Protocolo de Extermínio começa com uma montagem muito legal, mostrando vídeos históricos da história estadunidense com outros fictícios, feitos para o filme. Um dos presidentes mostrados fala que no último século, os EUA não tiveram uma única geração de paz. Acho que faz perto de um século que o caboclo falou isso. E ainda não tiveram. De fora, é fácil ver o motivo. Eles não são um país que se contentam com o que têm. Eles sempre querem mais. Expandir o império, ao invés de viver em paz com o império enorme que já possuem. E quando você resolve brigar e dominar todos os outros países do mundo, vai ter gente que aceita. E vai ter gente que briga. Daí você nunca tem uma paz duradoura.
CRÍTICA PROTOCOLO DE EXTERMÍNIO
Pensei nisso durante toda a duração de Protocolo de Extermínio. Afinal, se existe um filme mais tipicamente estadunidense do que este, só mesmo se for um de super-heróis. Exemplo? Tem um cientista que faz testes em humanos para criar o supersoldado perfeito. Porém, embora ele trabalhe para o governo estadunidense, é alemão. E tem um visual totalmente estereotipado. Pegaram Dan Stevens, o soldado de Protocolo de Extermínio, para o papel, mas colocaram uma peruca com cabelos brancos e uma careca lisinha. Infelizmente, esqueceram de maquiar o rosto – ou de pegar alguém mais velho. O resultado é que ele ficou parecendo o vilão de um desenho animado. Essa inconsistência é típica de filmes God Bless America como este, e cada vez tenho menos saco para essas coisas.
A história é até interessante. Os supersoldados escapam do ambiente de teste e saem matando cidadãos estadunidenses. Como diriam os palestinos, são as únicas pessoas que importam no mundo, afinal. A segunda metade do filme, que pode ser considerada “a carne”, acontece em um estacionamento de trailers, onde a protagonista, Adria Arjona, mora com sua filha. Curiosamente, parece haver muito pouca carne nesses ossos.
Não diria nem que é um filme entediante. Não é. E é curtinho. Mesmo assim, ele passa mais de 30 minutos mostrando o cientista maluco e os testes nos que serão os supervilões. E se eu critiquei o visual do cientista antes, não tenho nenhuma crítica ao visual dos supersoldados, que parecem saídos de uma versão turbinada de Call of Duty, com suas maquiagens escuras e olhinhos que brilham no escuro.
DE FORA DO FILME
Tem algumas coisas mais ou menos relacionadas a Protocolo de Extermínio que talvez o tornem mais interessante. A primeira delas é a escolha de protagonista. Se você não ligou o nome à pessoa, insiders dizem que Adria Arjona será a nova Mulher-Maravilha. A violência também é digna de nota. Em especial pelo fato de que, apesar de ser um filme de terror, ela é quase completamente sugerida, não mostrada. Coisas como um personagem levantar o machado, a câmera mostrar uma parede e daí jogarem tinta vermelha nela.
Outro assunto mais relacionado é que Protocolo de Extermínio se passa no mesmo mundo de O Hóspede, também dirigido por Adam Wingard. Aparentemente, este acontece depois, e o Google diz até que o personagem do Dan Stevens é o mesmo – embora nunca tenham dito antes que ele era alemão. Narrativamente, este parece acontecer antes. Afinal, o supersoldado de O Hóspede é um sujeito com habilidades sociais e inclusive com algum senso de justiça, enquanto estes são apenas brucutus. Porém, como filme, O Hóspede é uma enorme porcaria, enquanto este é mais assistível.
Dito isso, o tema supersoldado é tão comum na cultura pop estadunidense que, se não soubesse da ligação acima, sequer saberia que são filmes do mesmo diretor. Afinal, apesar de compartilharem o gênero e a temática, o mesmo pode ser dito de dezenas de obras parecidas. Então este é o resumo da ópera. Gostou de O Hóspede? Este é mais tenso e violento. Mas existem coisas melhores e mais criativas com esta temática.


































