efeitos pelo menu de opções. A deformação entendo como uma opção estética, mas a baixa resolução me incomoda, até porque o visual já é em baixa mesmo com isso desligado.
O jogo em si é quase um greatest hits resumido de um Resident Evil. Tem os bichos invencíveis dos quais você deve se esconder enquanto pega itens e soluciona quebra-cabeças. Eventualmente, eles iniciam uma perseguição cheia de adrenalina. Depois de um tempo de jogo, começa a ter inimigos padrões também, que você pode matar com alguns pipocos do seu revólver ou da sua escopeta. Absolutamente nada é novidade ou marcante, e tudo parece um tanto resumido. Porém, nem por isso ele deixa de divertir.
Já faz um tempo que eu não vejo mais muita graça em me esconder de bichos invencíveis, mas é batata que isso ainda assusta. Além disso, conseguir escapar de uma dessas áreas dá uma injeção de dopamina batuta. A única parte realmente ruim da campanha é próximo ao final, em que você precisa atrair um dos bichos invencíveis (um que tinha acabado de matar) para destruir uns pilares de sangue. O problema é que apenas um dos seus ataques destrói o bagulho, e é muito difícil fazer ele usar o desgraçado, especialmente próximo ao pilar. É um saco, e extremamente trabalhoso. Não difícil, veja, apenas trabalhoso e demorado.
ALGUÉM TESTOU ISSO?

Infelizmente, It Reaches parece não ter sido testado. Um exemplo são as legendas. Eu joguei o dito-cujo numa TV de 65 polegadas, e se coloco meu dedo mindinho na tela, na frente da legenda, esta ocupa cerca de apenas um terço do meu dedo. Sim, ela é assim pequena. Na imagem acima, você consegue enxergá-la? Não, não é o nome. Embaixo dela, centralizado na tela, aquela manchinha branca. Aquilo é a legenda. Eu me recuso a aceitar que alguém viu a legenda desse tamanho e pensou “é, está correto”.
Outro problema que quase me fez desistir é que eu joguei um bocado do seu primeiro capítulo e daí fui para a tela título para ver se já tinha mudado para o segundo. Porém, cliquei por engano em “Start New Game” e simplesmente começou de novo, sem nenhum prompt ou aviso. Imediatamente, fechei o desgraçado antes que tivesse uma chance de autossalvar. Quando o reiniciei, vi que ele já tinha salvado por cima do meu save e eu precisei jogar desde o início. Isso não se faz.
UM MINI-RESIDENT EVIL
O curioso é que It Reaches é bem curto, a ponto de poder ser terminado em uma tarde. Mesmo assim, mais da metade do jogo você passa no esgoto. Um dia ainda vou entender essa fantasia das desenvolvedoras em visitar esgotos. Por coincidência, na semana passada joguei Crisol Theater of Idols. É também um survival horror e custa mais ou menos o mesmo preço de It Reaches. Porém, o custo benefício é absurdamente superior. Ele é um jogo completo, tão ou mais longo do que os da Capcom, e talvez até melhor, porque é bom o tempo inteiro.
Esta comparação simplesmente não pega bem para It Reaches. Ele até é um jogo bacaninha, mas se dá para ter uma experiência AAA, completa e muito mais polida pelo mesmo preço, fica difícil recomendar a compra dele.






































