Existem jogos escuros. Caramba, eu diria que por algum motivo está na moda que os jogos sejam escuros demais. E você pode dizer “escuro é Doom 3, Corrales”. E eu concordo. Doom 3 é ridículo de tão escuro. Mas absolutamente nenhum jogo ou experiência é capaz de acender uma vela (literalmente) para Blades & Battles. Este jogo é tão escuro que você normalmente controla a bolinha vermelha batendo em outras bolinhas vermelhas.
REVIEW BLADES & BATTLES
Blades & Battles é um beat’em up com claras influências de Golden Axe. A temática está mais para Knights of the Round, com o Rei Arthur e o Lancelote de personagens jogáveis. Mas de resto o jogo puxa muito do fliperama da Sega, inclusive com a magia em que o protagonista joga umas poções para o ar.
Independente dos gráficos, o jogo não empolga. Mas também não faz nada de fato errado. Os dois personagens são bens diferentes e têm todas as funções tradicionais do gênero. Eu só me incomodei com a corridinha que, como você sabe, é ativada com dois toques para frente. Isso no Playstation funciona bem, mas eu joguei no controle do Xbox e é horrível controlar um personagem pelo seu direcional digital. Como os dois heróis são extremamente lentos e, no combate, fica difícil sequer alcançar os inimigos sem correr, gostaria de poder correr segurando um dos botões do ombro. Embora todos os comandos possam ser livremente redistribuídos nos botões disponíveis, justamente este é fixo. Fazer o quê?
GO YOUR OWN WAY
Você tem que passar por metade do jogo para chegar à chefe final. A pegada é que, como em Golden Axe III, você pode escolher se quer ir pelo caminho de cima ou por baixo. Isso é bacana, porque se você quiser jogar com os dois personagens, tem duas campanhas quase totalmente diferentes. Porém, eu só fui perceber que era possível escolher o caminho na minha segunda campanha. Acontece que as setas que mostram as duas saídas são tão escuras que são quase completamente invisíveis. O que me leva a meu principal problema com o jogo.
Eu joguei Blades & Battles com a sensação de que era um jogo feito para homenagear o Virtual Boy. O visual é quase completamente preto e vermelho. Os dois heróis, por exemplo, têm três cores diferentes, mas apenas uma delas em cada um tem uma aparência aceitável. Aliás, eu nunca joguei Virtual Boy, mas pelas imagens que vi por aí, os jogos parecem muito mais bonitos e caprichados do que este, que é simplesmente feio e quase invisível.
O MENINO VIRTUAL
Não existe brilho nas opções gráficas. Apenas opção de deixar os gráficos pixelados ou mais pixelados. Ambas tornam um jogo difícil de entender ainda mais difícil. Acabei desligando, pois pelo menos daí conseguia saber qual bola vermelha era a minha.
O jogo é tão escuro, mas tão escuro, que na fase do elevador, o elevador parou. Daí fui tentar andar para a direita e ele simplesmente não ia. Imaginei que tivesse uma parede destruível invisível ou algo assim e saí batendo em todos os arredores. Será que era um pau do jogo? Não parecia. Mesmo assim, tentei reiniciar a fase, e ao chegar no mesmo lugar, consegui andar para a direita. Meu, que tipo de jogo você fica sem saber se algo vital está na sua frente ou se deu pau e a tela não andou?
Eu sei porque o visual do jogo é assim. Blades & Battles parece ser de muito baixo orçamento. E não precisa pagar muito para um artista colocar uns detalhes vermelhos em um cenário preto. Dito isso, foi uma péssima opção. Videogame precisa de vídeo. Jogar um beat’em up quase sem enxergar o que está fazendo é um suplício.
Aproveite para ler sobre um videogame que intencionalmente não tem vídeo. E se dá bem nisso.

































