Já contei por aqui como a escola arruinou a literatura para mim. Eu adorava e adoro ler gibis. Mas em meio a um monte de livros chatos, literalmente um pior do que o outro, minha primeira interação positiva com um livro sem figuras indicado pela escola foi com O Gênio do Crime. Acredito que eu nunca tinha lido outra coisa moderna antes, escrita no século XX, sobre crianças e pessoas como eu. E assim, sempre me lembrei com carinho dele.
Minha filha, por outro lado, é uma leitora voraz. Eu nem consigo dar um livro quando termina de ler o anterior, porque tem vezes que ela simplesmente mata dois livros em um único dia. Também pudera, ela tem um pai autor e inclusive é personagem de livro. Diante da fome dela por literatura e minha memória afetiva, eu indiquei o livro O Gênio do Crime para ela. Curiosamente, a Pimpa começou a ler e achou chato. Chato a ponto de parar no meio. Talvez seja uma história para crianças um pouco mais velhas do que ela, ou talvez ela simplesmente conheça coisas melhores hoje em dia, que eu não conhecia. Dito isso, vamos ao filme.
CRÍTICA O GÊNIO DO CRIME
O Gênio do Crime, conhecido por um amigo de infância como O Mistério das Figurinhas, conta a história de um grupo de amigos que adora brincar de detetive. E veja só, um mistério de verdade acaba caindo no seu colo. Quem vai solucionar? Talvez seja o Mr. Mistério, o ídolo do protagonista. Ou talvez seja o próprio protagonista, o Gordo, que de Gordo não tem quase nada.
Qual é o mistério das figurinhas, você pergunta? Pois é, no ano de uma Copa do Mundo, a editora Escanteio fez um álbum com jogadores. Uma figurinha em especial é super rara. Rara a ponto de eles prometerem um ingresso para a final da Copa para quem completar o álbum. A questão é que a figurinha deveria ser rara. Mas um grupo de bandidões está falsificando a maledeta e vendendo por valores irrisórios no mercado. Isso vai quebrar a editora se alguém não fizer algo. A editora contrata então o famoso Mr. Mistério, mas as crianças se autocontratam e pretendem resolver tudo antes da celebridade.
TEXTO ENVELHECIDO
Eu não tenho muitas memórias de pormenores do livro, mas basicamente o que eu me lembro está no filme. Minha memoria fraca não é a mais recomendada para comparações, mas eu gostei do filme o tanto que gostei do livro. Para fazer uma comparação, eu li o livro quando não tinha acesso a absolutamente nada melhor. Por outro lado, já vi um milhão de filmes, bons e ruins, e consideraria O Gênio do Crime um bom trabalho, ainda que um tanto clichê e óbvio.
Mas é inegável que algumas coisas aqui envelheceram muito mal. Por um lado, as crianças conseguem acesso à figurinha especial pesando os pacotes. Isso é uma forma relativamente comum de as pessoas escolherem o que pegar em algo estilo loot box, como os pacotes de figurinhas. Mas as empresas fazem um tremendo esforço para criar jurisprudência e tornar isso ilegal. A ponto de que não me parece realista o cara da banca deixar as crianças pesarem os pacotes na frente dele.
Por outro lado, essa escassez forçada, de uma empresa simplesmente fabricar menos de algo para aumentar o desejo em cima daquela coisa, também não pega bem para o consumidor hoje em dia. Então O Gênio do Crime aborda algo que era meio natural na cultura do álbum de figurinhas e em 1969, quando o livro foi lançado, mas que envelheceu muito hoje em dia, em uma época repleta de card games e loot boxes.
O GÊNIO DO CRIME
O Gênio do Crime é um filme divertido, que certamente vai agradar às crianças animadas por um longa de mistério. Mas adultos com mais estofo ou mesmo crianças que já assistiram a outros filmes do gênero não verão nada de muito especial por aqui. É uma boa Sessão da Tarde, mas está longe de ser a segunda vinda do Frank Drebin.








































