Embora o Windows esteja repleto de bons boomer shooters, boa parte deles mora exclusivamente lá, e nunca chega aos consoles. Não é como se os consoles carecessem de bons jogos do gênero. Eles só não são tão abundantes. Como um enorme admirador do gênero, é sempre uma felicidade sentar para jogar algo nessa linha, especialmente quando o código de review chega semanas antes do lançamento. É o caso de Cultic.
REVIEW CULTIC
Cultic até tem história, incluindo algumas poucas cutscenes e narração. Mas, sinceramente, você não vai se importar com ela. Como Doom e tantos outros games de outrora, o que temos aqui é uma coletânea de mapas para você vencer. Na ordem, ou quase isso. Digo isso porque, também como Doom, as playlists de mapas são divididas em “episódios”. Tem o capítulo 1, o interlúdio, o capítulo 2, e os mapas bônus. A quantidade de fases dentro deles varia, e o grosso, claro, está nos capítulos 1 e 2. O importante é que o gameplay é uma deliciosa crocância.
É bem como você espera. As fases são grandes, repletas de inimigos e portas trancadas. Você vai explorando, matando todo mundo, pegando chaves e progredindo, até encontrar o final. Como bem dizia o Deadpool, se tem inimigo é porque você está no caminho certo. Apesar de os gráficos serem, intencionalmente, retrô, os mapas são bastante variados visualmente. Tem cidades, manicômios, florestas. Uma variação que simplesmente não existia nos clássicos. Não tem tantos tipos de inimigos, e pelo menos um deles, a telecinética, é bastante chata. Mas a forma como cada um morre, explodindo em vísceras e tripas, é muito gostosinho.
BOM, QUASE ÓTIMO
Eu gostei muito de Cultic, mas por outro lado ele parece se perder criativamente no capítulo 2. Originalmente, três anos separam os dois lançamentos, então faz algum sentido que eles sejam tão diferentes. O segundo capítulo vem com ideias cansadas e repetidas. Os cenários continuam bacanas, variados e criativos, mas boa parte das fases envolve ligar a energia ou algo parecido para progredir. Algumas fases muito chatas exigem encontrar quatro bolachas de dinamite espalhadas por cenários abertos. Detalhe, dinamite é uma das suas armas padrão e você está sempre carregando dezenas delas, mas nestes casos têm que ser quatro específicas. O segundo capítulo simplesmente cansa mais do que deveria, com a repetição e a necessidade de ficar procurando pelo caminho certo em guias.
Além disso, devo dizer que fico um tanto bravo quando um jogo claramente retrô, como este, não tem opção de rodar a 120 fps nos consoles mais poderosos. Convenhamos, um computador equivalente a um PS5 com certeza faz isso neste jogo, então parece realmente não terem colocado esta opção aqui por falta de capricho. O mesmo pode ser dito do quick save, que causa uma pequena pausa momentânea na taxa de quadros.
Por fim, tem alguns erros técnicos que provam esta falta de cuidado, como paredes que somem ou cenários que aparecem muito perto do personagem. Talvez estes sejam resolvidos eventualmente, mas é incômodo jogar assim no momento.
O CULTO DE PERSONALIDADE
Cultic é um jogo feito por apenas uma pessoa, Jason Smith. Ele fez até mesmo a trilha sonora, que não é muito boa, mas é bem raro um programador compor as músicas. O cara certamente tem talento, pois Cultic é um jogo bacana. Bacana, mas não excelente. Está longe de estar entre os melhores jogos do gênero, mas se você já jogou outros maiores, certamente é uma boa pedida.






































