Que Odin abençoe os walking simulators! Dito isso, entenderia totalmente se você achasse que Aphelion tem gameplay demais para ser um walking simulator. Ele está entre um Fort Solis e um Resident Evil, mas sem tantos quebra-cabeças ou vai e voltas. Na verdade, é um jogo quase totalmente linear e focado na história. Mas é creepy, bonito e tem um visual realista que tornaria fácil confundi-lo com um AAA. Felizmente, ele não tem o inchaço e a gordura que costumam acompanhar os jogos de alto orçamento. Seria legal que tivesse algum combate, mas prefiro um game como este a qualquer jogo recente da Ubisoft.

REVIEW APHELION

Aphelion é, antes de tudo, uma história. Uma atmosfera. Exatamente como eu gosto. E, para se dar bem nisso, nem precisa de uma temática única. Aqui você conhece uma dupla de astronautas que vão a um planeta para verificar se é habitável para a humanidade. Eles acreditam serem os primeiros humanos a pisar lá. Porém, a nave cai, eles se separam e um deles fica gravemente machucado. Agora você vai explorar o planeta, descobrir muitas coisas, correr perigo natural e menos natural e tudo que você espera de uma aventura como essa. Eventualmente, você descobre que outros seres humanos estiveram no planeta. Como? Fazendo o quê? E como sua equipe não sabia disso?

Como você pode perceber, é uma história relativamente comum em videogames. Mas é uma ambientação que funciona bem. Particularmente, eu gosto muito da sensação de ser o primeiro ser humano vendo algo, estudando algo, e explorando uma região anteriormente inexplorada. O gameplay de Aphelion é bom, mas é simples. Tem muita escalada estilo Uncharted. Muita coisa para ver, explorar. Você tem um gancho que pode usar para abrir caminho ou simplesmente para se balançar nas escalações. Dependendo de com qual dos personagens jogáveis esteja, também há diferenças mecânicas. O cara, por exemplo, não é capaz de pular por estar machucado. E seu tanque de oxigênio quebrou, o que exige que você prenda uma corda com oxigênio nas costas sempre que possível.

Aphelion não é um jogo babaca. Dá para escolher não morrer por falta de oxigênio (basicamente desligando o limite de tempo). De qualquer forma, a tela fica embaçada quando o ar acaba, o que é chato. Mas é melhor do que morrer e começar de novo. Afinal, Aphelion é um jogo exploratório, não de combate.

LÁ VEM O NEMESIS

A exceção é o Nemesis. Este personagem com o mesmo nome de um Resident Evil funciona como o próprio antagonista mais famoso. É um monstro invencível, capaz de te matar. Ele aparece em momentos pontuais da campanha, não te caça o tempo inteiro. Ele é cego, mas ouve muito bem, então a ideia é você tentar sair das salas habitadas por ele sem fazer barulho. É tranquilo, Aphelion não é um jogo de terror, apesar de contar uma história bem séria. Mas o Nemesis também não substitui um combate mais elaborado. Não que a história de Aphelion comporte isso. Na verdade, acredito que ela até funcionaria melhor sem uma criatura assassina, mas talvez esta seja uma concessão que a Don’t Nod fez ao mainstream.

Aphelion é um jogo que me agradou muito enquanto durou. É o tipo de aventura que dá gosto de usufruir num console next-gen, com excelentes gráficos realistas e uma atmosfera extremamente bem criada. E, para agradar especificamente a mim, não é uma aventura que dura para sempre, não tem crafting, não tem mundo aberto e nem repetição. É um jogo que dura o que dura e, quando terminar, você vai fazer outra coisa. Ou seja, o melhor tipo de videogame.

REVER GERAL
Nota:
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Carlos Eduardo Corrales
Editor-chefe. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. É o autor dos livros infantis "Pimpa e o Homem do Sono" e "O Shorts Que Queria Ser Chapéu", ambos disponíveis nas livrarias. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).
review-aphelion-analiseDisponível: PS5, Windows, Xbox Series<br> Analisada: Xbox Series X<br> Desenvolvedora: Don't Nod<br> Editora: Don't Nod<br> Lançamento: 28 de abril de 2026<br> Gênero: Walking simulator, stealth<br>