A fórmula é muito simples: se uma coisa dá dinheiro, você continua fazendo mais dela. A qualidade? Isso não necessariamente importa. Afinal, se está dando dinheiro, quer dizer que a galera está gostando. E se a coisa vai realmente por esse caminho, só posso chorar pela humanidade.

Afinal, o que explica a franquia Transformers chegar ao seu quinto capítulo? Tirando o fator “novidade e curiosidade” do primeiro, todos os outros foram simplesmente pavorosos de tão ruins. E no entanto eles continuam sendo feitos. E dão bilheteria. E assim, o ciclo vicioso não se encerra. E quem se dana sou eu, que preferia estar em qualquer outro lugar, menos vendo O Último Cavaleiro.

A essa altura Michael Bay parece ter carta branca para fazer o que bem entender. E isso é péssimo. Sabemos que Miguel Baía é um cineasta medíocre que muito de vez em quando consegue fazer algo bacana (Os Bad Boys, A Rocha). Mas com todo o dinheiro do mundo à disposição e aparentemente nenhuma supervisão adulta, a coisa degringola de vez.

O primeiro encontro com um Transformer.

Ele parece uma criança hiperativa e com déficit de atenção com uma caixa de brinquedos enorme numa mão e uma igualmente gigantesca caixa de bombinhas na outra. Como diria Joey Tribbiani: “put your hands together” (junte as mãos, em bom português), e você tem a fórmula de toda a franquia dos robôs transformistas.

Nesta nova iteração, mais uma vez surge uma grande ameaça que pode destruir todo o planeta Terra. Cade Yeager (Mark Wahlberg), uma versão genérica e inglesa da Megan Fox e Anthony Hopkins (entrando perigosamente no “modo Nicolas Cage” de escolha de projetos) são os caras que podem virar o jogo com a ajuda dos Autobots.

Ah sim, este longa abre também um novo capítulo na mitologia da série, revelando que os Autobots possuem ligação com Rei Arthur, Merlin e os Cavaleiros da Távola Redonda. E qual a influência dessa revelação? Absolutamente nenhuma! Aliás, este roteiro é exemplar.

Marky Mark dá uns tirinhos.

Deveria ser usado em todos os cursos de narrativa cinematográfica como exemplo do que não fazer. Revelações sem qualquer importância, excesso de personagens, tramas secundárias e terciárias completamente inúteis, protagonistas que entram muito tarde na trama, excesso de gimmicks (um dos robôs tem um arma que paralisa o tempo, mas convenientemente ele se esquece de usá-la em momentos que não são oportunos para o andamento da história), furos gigantescos. Aqui tem de tudo, num festival de idiotice quase infindável.

EU GOSTARIA DE ME TRANSFORMAR EM FUMAÇA E SUMIR DO CINEMA

Bom, mas se a história (ou falta de) é ruim, ao menos tem umas explosões bacanas, né? Nem. Acontece que Michael Bay atingiu um novo patamar. O cara explodiu tanta coisa que conseguiu chegar a um estágio de entorpecimento completo dos sentidos.

O novo longa é um festival de som e fúria para deixar qualquer um surdo ao final da sessão e com vários neurônios a menos, assassinados sem dó por um festival pirocinético de estupidez que ataca violentamente visão e audição sem espaço para respiro.

Sutileza? Narrativa coerente? Uma metragem decente? Michael Bay não conhece nada disso e mais uma vez massacra o espectador com um filme longo, inchado, flácido, cheio de gordura. Excessivo. Quer saber o que é pior? Com desgracentos 149 minutos de duração, ele é o segundo mais curto da franquia, perdendo apenas para o primeiro Transformers, possuidor de “módicos” 144 minutos!

Bom, quem já viu algum exemplar anterior sabe o que esperar. Aquela fotografia publicitária cheia de tomadas em contraluz, toneladas de um CGI falso pra caceta, e uma trilha sonora intrusiva, que tenta tornar cada momento épico, mesmo que a cena só esteja mostrando o Marky Mark tomando um refri!

É treta!

Aliás, talvez o único momento mais engraçadinho de toda a película é justamente quando um robô zoa essa trilha sonora excessivamente dramática. E ao mesmo tempo mostra que se seguisse por um caminho de auto-paródia, poderia ser algo muito mais interessante que este assalto ao bom senso que a série sempre foi. Afinal, estamos falando de robôs alienígenas que se transformam em veículos terráqueos, godammit!

Bom, o longa já saiu nos EUA, mais uma vez angariando uma boa bilheteria, o que deve garantir um sexto filme. E a cada novo lançamento, Michael Bay diz que este será seu último no comando. Mas a coisa chegou a um ponto em que mesmo que ele finalmente cumpra essa promessa, já não importa mais.

O estrago já está feito e provavelmente ele será substituído por algum pupilo de sua escola pirotécnica de sensibilidade zero. E as massas amortecidas e conformadas farão filas às portas do cinema, como tem acontecido desde 2007. E novamente não consigo evitar derramar uma lágrima pelos rumos da raça humana.

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