Will Follow The Light é um walking simulator que me deixou bem interessado antes do lançamento. Sabe qual é o problema? Ele não é um walking simulator. É um jogo de quebra-cabeças. É narrativo, sim, mas para prosseguir na narrativa, você precisa resolver muita coisa. E, embora os puzzles sejam frequentes e trabalhosos, absolutamente nenhum deles é criativo.
REVIEW WILL FOLLOW THE LIGHT
A história de Will Follow The Light é básica, mas interessante. Você é Will, um sujeito responsável por cuidar do farol de sua cidade. Após uma tempestade fortíssima, no entanto, a cidade fica em ruínas. Nosso herói então fica desesperado para encontrar seu filhote, que não está na casa e nem no acampamento de sobreviventes. Isso vai colocá-lo em uma aventura cheia de exploração e quebra-cabeças.
Will Follow The Light me decepcionou tanto na qualidade dos puzzles quanto no contexto por trás deles. Por exemplo, ele resolve pegar seu barco para ir buscar o garoto, e descobre que o pai dele pagou pelo conserto. Porém, ao tentar ir lá buscar a máquina, você precisa fazer o conserto por conta própria. Isso inclui um dos piores quebra-cabeças que já vi antes. Trata-se de um desafio em que você precisa montar uma parte do barco na ordem certa e sem absolutamente nenhuma dica. Isso é ruim como gameplay, mas também nas mecânicas de console.
Este, como tantos outros momentos do jogo, claramente foi pensado para ser jogado com mouse. Mas selecionar as peças pequenas com um controle é simplesmente menos funcional do que deveria. Você tenta solucionar uma apontando a alavanca na sua direção, e daí descobre que outra foi selecionada na mesma direção. Ou pior, em uma direção que nem faz sentido.
ENGANANDO A CABEÇA
Em outro momento tecnicamente fraco, o jogo pede para eu pegar uma bússola. Detalhe, eu já tinha uma bússola. E já tinha inclusive feito o que precisava fazer, mas ele não me deixava continuar. Apesar do objetivo mal escrito, o que eu precisava fazer era o que já tinha feito, mas enquanto ficava parado num local específico da ilha. Ou seja, mesmo eu tendo a resposta da coordenada para onde deveria viajar, o jogo não reconhecia isso – e não me deixava colocá-la no mapa, até eu ficar de pé naquele lugar e olhar a bússola. Terrível. E o objetivo dizendo para eu achar uma bússola não ajudava em nada.
Os momentos que menos dão raiva em Will Follow The Light acabam sendo aqueles que todo mundo já viu muitas vezes e que existem de monte em videogames há muitas gerações. Ou seja, empurrar caixas. E sim, você precisa fazer isso com uma frequência absurda e irritante. Mas pelos menos funcionam.
MECÂNICAS X CAMINHADA
O melhor em Will Follow The Light é justamente quando ele se permite ser um walking simulator. Quando você está simplesmente andando e curtindo o visual e a atmosfera. Mas são poucos e pontuais. Sim, eu entendo a vontade de uma desenvolvedora de colocar mecânicas no seu jogo e sair da injustiçada alcunha de walking simulator. Mas se você não tem criatividade, vontade ou paciência de fazer bons quebra-cabeças, que o jogador sinta vontade de solucionar, é melhor se manter na caminhada.






































