A essa altura todo mundo sabe que metroidvanias são os jogos em 2D mais comuns que existem. E boa parte deles é diretamente soulslike ou pelo menos tem influências fortes do gênero. Barbarian Saga The Beastmaster não é exatamente um soulslike, mas tem semelhanças, como os checkpoins fast travel extremamente distantes. Felizmente, você não perde nada ao morrer, mas fico pensando se mais influências não seriam bem-vindas.

REVIEW BARBARIAN SAGA THE BEASTMASTER

E já que fiz a escada para esta informação, permita-me começar elaborando o que estava pensando no último parágrafo: as poções de cura não são automaticamente recuperadas quando você salva o jogo. Elas precisam ser individualmente compradas. O jogo é tão difícil e morrer é tão frustrante que você fará de tudo para evitar a morte. Assim, vai sempre comprar mais poções, e elas são caras o suficiente para te deixar permanentemente sem dinheiro. Isso me incomoda. É comum você ir para um chefe cheio de poções, usá-las, morrer e ficar com o jogo salvo, sem poções e sem dinheiro. Não é legal. Parece uma opção estúpida o jogo seguir outras regras do soulslike e abrir mão logo dessa.

Tirando isso, no entanto, Barbarian Saga The Beastmaster é um metroidvania competente, mas totalmente esquecível. Você tem uma pá de poderes, e a maioria deles aumenta sua mobilidade. Dá para respirar embaixo d’água ou para se transformar em um esquilo que passa por lugares apertadinhos. Cada vez que você adquire um novo poder, uma infinidade de novos caminhos se abre para você. O mapa segue aquela linha de permitir colocar adesivos em determinados pontos para te ajudar a lembrar o que tem ali. Porém, há um limite muito baixo de adesivos, que não é mostrado em lugar nenhum. Do nada, você simplesmente não pode colocar mais. Já está na hora de os metroidvanias marcarem os pontos de interesse automaticamente no mapa, ao invés de solicitar que o jogador encha seu mapa com adesivos limitados e pouco claros.

LEVEL DESIGN

Uma coisa que contribui para Barbarian Saga The Beastmaster ser tão esquecível é seu level design. Ele é muito aberto o tempo todo, com um monte de caminhos para explorar a toda hora. Mesmo com fast travels em todos os checkpoints, fica realmente difícil lembrar para onde você não foi e voltar lá com novos poderes. Os poderes podem ser adquiridos em ordens diferentes também, dependendo das suas escolhas. Isso possibilita que você pegue algo antes da hora, mas também possibilita que você explore todas as áreas sem nenhum upgrade. Caramba, eu demorei mais de duas horas para encontrar o primeiro chefe, o que certamente não é comum no gênero. Penso se minhas escolhas levaram a isso.

A Dormidin Studio também parece muito orgulhosa das mecânicas que criou quando você se transforma em animais. Mas demora muito, MUITO tempo (10 horas) para você encontrar a primeira transformação. Muita gente vai desistir do jogo antes disso, sinceramente. O visual das fases até varia bastante, mas não é especificamente bonito, nem tem muito para ver. Muito disso se deve ao estilo de gráficos e às habilidades dos artistas.

ARTISTAS

Barbarian Saga The Beastmaster se orgulha do seu visual desenhado a mão. Isso é algo que costuma me agradar. Porém, e permita-me a sinceridade, os desenhos parecem um tanto amadores. Parece algo que uma criança desenha nos cadernos quando está entediada nas aulas. A história também é bem sem graça, contada através de imagens estáticas (às vezes até em preto e branco) e texto. Há uma abertura em desenho animado, e esta realmente é bonita. Os personagens são reconhecíveis, mas parecem ter um polimento que simplesmente não existe em suas versões de jogo. Tudo indica que a Dormidin Studio contratou uma empresa externa para fazer a abertura, mas esta cria expectativas visuais que o jogo simplesmente não é capaz de alcançar.

Assim, Barbarian Saga The Beastmaster é um metroidvania 2D competente, mas com muito pouco de especial. Seu level design é fraco e o visual, seu ponto de maior orgulho, deixa a dever. Pode agradar a fãs mais true de metroidvanias, mas se você não é um deles, certamente há jogos melhores no gênero.

REVER GERAL
Nota:
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Carlos Eduardo Corrales
Editor-chefe. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. É o autor dos livros infantis "Pimpa e o Homem do Sono" e "O Shorts Que Queria Ser Chapéu", ambos disponíveis nas livrarias. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).
review-barbarian-saga-the-beastmaster-analiseDisponível: Windows, PS5, Xbox Series, Switch<br> Analisada: PS5<br> Desenvolvedora: Dormidin Studio<br> Editora: Selecta Play<br> Gênero: Metroidvania 2D<br> Lançamento: 9 de setembro de 2026<br>