Todo Mundo em Pânico, o de 2026, na verdade é Todo Mundo em Pânico 6. Como todo mundo sabe, chega um ponto em que muitas continuações se tornam motivo de zoeira e daí até mesmo o mais zoado dos filmes evita usar números acima de cinco nos títulos. Mas repetir um nome previamente usado nunca me pareceu uma boa. Enfim, cá estamos com este lançamento que é a primeira continuação na série desde o quinto filme lançado em 2013.

CRÍTICA TODO MUNDO EM PÂNICO

Se você é um delfonauta de longa data (salve, delfonautas de longa data), deve se lembrar do quanto eu odiava esta série e todas as paródias que eles iniciaram nos anos 2000. Sempre achei um humor grosseiro, que deturpava a inocência e a parte política do humor nonsense que tanto amo. Bom, eu envelheci e a turma responsável pela marca também. Será que eles deixariam a grosseria de lado? A resposta é: um pouco.

Ainda tem algumas piadas aqui com mulheres que gozam muito ou coisas grosseiras assim. Mas também tem um monte de piadas realmente políticas. Verdade, o filme atira para todos os lados e assim não parece ter algo a dizer. Mas mesmo assim, são as melhores piadas do filme. Tanto as que atacam a direita (A Verdadeira História Negra por Kanye West) até a esquerda (pronomes neutros). O problema é que atacar todo mundo, para mim, não passa a noção de imparcialidade que eles esperam, mas a simples covardia de dizer o que realmente pensam. É o contrário de um humor político como South Park, em que eles atacam uma pá de gente, mas se você já assistiu a episódios suficientes tem uma boa noção das ideias políticas dos criadores.

UMA REBOOT-QUEL

Claramente, a intenção com Todo Mundo em Pânico (2026) é fazer o que eles chamam de reboot-quel (o que Pânico 5 chama de requels. Ou seja, uma tentativa de reiniciar uma marca com novos protagonistas, mas mantendo no elenco caras conhecidas dos filmes anteriores. Essa é a ideia, mas a verdade é que o longa não se preocupa muito com continuidade ou mesmo, hilariamente, com esta proposta comercial. Ele ressuscita personagens que morreram antes sem explicação. Além disso, a história é tão tênue e tão secundária que você sequer registra quais personagens já morreram aqui. É tudo em nome da diversão, de fazer você rir. O que, convenhamos, é uma abordagem nobre.

E por um tempo, funciona. Eu gostei particularmente do início do filme, que me fez rir repetidas vezes com algumas piadas que simplesmente pareciam mais inteligentes do que as que eles eram capazes de criar anteriormente. Infelizmente, quanto mais filme rolava, pior ficava. Claramente, tentar contar piadas e uma história ao mesmo tempo é mais do que os roteiristas são capazes. Talvez uma abordagem Uma Família da Pesada, que tem simplesmente uma gag desconectada atrás da outra, funcionasse melhor. Mas eles tentam seguir a fórmula de um Corra Que A Polícia Vem Aí. Ou seja, uma metralhadora de piadas conectadas por uma história compreensível. E é aí que as coisas pioram.

Todo Mundo em Pânico, este reboot-quel de 2026 não é ruim. Ele tenta e se esforça muito, especialmente para esta marca. Mas não chega ao nível de genialidade – ou de graça – das suas inspirações dos anos 80.

REVER GERAL
Nota:
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Carlos Eduardo Corrales
Editor-chefe. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. É o autor dos livros infantis "Pimpa e o Homem do Sono" e "O Shorts Que Queria Ser Chapéu", ambos disponíveis nas livrarias. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).
critica-todo-mundo-em-panico-reviewTítulo original: Scary Movie<br> País: EUA<br> Ano: 2026<br> Distribuidora: Paramount<br> Duração: 1h35m<br> Direção: Michael Tiddes<br> Roteiro: Rick Alvarez, Phil Beauman, Jason Friedberg<br> Elenco: Anna Faris, Jon Abrahams, Regina Hall<br>