Meu camaradinha do coração, como eu amo A Plague Tale. Caso você acompanhe a série, sabe que a história original foi totalmente encerrada em RequiemResonance A Plague Tale Legacy não é um spin-off, mas um novo jogo que acontece no mesmo universo. Ele inicia uma nova história, com uma personagem conhecida do anterior, e muda bastante o clima e a jogabilidade. Mas mantém o principal: ainda é um jogo particularmente linear, com visual realista e embasbacante e o maior sabor de AAA como não se fazia desde a época do PS3. Para saber mais, pegue seus broches e venha comigo enquanto destrinchamos Resonance.

REVIEW RESONANCE A PLAGUE TALE LEGACY

Eu falei no meu review do primeiro jogo da série, mas muitas outras pessoas falaram também. A história original, focada nas vicissitudes de Amicia e Hugo era muito parecida com The Last of Us. E justamente por isso era deliciosaResonance A Plague Tale Legacy lembra muito um outro jogo da Naughty Dog: Uncharted. Isso é especialmente bem-vindo, considerando que a Naughty Dog não lança um novo jogo há tanto tempo que é justo perguntar se eles ainda fazem jogos. Mas explico o motivo da comparação.

Os A Plague Tale anteriores eram jogos sofridos. Muitos o classificaram como simulador de infelicidade. Uncharted e, por consequência, A Plague Tale Legacy, é mais suave. Tem mais humor, mais leveza. Além disso, os inimigos são menos perigosos. O combate é totalmente novo, mas aqui é bem mais focado em atacar e matar antes de te matarem do que se esgueirar e usar itens para passar.

BATE NAQUELE SOLDADO

Isso mostra como A Plague Tale Legacy realmente se diferencia dos anteriores. Você tem armas cortantes, sem limite de munição. Há apenas três quadradinhos de vida, mas você ganha um de volta toda vez que mata alguém. E recupera todos ao fim da batalha. O combate envolve defesa, parry, ataque forte e ataque rápido. Muitos devem pensar em Sekiro por causa disso. Mas poucos devem se lembrar que não foi a From Software que inventou o parry. Eles só tornaram isso extremamente difícil e, como sempre acontece com eles, todo mundo passou a copiar. A Plague Tale Legacy não é muito difícil. Na verdade, seu combate está muito mais próximo do Conan do Xbox 360 do que de Sekiro, você só precisa ter o repertório para ver isso. E eu acho isso sensacional.

Outra coisa que acho sensacional é que existem duas dificuldades mais baixas do que o normal. Eu amo ver uma desenvolvedora ir contra o status quo dessa forma. Enquanto todo mundo faz jogos em que a dificuldade mais baixa é o hard, a Asobo Studio cria um jogo que se adequa ao que você espera. A narrativa é a mesma, e quem não gosta de repetição pode simplesmente diminuir a dificuldade. Fantástico. Particularmente, eu joguei no normal, e não senti necessidade de diminuir, mas é sempre bom saber que a opção existe. Porém, A Plague Tale Legacy é muito mais do que combate.

FOGE DAQUELE MONSTRO

Ele não manda totalmente suas raízes ouvirem pagode. Só coloca um diferencial nelas. Os soldados são para lutar, o monstro é para fugir. Ele até cria boas e claras variações no gameplay do monstro. Nas áreas escuras, em que ele espreita, você deixa um rastro luminoso. E este rastro pode ser detectado pelo malvadão se você não se esconder. Você também fica protegido em meio a luzes e eventualmente é hora de correr. O monstro demora muito para dar as caras no jogo, e responde por uma quantidade pequena de gameplay, pelo menos até perto do final. Mas é uma variação para aqueles que não enxergam muita graça no bate-bate.

Talvez o mais legal de A Plague Tale Legacy, no entanto, seja os cenários e a deliciosa sensação de turismo virtual. Isso já existia no jogo anterior, que tinha sim, muita leveza. Porém, como a história e a situação em si eram muito opressoras, você explorava estes lugares lindos sabendo que era uma pausa entre as coisas horríveis. Aqui, coisas horríveis também acontecem, mas você controla uma guerreira poderosa, que vai acompanhada de outra guerreira na maior parte do tempo. As duas não passam o jogo todo com medo, mas aproveitam a beleza dos lugares que exploram, o que te permite aproveitar também.

A HISTÓRIA DE RESONANCE A PLAGUE TALE LEGACY

A história é tão independente, e tão diferente da original na maior parte do tempo, que faz pensar que A Plague Tale Legacy surgiu como um jogo novo, e que só depois os engravatados resolveram colocar o nome conhecido para chamar atenção. Mas é o seguinte: você controla Sophia, que ajudou Amicia e Hugo em Requiem. Ela é filha do chefe da vila, que morre logo no início. Daí ela passa boa parte da sua vida treinando para ser a melhor lutadora possível. Ah, e ela também tem visões. Visões que mostram uma ilha e um monte de coisas difíceis de interpretar, mas seguir estas visões levou seu paputis à morte e deixou Faro, a mão direita do chefe, obcecado.

Quando seu vilarejo é atacado e Faro se vira contra ela, Sophia resolve embarcar em uma viagem para solucionar por conta própria o mistério da ilha secreta. É lá que acontece a maior parte do jogo, o que sinceramente me deixou um tanto decepcionado. Afinal, nos jogos anteriores você viaja entre vários países. Este é um cenário mais contido.

Logo a história da ilha é revelada, e ela mostra traços de personagens da mitologia grega, como Minotauro, Teseu e Dédalo. Inclusive, a Asobo ter escolhido transformar Teseu em uma mulher e Dédalo em um homem negro provavelmente vai causar reclamações de parte da população. Curiosamente, até onde pude perceber, Sophia já tinha ouvido falar do Minotauro, mas Teseu e Dédalo são apenas pessoas que viveram antes dela, não personagens mitológicos. A interpretação do Minotauro também é bastante diferente do que você pode pensar.

FUGINDO, MATANDO, VENCENDO, TELA TÍTULO

Eu falei no meu texto sobre o anterior, mas acho simplesmente sensacional jogar algo que se permite terminar. Você vence a história, assiste aos créditos e volta para a tela título. Nada de “agora um monte de sidequests pentelhas apareceram” ou “você venceu a história, mas sua aventura está apenas começando”. Não, você terminou. Agora pode começar de novo, caçar colecionáveis com a escolha de capítulos ou ir jogar outra coisa. Delícia, meu amigo. Por que todo jogo não é assim mesmo?

E isso define bem Resonance A Plague Tale Legacy. Você sente falta de quando os jogos terminavam? De uma época em que os hack and slashes eram diferentes um do outro, sem tentar copiar a From Software? E não aguenta mais mapas enormes cheios de itens para pegar? Meu amigo, este jogo é para você. Assim como é para mim. Só é uma pena pensarmos que dificilmente veremos algo assim de novo por vários anos.