Eu já falei muitas vezes aqui o quanto gosto da Supermassive Games. Sou um grande admirador de terror, histórias interativas e histórias interativas de terror. Digo mais, a ideia de eles criarem uma antologia, chamada de The Dark Pictures Anthology é muito boa. Apesar de serem jogos independentes, usando temáticas variadas, são unidos sob uma marca, um selo de qualidade. E apesar de não dividir este selo no título, Directive 8020 é, sim, parte da antologia, ao contrário de outros que a desenvolvedora fez “por fora”, como The Quarry ou The Casting of Frank Stone.
Porém, tem diferenças. Não divide com os anteriores a abertura e o personagem The Curator, que narrava os contos, está presente de uma forma bem diferente. Não sei se isso tem a ver com Directive 8020 não ser publicado pela Bandai Namco, mas estes são os fatos. Outro fato é que Directive 8020 é uma história bastante inferior às outras.
REVIEW DIRECTIVE 8020
Directive 8020 tem uma ambientação que eu gostava muito, mas que anda tão comum nos videogames que está me cansando. É uma história que acontece quase completamente em uma nave no espaço. Para deixar tudo um tanto mais incômodo, esta história lembra muito, muito mesmo, o primeiro filme Alien.
Nós conhecemos uma tripulação que foi para o espaço com a missão última de colonizar um planeta. A nave que acompanhamos idealmente vai ficar em órbita, coletar informações e voltar para a Terra. Posteriormente, uma outra nave iria para de fato fazer a colonização. A nave dos nossos amigos não tem nem combustível para aterrisar e depois voltar para a Terra, então aterrissar é um grande não-não. Duvido que você adivinhe o que vai acontecer com isso. Mas este não é o foco.
O foco é que, papo vai, papo vem, uma forma de vida aparece na nave. Eventualmente, a tripulação parece possuída e com tendência à violência. Correlação não é causalidade, como diz um personagem, mas é meio óbvio que as coisas estão relacionadas, né? Obviamente, o dono da empresa que bancou a viagem quer levar a tal forma de vida para a Terra, e teorias conspiratórias da galera dão a entender que ele sabia da sua existência. Em outras palavras, não é igualzinho ao Alien, mas é suficientemente parecido para deixar incômodo. E não é apenas uma semelhança visual, como Doom 3 e Dead Space, mas muito além disso. No final, lá pelos últimos dois episódios, a história segue um caminho mais criativo e interessante, mas é um tanto tarde demais. Também é uma parte prejudicada pelo excesso de gameplay do estilo “esconde-esconde”.
GAME… PLAY?
Eu poderia falar do gameplay, mas isso seria quase como chover no molhado. Esta é uma história interativa, que basicamente envolve assistir a cutscenes e tomar decisões. Os piores momentos são, de longe, quando ele tenta de fato ser um jogo. Explorar a nave em busca de colecionáveis vá lá, mas é realmente chato precisar ficar se escondendo de um assassino. Especialmente pelo fato de que a história continua caso você seja pego. O padrão não é tentar de novo. A exploração também é prejudicada pelo uso de “carnes nojentas” que passam a aparecer na nave. Cá entre nós, existe algum jogo de terror no espaço sem “carnes nojentas”?
Felizmente, o jogo permite sair do padrão. Na verdade, este é o título mais acessível da antologia inteira. Você pode diminuir a dificuldade das QTEs para apenas um botão e, o mais interessante, pode escolher liberar a possibilidade de rebobinar a qualquer momento para qualquer cena. Assim, se você não ficar feliz com o resultado de uma decisão ou com alguém que morreu e não deveria, basta rebobinar. O formato anterior, de proibir isso da primeira vez, e liberar a linha do tempo depois de terminar uma vez também está disponível.
Mecanicamente, talvez a parte mais impressionante seja justamente a linha do tempo. Todas as decisões e cenas ficam marcadas lá. As que você ainda não viu ficam apagadas, com instruções de como assistir. Estas são, desde coisas básicas, como “escolha a outra opção”, até outras muito mais envolventes, como “deixe um personagem morrer três capítulos antes”. Assim, apesar de o jogo conter todas as informações necessárias para você ver tudo sem precisar de guias, fazer de fato é um tanto trabalhoso.
DIRETRIZ: HISTÓRIA INTERATIVA
Claro, apesar da falta de variação em cenários, tudo é contado com gráficos extremamente elaborados, inclusive com suporte a HDR e 120 HZ. Eu acho incrível que a Supermassive Games consiga fazer algo tecnicamente tão impressionante em um gênero tão nichado. Infelizmente, apesar das mecânicas serem mais elaboradas e de fato construírem em cima dos títulos anteriores da série, não dá para negar que Directive 8020 é, antes de tudo, uma história interativa. E embora a maior parte de nós brinque de rebobinar em alguns momentos, a imensa maioria não vai ver tudo mais de uma vez. E muito menos ir atrás de completar todas as opções que ele mostra.
O problema é justamente que a história de Directive 8020 é menos criativa do que as anteriores e muito mais comum, tanto nos videogames quanto nos filmes. E quase tão clichê quanto a história em si é a apresentação dela, como as “carnes nojentas”. Não é ruim, só não é tão bom quanto o trabalho anterior da desenvolvedora.




































