O delfonauta dedicado sabe que eu não sou muito fã de jogar no computador. Só costumo fazer isso quando aparece um jogo muito especial para cobrir. E, meu amigo, Fading Echo é bastante especial. É o tipo de jogo que traz uma experiência mágica. Familiar, mas diferente. E bonito o suficiente para não fazer você pensar que é barato – ou mal feito – mas com um estilo bem mais barato do que os AAAs.

REVIEW FADING ECHO

Fading Echo deixa a gente feliz por vários motivos. Por mostrar que ainda há vida inteligente e criatividade no desenvolvimento de jogos. Por ser bonito e ter um monte de coisas para ver sem ser caro. E, especialmente, por ser muito gostoso de jogar.

O que temos aqui é uma aventura dividida em fases relativamente lineares. É possível voltar para áreas já exploradas, mas você não precisa fazer isso se não quiser. O jogo também permite jogar cada uma de suas nove fases principais na ordem que desejar. Cada um dos mundos tem três fases, e apenas o quarto mundo fica travado até você passar por tudo que veio antes.

GOSTOSO, MAS UM TANTO INCONVENIENTE

Eu gosto dessa combinação. Você escolhe as fases, mas elas são lineares. Dá alguma liberdade, sem te soltar no meio de um mapa enorme. Porém, este tipo de liberdade precisa vir com qualidade de vida. Em especial, cada checkpoint deveria no mínimo possibilitar transporte para o hube do hub você deveria poder voltar para, no mínimo, o último checkpoint de cada fase explorada. Isso é importante por dois motivos.

O primeiro é que você pode fazer seus upgrades apenas no hub. Não faz sentido você precisar esperar o fim de uma fase para isso. Mas o que mais me incomodou mesmo é que teve muitos momentos na campanha que eu simplesmente não sabia o que fazer, então seria ótimo poder explorar outra fase e voltar pra lá depois. Mas se você está preso no meio ou na parte final de uma fase, não tem muito jeito a não ser que você aceite perder muito progresso. Eu nunca aceito.

Essa liberdade também teve problemas para a história e para os tutoriais. Boa parte das partes em que eu travei era porque não sabia usar determinada habilidade, que seria ensinada em outra fase. Além disso, a história ficou bem estranha, com um vilão começando a falar comigo sem nunca ter sido formalmente apresentado. Eu nem sabia que ele era um vilão até os personagens começarem a se referir a ele desta forma. São problemas pequenos, mas chatinhos, que espero que a desenvolvedora consiga melhorar em futuros jogos.

A PARTE BOA

Felizmente, de resto sou praticamente apenas elogios. Esta é a primeira vez em muitos anos que jogo um combate de hack and slash sem pensar o tempo todo em Dark Souls. O combate não é o foco em Fading Echo, mas arrisco dizer que ele é tão elaborado, criativo e divertido que poderia ser. Você tem um ataque normal, que faz dano, e outro que empurra. Além disso, há uma grande quantidade de habilidades elementais, que podem inclusive ser combinadas.

Quase toda arena de combate tem um monte de buracos sem fundo e empurrar os inimigos para eles é muito divertido. Quando não tem buraco por perto, você pode usar seus poderes naturais de água ou absorver fogo e ácido próximos para fazer com que morram mais rápido. Inclusive usar apenas seus ataques normais, sem empurrar num abismo e sem apelar para os elementos, torna o combate frustrante. Os inimigos, que morrem com poucos ataques elementais, são extremamente resistentes a seus ataques normais. Então o combate é criativo, mas você deve interagir com ele da forma certa.

ELEMENTAR, MEU CARO DELFONAUTA

Os elementos são o principal aspecto de Fading Echo. Mas embora eles sejam bons no combate, são essenciais para a solução de quebra-cabeças. Tem um elemento que possibilita teletransporte, outro que dá pulos altos e outro ainda que deixa você planar. Como sempre nestes casos, a coisa começa fácil, mas logo vai ficando extremamente complicada. E fazer as fases em ordem diferente da que os desenvolvedores desejam vai complicar muito mais do que sua pobre cabecinha é capaz de aguentar naquele momento.

A protagonista vira uma bolinha de água ao toque de um botão. Daí é possível adquirir outros elementos passando por rios deles. Ou, em alguns casos, carregar uma sementinha que transforma sua bolinha naquele elemento quando desejar. Os quebra-cabeças mais complicados vão exigir que você carregue uma sementinha enquanto sua bolinha está em outro elemento. Em outros ainda, você precisa mudar a cor da sua bolinha, por exemplo, para verde, e depois passar com ela na lava. Isso tem um efeito diferente do que passar na lava direto. Então se você quer pensar, tenha certeza que Fading Echo vai realmente te desafiar neste aspecto.

Particularmente, eu gosto mais de bater em meliantes do que de resolver quebra-cabeças. Mas este não é o foco de Fading Echo. Ainda assim, é um jogo muito prazeroso e divertido, cujo único problema até o momento de fechamento desta resenha é que não está disponível para consoles.

REVER GERAL
Nota:
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Carlos Eduardo Corrales
Editor-chefe. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. É o autor dos livros infantis "Pimpa e o Homem do Sono" e "O Shorts Que Queria Ser Chapéu", ambos disponíveis nas livrarias. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).
review-fading-echo-analiseDisponível: Windows<br> Analisada: Windows<br> Desenvolvedora: Emeteria<br> Editora: New Tales<br> Lançamento: 21 de julho de 2026<br> Gênero: Porradinha quebrando a cabeça<br>