Durante boa parte da divulgação pré-lançamento de Splatoon Raiders, ele passou por baixo do meu radar. Embora eu realmente goste das campanhas dos anteriores, especialmente de Splatoon 2, tinha a sensação de que este seria um spin-off mais estilo live-service. Porém, pouco antes do lançamento, li alguns previews que diziam o contrário: Splatoon Raiders era um spin-off da série mais focado no single player. Opa, aí falou comigo. Bora ver qual é que é.
REVIEW SPLATOON RAIDERS
Splatoon Raiders de fato é mais focado na campanha do que em PVP. E a campanha, por sua vez, é menos plataforma, e mais TPS. Quase completamente, na verdade. Uma fase normal envolve avançar por algumas ilhas matando inimigos e coletando tesouros. O problema é que estas fases propriamente ditas respondem aproximadamente por 15% do jogo (segundo dados oficiais da DataDelfos).
A verdade é que as atividades são de alguns tipos diferentes. Tem aquelas como as supracitadas, que são as mais legais. E tem outras que envolvem ficar andando em círculos e matando geral até ter o suficiente para quebrar o grande cristal no início da fase. Estas são legaizinhas. Outras são pequenos desafios lineares focando em uma habilidade específica, quase tutoriais. E daí tem a imensa maioria. Estas são arenas – algumas vezes uma sequência de três arenas – em que você tem um limite de tempo para coletar ovos (que os inimigos vencidos soltam). Colete a quantidade pré-estabelecida e você pode avançar. Para outra fase, ou então para outro andar, em que você pode repetir a atividade.
Estas fases não são apenas a maior parte do jogo, mas algumas delas precisam ser jogadas três vezes, com os três tanques de especiais diferentes. Fica muito chato muito rápido. E tem alguns poucos chefes, que poderiam até ser legais, mas que duram muito, muito tempo. Então se Splatoon 2 se destaca pelo level design sensacional, Splatoon Raiders tem um level design quase inexistente. Cenários repetitivos e pouco importantes e batalhas contra arenas que parecem só existir para PVE.
PVE
Pois eu diria que é por aí. Splatoon Raiders não é um jogo single-player propriamente dito. Ele é uma variação de Splatoon sim, mas trocando o tradicional PVP pelo PVE. O jogo se orgulha também de ser praticamente infinito, com upgrades de materiais e armas codificados por cores (como sempre, roxos e dourados são os melhores, embora lá pras tantas você descubra uma categoria superior), e fases com exigências de nível cada vez maiores. Então há uma campanha, com um final claramente estabelecido, mas o jogo espera que você continue jogando e subindo de nível, se pá para sempre.
Curiosamente, apesar de todas as semelhanças com Destiny, Splatoon Raiders tem um quê de Nintendo. Em outras palavras, apesar de ser um jogo pensado para ser jogado para sempre, ele não foi planejado para monetização recorrente. Você paga uma vez e pronto. Pelo menos até o momento, claro. Esta é a parte boa. Mas a parte ruim também tem cheirinho de Nintendo.
ON-LINE SEM SENTIDO
Splatoon Raiders é um jogo pensado para ser jogado on-line. E todos sabemos que a Nintendo realmente tem problemas com isso. Mesmo que você pague a eles pelo privilégio de jogar com outros. Basicamente, o jogo só deixa você pedir ajuda para outros jogadores uma vez a cada 30 minutos da vida real. Não faz sentido. Tem um outro modo, que supostamente seria o matchmaking tradicional, mas ele só te deixa ver outros jogos que usam a mesma senha que você.
Eu tentei colocar uma senha genérica, Splatoon no caso, e até achei uma sala, mas só a achei uma vez. Tentei esperar no meu jogo para ver se alguém entrava com esta senha e não deu certo. Então a única forma que consegui jogar on-line foi chamando ajuda, a cada 30 minutos, ou oferecendo ajuda.
O outro lado ruim é que a conexão do jogo é péssima. É realmente comum você se desconectar dos outros jogadores antes de terminar a fase, o que te deixa sozinho nela. Dá para sair e pedir ajuda imediatamente se isso acontece, mas é frustrante quando você já venceu duas das três arenas.
TIRINHO DE TINTA
Estas são as diferenças entre Splatoon Raiders e Splatoon. Felizmente, há também semelhanças. Em especial, o tiroteio da série, discutivelmente seu ponto mais saboroso, continua uma delícia. É muito gostoso encher os inimigos de tiros e vê-los explodindo em ovos. Daí você mergulha na tinta para recuperar munição, vida e se movimentar mais rápido e emerge usando um gadget capaz de fazer muito dano de uma vez ou te fazer voar por alguns segundos.
A principal novidade do gameplay é um robô que vai com você em todas as fases, que pode ser usado a qualquer momento para um super pulo. Também tem um monte de coisas para equipar, como gadgets, tanques e especiais. O especial é escolhido pelo menu, com a desculpa de ser um companheiro que vai com você dentro do robô. Este funciona como um super-ataque único perfeito para chefes ou algo mais generalista, que ataca todo mundo.
Em outras palavras, eu gostei muito do gameplay de Splatoon Raiders, mas ele peca na ausência de um level design que faça este gameplay brilhar.






































