Meu caro amigo delfonauta. Meu parceiro de todos os dramas, dores e vicissitudes da vida. Você já teve dor no pâncreas? É uma dor muito específica, que acontece quando a gente passa boa parte do dia jogando uma enorme porcaria. E é assim que estou me sentindo hoje, após fazer a curta, porém dolorosa, campanha de The Shore Enhanced Edition. Quão curta, você pergunta? Tem vídeos dele inteiro que duram menos de 90 minutos, mas se você jogar sem guias deve durar umas três horas. Mas acredite, a duração concisa não é seu problema. Pelo contrário, talvez seja a única coisa positiva que posso falar dele.
REVIEW THE SHORE ENHANCED EDITION
The Shore Enhanced Edition é a versão para consoles de The Shore, lançada em 2021 exclusivamente para Windows. O que ela tem de aumentada? Olha, talvez tenha alguma coisa, mas considerando quão feio é o jogo, quão mal roda e como erra no básico do básico, é difícil pensar que a versão de Windows é ainda pior do que esta. Consegue acreditar que tem um troféu que não funciona? Pois é, o troféu dos colecionáveis não destrava mesmo se você pegar tudo que ele exige. E eu peguei. Quer mais? Olha a tela de controles da versão de PS5.

Mesmo nesta versão final, ele tem inclusive coisas que até achei legal, mas nunca tinha visto num jogo de console antes. Refiro-me à possibilidade de mostrar a taxa de quadros no cantinho da tela. Infelizmente, o jogo é tão mal otimizado que seria melhor que não mostrasse. Ele mira nos 60 FPS, mas cai com frequência e por muito tempo. Acaba dando vergonha alheia, sabe?
THE SHORE, O JOGO
Mas falemos do jogo. The Shore começa como um point and click em primeira pessoa. Ele te coloca numa ilha relativamente larga, com vários caminhos e coisas para ver e pegar. Não há tempo, nem inimigos, nem nada te apressando. Você pode explorar e solucionar os quebra-cabeças no seu tempo e na ordem que desejar, com exceção das áreas da ilha que precisam de uma chave. Os quebra-cabeças são daquele estilo “encontre um item aqui e use acolá”. Eu me perdi em pouquíssimo tempo, e resolvi apelar para guias.
Curiosamente, a segunda metade do jogo tem uma mudança de gênero considerável. Do nada, ele vira uma tentativa de survival horror de baixo orçamento. Você ganha um raio que serve para matar inimigos e, claro, aparecem inimigos. Obviamente, tem alguns que ficam te perseguindo e não podem ser mortos. Pelo menos não tem limite de munição, pois isso tornaria o jogo ainda mais frustrante do que já é. Esta parte “de ação” é intercalada com alguns quebra-cabeças auto-contidos, mas depois que você sai da ilha pela primeira vez, tudo acontece de forma bastante linear.
Também acabou minha paciência com histórias lovecraftianas, especialmente com Cthulhu. Teve uma época que gostava disso, mas os videogames beberam tanto dessa fonte que simplesmente não há mais saco para tal. E sim, digo o mesmo para os jogos chineses que não cansam de adaptar a Jornada ao Oeste. Então o que temos aqui é um jogo narrativo com uma história ruim. Que não funciona direito. Que é mal otimizado. E cujos troféus são quebrados. Sabe, parece que é melhor evitar, não acha?





































