O Exterminador do Futuro: Gênesis

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Todo mundo gosta da franquia Exterminador do Futuro, mas a dura verdade é que ela nunca se deu bem sem seu criador, James Cameron, no comando. Se não vejamos: após os dois e até agora melhores filmes de Jaime Camarão, tivemos uma terceira parte meia-boca, uma série de TV que não pegou e uma tentativa de revitalizar a saga para o cinema levando-a numa nova direção e que não agradou a maioria dos fãs.

Pois é, num mundo perfeito, James Cameron se tocaria que o mundo não precisa de mais vinte Avatares e voltaria à direção da série. Mas como isso é praticamente uma utopia, coube a Alan Taylor (diretor de Thor: O Mundo Sombrio e de episódios de séries como Game of Thrones, Mad Men e Família Soprano) a tarefa de segurar a bronca e realizar esta nova tentativa de fazer a marca pegar no tranco novamente.

E não é que o filme é bem legal? Utilizando-se de uma das marcas registradas da série, as viagens no tempo e seus paradoxos, os roteiristas fizeram basicamente a mesma coisa que o reboot de Star Trek: mantiveram o que veio antes (neste caso, só os dois primeiros longas, aparentemente) e criaram uma realidade paralela onde novos caminhos podem ser tomados sem apagar o que todo mundo já conhece e adora.

Desta vez, na guerra contra a Skynet, quando John Connor (Jason Clarke) manda Kyle Reese (Jai Courtney) de volta a 1984 para proteger Sarah Connor (Emilia Clarke, a Daenerys de Game of Thrones e, apesar do mesmo sobrenome, sem parentesco com Jason Clarke), Kyle descobre que um T-800 já voltou muito antes, protegendo-a e treinando-a desde que ela era uma criança. Juntos, o trio parte então numa missão para evitar que a Skynet entre em operação e dê início ao julgamento final. É uma mistura da trama dos dois primeiros filmes com uma levada nova.

GET TO THE CHOPPA! OPA, FRANQUIA ERRADA…

Num primeiro momento, o mais impressionante é a reconstituição de algumas cenas do longa original. Aliás, é altamente recomendado que você assista novamente ao primeiro Terminator antes de pegar uma sessão deste só para apreciar melhor os detalhes destas reconstituições. Os efeitos especiais desta parte envolvendo um Arnold Schwarzenegger rejuvenescido são impressionantes.

E por falar no Arnoldão, ele está tão fanfarrão quanto na segunda película, visto que desta vez é Sarah Connor quem continua tentando ensiná-lo a se comportar como um humano para se misturar melhor. Há vários momentos que serão garantia de risadas e no geral não há do que reclamar no quesito humor.

De resto, todas as famosas falas de efeito estão presentes, bem como a tradicional música do tã-tã-tã-Tamtam e muitas cenas de ação bem caprichadas e orquestradas, embora eu não chegue a dizer que são marcantes. Por mais competente que Alan Taylor seja, ele não é James Cameron, e eu só posso imaginar a miséria que Camarão faria com as sequências de pancadaria e explosões deste filme. Sonhar não custa nada.

O novo modelo de exterminador (quem já assistiu aos trailers sabe quem é, mas essa é uma informação que eu não gostaria de ter tido antes de ver o filme, por isso vou poupar aqueles que não sabem) é razoável, mas no fim das contas é só uma versão mais poderosa e com capacidades semelhantes ao já consagrado T-1000.

Aliás, é impressionante o quantas informações importantes os trailers deste filme entregaram. Não sobra quase nenhuma surpresa na projeção que eles já não tenham entregado nas peças promocionais. Portanto, digo de novo, se você não assistiu aos trailers, contenha a curiosidade e não veja, assim é capaz de você apreciar muito mais a película.

No geral, Gênesis é bem divertido durante toda sua duração e sua proposta de criar uma nova linha temporal funciona bem. Obviamente, nem chega perto dos dois primeiros, mas está muitos degraus acima do terceiro e do quarto. E é bom o suficiente para finalmente restabelecer a franquia a partir dele, sem precisar mudar tudo de novo. Fãs da série, desde que não esperem algo da qualidade dos dois primeiros, ficarão satisfeitos, bem como o apreciador casual de um bom Testosterona Total. Assim, pode comprar seu ingresso sem medo e eu aproveito para me despedir com um hasta la vista, baby!

CURIOSIDADE:

– Logo nos primeiros minutos de projeção, a energia do shopping onde rolou a cabine caiu, mas felizmente voltou depois de alguns minutos. Contudo, isso foi o bastante para fazer vários jornalistas presentes dizerem que foi tudo obra da Skynet. Nós, críticos de cinema, somos mesmo uns gozadores natos.

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