Meu caro e espoleta amigo delfonauta. Você já jogou algo que parece fazer tudo certo, tem boas ideias e uma jogabilidade gostosinha, mas que mesmo assim falha em empolgar? Pois foi assim que me senti com Underling Uprising. Um jogo muito bonito, com excelentes ideias e que me fez rir. Mas que também queria que acabasse logo.
REVIEW UNDERLING UPRISING
Talvez o ponto esteja no fato de que todas as ideias boas de Underling Uprising não estão relacionadas ao gameplay. Um exemplo de criatividade bacana são as vozes dos personagens jogáveis. Todos eles parecem falar apenas uma frase, que rola quando você os escolhe na tela de seleção. A ideia bacana vem depois. A história é totalmente contada por textos em balõezinhos, algo bem comum em jogos independentes. Mas quando o texto aparece, ele não faz barulhinhos genéricos ou de máquina de escrever. É como se os mesmos atores que fazem os personagens tivessem ido ao estúdio e gravado algo tipo “pi-pi-pi”. É bobo, mas eu ri.
Porém, no gameplay ele é bem padrão do gênero. Golpes normais enchem sua barra de super. Dá para agarrar. Dá para combinar os botões para fazer combos e para correr. Assim, ele se torna um jogo de porradinha moderno relativamente comum, sem o carisma dos antigos, mas sem o gameplay mais elaborado e criativo de seus contemporâneos. Até mesmo os personagens jogáveis trazem aquela combinação padrão do forte e lento e o fraco e rápido. Se você é escolado em dar soquinhos em videogames, já deve ter visto tudo que este oferece.
BELEZA
Daí sobra o visual, e este é realmente especial. Todos os personagens presentes no jogo são lindos, carismáticos e bem animados. Gostei particularmente do fato de que cada golpe do seu combo movimenta o desafeto de um jeito diferente. Isso é um nível de capricho que a maioria dos beat’em ups simplesmente não tem. A jogabilidade combina também outras coisas legais, mas que a gente já viu antes. Dessas, a mais especial é a possibilidade de montar em criaturas, cada uma com um tipo de jogabilidade bem especifica e bem poderosa. Estilo Golden Axe mesmo. Cada uma dessas criaturas funciona como um power up, um trecho em que você faz miséria com os desafetos até o jogo te tirar de cima dela. Mas é bacana, divertido e ajuda a variar um gênero que os chatonildos cabeças de mamão vivem reclamando que é repetitivo.
Posso dizer o mesmo dos chefes, que vêm em grande quantidade e variedade visual e de gameplay. Achei particularmente legal as duas fases do chefe final. A primeira é o que você espera, e ele faz um bagulho que o transforma num monstrão. Mas a segunda, que eu não vou estragar aqui, você definitivamente não espera. E vai rir.
Talvez numa época de maior carência de beat’em ups, Underlings Uprising se destacasse por algo além de seu visual. Hoje, no entanto, a diversão que ele oferece vem diretamente do capricho nos gráficos, design e uso de cores. É como se o jogo tivesse sido criado por um estúdio de animação cinematográfica, sem muita experiência em videogames. Daí o resultado é um game bonito, mas óbvio.




































