Olha só, um dos jogos de VR mais bacanas que eu já joguei agora pode ser usufruído sem ficar com um breguete enorme e pesado preso na cabeça. Não tentei esconder aqui o quanto ando cansado do VR como tecnologia. Ainda assim, se você tirar tudo que é legal do VR, será que um jogo pensado especificamente para ele ainda tem o suficiente a oferecer? Vamos descobrir neste review Moss The Forgotten Relic.

REVIEW MOSS THE FORGOTTEN RELIC

Esta é a terceira vez que Moss é relançado para Playstation. Originalmente suas duas partes sairam para PS4 e o PS VR1. Depois, os dois foram relançados para o PS5 e o PS VR2. E mesmo que você já tivesse investido seu dinheiro neles uma vez, precisaria comprar ambos de novo. Agora, eles saem em um pacote conjunto em versão panqueca. Mas novamente, se você já tinha o jogo em PS4, PS5, ambos ou até no Windows, precisaria comprar novamente.

Você pode – e eu diria que deve – acusar a Polyarc de ser mercenária. Isso não é legal, e é só ver como outros jogos, como o próprio Resident Evil, têm suas versões em VR fornecidas gratuitamente para quem comprar o jogo uma vez. Mas fazendo o papel de advogado do diabo, eu entendo. É difícil vender jogos e, ao contrário de uma Capcom, que fabrica dinheiro o tempo todo, acho que o mesmo não acontece com a Polyarc. Ou seja, é chato. Mas entendo. O que não deixa de ser chato. E pelo menos quem pretende jogar no Switch ou no Xbox não precisará recomprar, já que as versões anteriores não estavam disponíveis. Então eles também não têm acesso ao VR.

MOSS EM PANQUECA

Para quem não leu ou jogou nos lançamentos anteriores, Moss é um par de puzzles plataformas 3D muito bonitos e fofinhos. Os personagens são ao mesmo tempo realistas e cartunescos, e as animações são absurdamente boas e marcantes. Eu nunca me esqueci do sapo mandando você ir embora, com um movimento de desprezo que você normalmente só vê da sua ex-esposa quando ela te expulsa de casa. Outro destaque é que todas as vozes são feitas pela mesma pessoa, e a atriz é tão boa que consegue diferenciar todos os personagens muito bem. As músicas também são muito legais, com um jeitão lúdico que passa ao mesmo tempo uma atmosfera cartunesca e de alta fantasia.

E agora vem o lado ruim. Moss perde muito do seu impacto quando você tira o 3D da jogada. As câmeras são fixas, o que normalmente acho bacana, mas você não pode se mover para ver atrás de um bloqueio. É quase como o baixo de uma banda de rock. Você não sente falta até não estar mais lá. Por fim, tem um enormíssimo problema em transportar algo de VR para 2D.

O ENORMÍSSIMO PROBLEMA

Alguns jogos, como Moss, são simplesmente lindos em VR. Tudo grandão, em 3D, grudado na sua cara, faz com que você não perceba (ou melhor, tolere) detalhes que não passariam despercebidos em jogos panqueca. Texturas em baixa resolução, poucos detalhes. Tudo isso faz com que Moss não fique feio, mas pareça um jogo bem mais antigo do que é. E esta é uma sensação que a gente não sentia com o headset na cara. Sem a tela roçando nos cílios, Moss fica visualmente datado.

Tem motivo para os jogos de VR têm poucos detalhes. Normalmente eles precisam de performances absurdas para não causar enjoo. Não sei a quanto roda Moss em VR, mas me parece um absurdo que sua versão panqueca rode a apenas 60 FPS no PS5. Considerando seu visual de PS3, ele praticamente grita por um framerate destravado. No mínimo.

MOSS THE FORGOTTEN RELIC: BOOK I E BOOK II

Sim, tirando estes aspectos da apresentação, Moss continua sendo aqueles dois jogos divertidos e altamente fofos. Porém, você pode dizer que a força de Moss estava justamente na sua apresentação. Este não é um jogo feito em 2D e depois convertido para 3D. É um pensado especificamente para VR. E, desta forma, sofre bastante quando você o tira de seu habitat natural.

REVER GERAL
Nota:'
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Carlos Eduardo Corrales
Editor-chefe. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. É o autor dos livros infantis "Pimpa e o Homem do Sono" e "O Shorts Que Queria Ser Chapéu", ambos disponíveis nas livrarias. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).
review-moss-the-forgotten-relic-analiseDisponível: PS5, Windows, Switch, Switch 2, Xbox Series<br> Desenvolvedora: Polyarc<br> Editora: Polyarc<br> Lançamento: 16 de julho de 2026<br> Gênero: Puzzle plataforma