Dá para ter uma ideia do que esperar de um filme pelo título nacional? Há controvérsias. Corra Que A Polícia Vem Aí é um título terrível, mas o filme é um dos melhores da história. E Código Vingança? Bom, este é tão genérico e sem graça quanto o título nacional promete. Curiosamente, o título original, Mutiny (Motim), é muito melhor e mais apropriado do que a tão sem graça e spoilerenta “tradução”.
CRÍTICA CÓDIGO VINGANÇA
Considerando que o título nacional já spoilerou a história, vou fazer uma sinopse livre. Não que de fato o que ela spoilerou seja assim tão spoilerável. O Jason Statham trabalha pra um ricaço com quem se dá muito bem. Daí eles matam o ricaço. Agora Jasão quer vingança. Código Vingança. Em um navio. Pois é, eu estou perfeitamente ligado que esta é exatamente a mesma sinopse de John Wick, trocando apenas o cachorro por um chefe. Porém, a história criada em cima desta premissa não poderia ser mais distante.
John Wick cria todo um submundo do crime organizado, e conta uma história realmente envolvente, permeada por cenas de ação frequentes e estilosas. Código Vingança tem uma historinha tão genérica que um ChatGPT conseguiria mostrar mais criatividade. Por exemplo, enquanto vai se vingar dos malvadões, Estadão é o principal suspeito da polícia. Você já viu isso antes, não?
BOA AÇÃO É MAIS DIFÍCIL DO QUE UMA BOA HISTÓRIA
Curiosamente, o filme representa uma experiência totalmente diferente da minha. Você sabe que eu já escrevi muitas coisas antes. De gibis a livros e filmes, eu sempre gostei e sou relativamente competente em contar histórias. Mas sempre me embananei para descrever cenas de luta, tiroteio e afins. Sinto que é algo extremamente visual, portanto tenho dificuldade de descrever com palavras. E talvez você responda que em filmes estas cenas são criadas principalmente por coreógrafos, não por roteiristas. E talvez seja o caso em filmes mais endinheirados, mas desses eu nunca participei. A responsabilidade para isso sempre foi minha, como roteirista.
Conteí isso porque acho realmente fascinante que um filme como este tenha boas cenas de porradaria e tiroteio, mas peque tão forte na história. É o caso de que talvez ele tenha um coreógrafo decente, mas roteiristas ruins. Ou então são roteiristas com habilidades totalmente diferentes da minha, bons pra porrada e péssimos para história. Seja qual for a razão, você pode encarar Código Vingança como um videoclipe de 90 minutos, cheio de cenas bacanas para ver. Ou então como um filme de verdade, e ficar com raiva de assistir à mesma história pela milionésima vez. Talvez você, como eu, se encontre entre os dois extremos.
A FACA DOS DOIS LEGUMES
E para nós, que estamos no meio, basta apenas classificar Código Vingança como um filme nada. Uma história terrível e nojenta, possivelmente escrita com ajuda de algum bot da vida, mas com cenas de ação bacanas. Isso deixa Código Vingança fraco como filme, mas bom como videoclipe. O que você prefere ver no cinema?
Curiosidade: falando em clichê, quantas vezes você já viu a foto do Jason Statham que ilustra esta matéria? Sim, ela é deste filme, mas ele já deve ter tirado esta mesma foto dúzias de vezes.




































