Anos atrás, quando escrevi sobre o excelente joguinho de plataforma do Marsupilami, eu achei que era um personagem criado para o jogo e baseado em um bichinho real. Tipo Sonic ou Crash. Não me lembro se na época da resenha, ou pouco depois, resolvi procurar por Marsupilami na internet e o novo pai dos burros me contou que era um personagem de quadrinhos belga criado por André Franquin.

Apesar de eu gostar muito dos quadrinhos europeus que conheço, Marsupilami nunca tinha passado pelo meu radar. E hoje vejo que, pelo menos na Europa, ele é bem popular. Caramba, antes daquele jogo que resenhei, o personagem já apareceu até no Mega Drive.

CRÍTICA MARSUPILAMI

Então quando confirmei minha presença na sessão de imprensa de Marsupilami, já tinha uma ideia melhor do que se tratava. Mas, sinceramente, não esperava gostar tanto. Assim como os longas de AsterixMarsupilami, o filme, é muito bobo e, justamente por isso, muito engraçado. Basicamente parece uma metralhadora de vídeo cassetadas. A coisa é tão engraçada que o filme diverte muito mesmo na primeira meia hora, antes de o fofo bichinho que dá nome a ele aparecer.

E temos aqui mais um exemplar de exemplo de que uma boa comédia não precisa muito de história. Isso porque a história é bem básica e óbvia. Mesmo assim, os personagens são legais e as ótimas piadas deixam o filme sempre divertido.

A HISTÓRIA DO BICHINHO RABUDO

Aqui conhecemos uma criança e seus pais separados, que vivem brigando. Depois de uma patetada absurda, o chefe do pai, dono de um zoológico de fachada, faz uma proposta irrecusável. Ele precisava ir até a América do Sul e trazer um pacote, sem nunca olhar o que tem dentro do pacote. A parte irrecusável? Bom, se ele não topar, vai ficar preso com as hienas do zoológico.

Aí é a parte óbvia. Você já sabe que o pacote é um Marsupilami, um bichinho super raro e valioso. Quando eles descobrem isso, ele apronta horrores no barco e o filhote da família se afeiçoa a ele. E daí tem o Numerobis (Jamel Debbouze), de Asterix e Cleópatra, tentando levar o rabudo de volta para os seus. E o pai, enquanto isso, fica no meio. Ele ajuda o chefe bandidão ou o bonzinho ecológico? Você provavelmente já sabe o caminho que a história vai seguir. Afinal, desde E.T. O Extraterrestre (quiçá antes), o cinema conta a mesma coisa para nós. Inclusive, Marsupilami tem uma excelente e muito engraçada paródia à fuga das bicicletas de E.T.. Eu só fiquei decepcionado que não tem a lua.

OLHA COMO EU BALANÇO O BUMBUM

Outra cena que merece destaque é uma luta que parodia o estilo Super Sayan de Dragon Ball. Quando o moleque começa a explicar para o bicho como o mangá original funciona, já saquei que era um foreshadow para o que viria mais tarde, mas admito que ri mais do que esperava quando a cena chegou.

E este é o principal ponto desta crítica. É um filme de criança bem inocente, sem violência gráfica nem nada impressionante. Mas seu humor bobo e os personagens adoravelmente inocentes são simplesmente uma combinação vencedora para qualquer comédia. E Marsupilami é, sem dúvida, uma comédia vencedora, que merece ser vista.

REVER GERAL
Nota:
Artigo anteriorWrath Aeon of Ruin Brutal Edition (PS VR2): agora em VR
Carlos Eduardo Corrales
Editor-chefe. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. É o autor dos livros infantis "Pimpa e o Homem do Sono" e "O Shorts Que Queria Ser Chapéu", ambos disponíveis nas livrarias. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).
critica-marsupilami-filme-analiseTítulo original: Marsupilami<br> País: França, Bélgica<br> Ano: 2025<br> Distribuidora: Paris Filmes<br> Duração: 1h39m<br> Direção: Philippe Lacheau<br> Roteiro: Philippe Lacheau, Pierre Dudan, Julien Arruti<br> Elenco: Philippe Lacheau, Jamel Debbouze, Tarek Boudali<br>