Trago Seu Amor é uma comédia romântica que segue todas as convenções do gênero. Da cena musical à viagem interrompida quando tudo parece perdido, fazia realmente muito tempo que eu não via algo tão óbvio. Ainda assim eu gostei. Mas como, você pergunta? Continue lendo, meu camaradinha gentil.
CRÍTICA TRAGO SEU AMOR
O bacana em Trago Seu Amor é sua premissa. Ao contrário de todos os outros filmes que contam essa mesma história, aqui tudo tem um ar místico e sobrenatural. Isso porque Mia, a protagonista du jour, é uma bruxa especializada em trazer seu amor de volta. Funciona assim: você paga ela, e então ela tem 72 horas para conseguir beijar a pessoa pela qual você é apaixonada. Mas cuma? Pois é, é aí que entra o feitiço. Acontece que quem beija a Mia, idealmente, volta a se apaixonar pelo amor anterior. O problema é o rebote. Ou seja, em metade dos casos, a pessoa não se apaixona por quem contratou a bruxa, mas pela própria. Aí danou-se.
Não é interessante? Agora a questão é entender, imaginar e finalmente ver como Trago Seu Amor encaixa todos os clichês do gênero mais clichezudo da história na sua própria história.
BEIJANDO GERAL
Mia é contratada por Yuri, que quer trazer de volta a René, sua ex-namorada que está com uma viagem marcada para Londres. A Mia vai então começar a xavecar a dita-cuja na esperança de que ela fique no Brasil e volte com seu contratante. Tudo se complica, claro, quando a própria Mia se apaixona por René. E daí confusões acontecem, rumo ao final super feliz.
Na verdade, fiquei um tanto decepcionado com o final super feliz. Isso porque, ao contrário dos rivais em outras comédias românticas, o Yuri não é um babaca. Pelo contrário, ele é apenas um apaixonado. E toda a construção do filme parece levar para um final super hiper mega feliz, em que o Yuri termina com o amigo da bruxa, Ariel; enquanto a Mia fica com a René. Mas isso não acontece. A roteirista até se preocupou em resolver o caso dos apaixonados pela bruxa, mas curiosamente deixou o Yuri a ver navios. Tadinho dele.
NINGUÉM É DE NINGUÉM
Outra coisa que me incomodou é a sexualidade extremamente fluida de absolutamente todos os personagens. Claro, eu sei, e apoio, que existam bissexuais, pansexuais, etc. E essas histórias devem ser contadas. Mas tentar fingir que todo mundo faz parte desse grupo me parece estranho. Eu sei que existem homens que só ficam com mulheres, enquanto outros só ficam com homens. E vice-versa. A Mia ser contratada por pessoas de qualquer gênero e conseguir beijar absolutamente todo mundo, não interessa a orientação sexual da pessoa, me soa inocente e mal pensado. O filme ganharia muito mostrando que ela até tenta, mas algumas vezes simplesmente não dá certo beijar alguém. E, claro, existem muitos motivos que nos levam a querer beijar alguém, e podemos não sentir vontade mesmo que o outro seja do gênero que supostamente nos atrai.
Então Trago Seu Amor é um filme legal, com uma ideia legal. Mas ficaria ainda mais legal se desenvolvesse melhor sua premissa, e confiasse menos nos clichês que fazem comédias românticas serem um dos piores gêneros do cinema.





































