Antes de falarmos do filme chamado Resident Evil, permita-me falar de Bem-Vindo a Raccoon City. Eu sei que ele foi estraçalhado pela crítica e pelo público, mas eu o amei. Se a ideia é adaptar os jogos da série para o cinema, simplesmente não consigo imaginar uma adaptação melhor e mais respeitosa. Este, porém, segue um caminho totalmente diferente. E um caminho que colocou o diretor Zach Cregger em maus lençóis com os fanboys dos videogames.
CRÍTICA RESIDENT EVIL, O FILME
“Como assim um filme de Resident Evil sem o Leon?”, pergunta o menino de Washington. “Cadê meu Chris Redfield e minha Jill Valentine?”, pergunta a menina no Vaticano. E o diretor Zach Cregger respondia: eu vou contar uma história que se passa no mesmo universo dos jogos, mas que não foi contada nos jogos. Fanboys rugiam de volta.
E o filme é exatamente isso. Uma nova história, que se passa ao mesmo tempo que a contada nos jogos clássicos. E os melhores games da série são aqueles que colocam um caboclinho fora de seu habitat natural. É o caso aqui. A gente acompanha a aventura de um entregador de órgãos. Ele recebe um pacote no hospital que deve ser entregue com alta prioridade no hospital de Raccon City. E aqui os fãs dos games já sabem o que rola. Pois é, coisas acontecem.
Obviamente, ele chega na cidade exatamente quando a infecção está começando. Ninguém sabe o que está acontecendo. Nem ele, claro. Mas tem alguma coisa muito errada com essa cidade, como fica claro pela quantidade de fucks que o protagonista fala o tempo todo. Aliás, para os americanos que têm medo da palavra fuck, talvez este seja o filme mais assustador da história.
ASSUSTADOR SIM, MAS ENGRAÇADO TAMBÉM
E apesar de ter recebido a raiva dos fanboys, ficou bem claro para mim que o diretor – e o outro roteirista Shay Hatten – são grandes fãs dos videogames da série. Sim, tem um monte de referências, como uma save room. Mas o principal é o quanto o filme lembra os jogos narrativamente. Sim, tem terror, mas tem também muito humor. Resident Evil, o filme, tem um monte de cenas tão estúpidas quanto o famoso sanduíche de Jill. E fica muito melhor por isso.
No final tem a parte da injeção que não faz sentido (eles têm um monte de oportunidades de usar), mas eu gostei muito de todo o resto da projeção. E mesmo o final é, de certa forma, esperado. Afinal, se você já jogou os games, sabe que a infecção continua. Só não precisava daquela história da injeção. A história podia levar ao mesmo ponto narrativo sem aquele McGuffin.
Graças à combinação de humor e terror, Resident Evil nunca fica muito assustador, mesmo tendo violência explícita e nojeira a rodo. Ao mesmo tempo, ele nunca fica muito engraçado, a ponto de eliminar totalmente o medo. A mistura terror e comédia é comum no cinema, mas normalmente quando é usada, o filme acaba tendendo mais para a comédia, como em Sexta-Feira 13. Estes filmes costumam ser comédias com violência. E este não é o caso aqui. Não há dúvidas de que é um filme de terror, mas é um que vai te arrancar risadas frequentes. Exatamente como o videogame. E por isso leva cinco Alfredos zumbis de guarda-chuva.
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