Embora os vídeos de Duskfade tenham me empolgado o suficiente para que eu resolvesse cobrir, admito que não esperava grandes coisas. Não fui muito com a cara do protagonista e o título, especialmente, não gritava “jogo fantástico” para mim. Meu amigo, eu estava errado. O que temos aqui é um semi-metroidvania focado em plataforma 3D. Um level design sensacional e, sem brincadeira, talvez o jogo mais bonito em muito tempo. Vem comigo, meu!
REVIEW DUSKFADE
Se o tempo fosse um ovo, o tempo quebrou. Esta sinopse que serve para o Quantum Break, também serve perfeitamente para Duskfade. Apesar de o mundo correr perigo, a principal motivação do protagonista é salvar sua irmã, que está presa em uma torre enorme que apareceu no centro da cidade. Ele logo se amiga de Cuckoo, um simpático passarinho mecânico construído pela mana. Cuckoo, por sua vez, acompanha o herói não por altruísmo, mas porque, como todos nós, sente que há uma parte de si faltando. E apenas a menina que o construiu pode resolver este problema.
A história é contada através de cutscenes completas, animadas e faladas, para as cenas mais importantes. E através de textos e imagem do jogo durante as outras. Há bastante história, e acredito que tem gente que vai gostar. Eu sinceramente estava mais interessado no gameplay. Porque este, meu amigote, é uma delícia deliciosa.
JOGANDO DUSKFADE
Apesar de haver combate, o foco é em exploração e em plataforma 3D. O protagonista é lindamente animado e pula de uma plataforma a outra com uma graça sem igual. Ao contrário da enorme maioria dos jogos nessa linha, você já começa com pulo duplo. Combinar pulo duplo com a esquiva no ar faz com que você consiga pular muito longe. Tão longe que era comum eu ver uma plataforma distante e pensar “nem a periquito eu chego lá”, apenas para tentar e chegar facilmente. A ordem que você usa essas habilidades também afeta o salto. Pule duas vezes e desvie para um pulo alto. Pule, desvie e pule para um pulo longo. Até parece complicado, mas os controles são tão bons que isso logo se torna natural.
Sobre o combate, ele claramente fica em segundo plano, mas não é um segundo plano terrível como Prince of Persia Sands of Time, em que você fica bravo e entediado toda vez que precisa brigar. O combate é simples, funcional e suficientemente prazeroso. Tem também alguns poucos chefes que, embora sejam até bacanas no quesito design, são simplesmente muito longos. E é aquela coisa: embora Duskfade não seja especialmente difícil, é bem frustrante quando um chefe te mata quando você está quase vencendo. Isso fica pior no último chefe, o único momento da campanha em que o jogo te coloca contra dois chefes seguidos. Isso já é chato e ruim, e fica ainda pior por não existir checkpoint entre as batalhas. Eu venci na segunda tentativa, mas ao pensar que precisaria gastar tempo matando o primeiro de novo, eu quase nem tentei. Este é também o único motivo que me fez tirar nota do jogo.
UPGRADESVANIA
O gameplay de Duskfade é mais elaborado. Você ganha upgrades que tornam seus ataques e pulos mais eficientes. Tem também um monte de colecionável, e boa parte deles pode ser trocado por cosméticos e outras coisinhas na cidade principal. Além disso, quase todos os troféus popam quando você faz 100% em cada colecionável, então mantenha isso em mente se estiver interessado particularmente na platina. Tem um monte de fast travels ao longo da campanha em que você pode voltar para a cidade para upgrades. O que me leva ao próximo ponto e parágrafo.
Duskfade é um jogo linear, mas é também um metroidvania. Com isso, quero dizer que a campanha é absolutamente linear. Você sempre avança por novas áreas e, tirando a cidade, nunca precisa voltar para uma fase em que já passou para terminar a campanha. Porém, enquanto explora o jogo, vai encontrar muitas coisas que é incapaz de coletar. Ainda. Esta é a pegada Vania da coisa. O jogo não te obriga a voltar para uma fase já vencida. Mas se você quiser fazer 100%, ou pegar uns upgrades e cosméticos, vai precisar fazer isso.
Uma coisa que me desanimou enquanto satisfazia meu TOC é que você não pode voltar para a cidade a qualquer momento. Para isso, precisa de um ponto de fast travel. Então vamos supor que você saia explorando e se afaste muito de um deles. Será necessário jogar tudo até você encontrar o próximo. Isso fez com que eu me sentisse preso, e arruinasse a alegria natural da exploração. Muito perto do final do jogo, quase nos passos do chefe final, você ganha um upgrade que resolve este problema, mas sinceramente já é tarde demais.
O JOGO MAIS LINDO DE TODOS OS TEMPOS?
E finalmente chego ao principal ponto que torna Duskfade algo tão delicioso. Os gráficos. E é incrível como ele é tecnicamente simples, mas mesmo assim é lindíssimo. Ou seja, Duskfade não é pesado, mas o uso que faz de cores é tão incrível que é visualmente muito impressionante e prazeroso. Todas as fases e biomas têm muita coisa para ver, e elas são bem mais variadas do que pode parecer pelo nome das fases. O capítulo celestial, por exemplo, que você vê na imagem em destaque nesta matéria é um dos mais lindos que já tive o prazer de explorar. Duskfade é tão lindo que minha filha gostava de me ver jogando, simplesmente pelo forte doce de olhos que ele é. Aliás, a imagem lá de cima foi capturada por ela, e a própria pediu para eu usar na matéria.
Completando a apresentação visual, temos o áudio. E ele é incrivelmente importante. Não me vejo ouvindo a trilha do jogo fora dele no futuro, mas ela complementa o visual como um tempero complementa o sabor de um prato delicioso. Poucas vezes na minha vida me senti jogando um desenho animado, e Duskfade merece essa honra, ao lado de jogos como Kameo e Mickey Mania.
Eu gostei tanto de Duskfade que, apesar de ele ter durado dias para mim, fiquei triste e senti que faltava algo em mim quando acabou (sim, como o Cuckoo). Se te apetece jogar um plataforma 3D com pitadas de combate e sabor de desenho animado, este é um game que realmente merece estar no seu radar.





































