Transformers: A Era da Extinção

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A franquia Transformers é um completo mistério para mim. Não conheço uma alma que considere seus filmes bons e, no entanto, todos são estrondosos sucessos de bilheteria. Sendo assim, só posso concluir que ou tem gente mentindo nessa história, ou o pessoal adotou a série como seu guilty pleasure secreto.

O primeiro longa foi legalzinho, mas bem abaixo de seu potencial. E a partir daí só decaiu. Assisti ao terceiro filme na TV aberta dia desses e não acreditei na ruindade da coisa. O treco era tão tosco que por um momento cheguei a acreditar que na realidade Michael Bay estava fazendo uma sardônica crítica à sociedade do espetáculo disfarçada de blockbuster acéfalo. Mas claro, isso não era verdade, era apenas Michael Bay sendo Michael Bay e tentando quebrar o recorde mundial de maior número de explosões sem sentido por fotograma.

Seja como for, eis aí A Era da Extinção, quarto filme da série, estreando em nossos cinemas. A nova produção dá uma arejada na saga começando um novo arco narrativo (sem desconsiderar os eventos dos filmes passados) e trocando todo seu elenco humano. Como protagonista de carne e osso, sai o Shia LeBife e entra o Marky Mark.

De resto, bem, é aquela coisa de sempre. Robôs gigantes se pegando na porrada, cidades explodindo, o núcleo humano correndo pra lá e pra cá e efeitos visuais de cair o queixo. Ah, e neste também temos a estreia dos Dinobots. Basicamente é a nisso que se resume o filme.

E caramba, como esse treco é chato e como a qualidade vai caindo exponencialmente na medida em que o tempo passa. Quando começa é até legalzinho, apresentando os novos personagens e a nova ameaça. Aí vem a primeira grande cena de ação e você fica embasbacado pela qualidade dos efeitos. Depois vem a segunda, a terceira, a quarta…

EU QUERIA ME TRANSFORMAR EM FUMAÇA E SUMIR DO CINEMA

Lá pela vigésima eu já estava amaldiçoando o curso da minha vida, e não havia nem chegado à metade dos intermináveis (sem dizer completamente desnecessários) 165 minutos de projeção. Sério, se isso tivesse uns 90 minutos, poderia ter sido um filme de ação ok, mas na terra testosterônica de Michael Bay, a autoindulgência impera e cada novo filme é mais longo que o anterior. Alguém precisa avisá-lo que Transformers não é O Senhor dos Anéis.

Não há história, ninguém se importa com os personagens e todo mundo só assiste única e exclusivamente pelas cenas de ação. E isso você terá à beça, delfonauta. São tantas, e tão estilosas e explosivas que acabam jogando contra elas mesmas, entorpecendo os sentidos e transformando-se (com o perdão do trocadilho) em sequências genéricas, sem qualquer impacto depois da quarta vez que a robozada começa a se socar.

No meio disso, ainda é preciso aguentar algumas coisas chatas como a trilha sonora intrusiva (especialmente quando usa de canções) e outras constrangedoras de roteiro e também no visual dos robôs. Por exemplo, agora há um transformer com visual de soldado (com direito a charuto na boca), outro estilo samurai e até um que parece usar um sobretudo! Completamente ridículo, mas ao menos resolve aquele antigo problema da série onde era impossível identificar quem era quem.

Já o texto abusa das piadinhas sem graça, principalmente nas falas estilo vergonha alheia dos robôs, e ainda é bem inconsistente na construção das situações e personagens. Enrola demais com subtramas desnecessárias, personagens que pareciam fadados a pontas ganham uma importância absurda depois de muito tempo de projeção, e outros que parecem que vão ser importantes somem sem mais nem menos. E para completar, o personagem do Stanley Tucci é totalmente incongruente. De cientista industrial inescrupuloso, tipo um Lex Luthor, o cara é reduzido, a partir do momento em que chega à China, a mero alívio cômico imbecil. Consistência zero.

Ah, sim, faltou falar dos Dinobots. Sim, eles são enormes e bem legais visualmente. Pena que você vai esperar horas para eles aparecerem, visto que só dão as caras já no final. E para completar, não possuem a menor importância ou mesmo qualquer outro motivo para estar no filme. Mas ei, são robôs que se transformam em dinossauros, isso deve bastar para a molecada, certo? Ou ao menos esse deve ter sido o pensamento dos produtores.

No fim das contas, Transformers: A Era da Extinção será mais um megasucesso de bilheteria, o que garantirá um quinto filme. E assim a vida dos robôs transformistas no cinema continuará, tratando o espectador feito um desmiolado e garantindo a venda de brinquedos novos. É uma pena, pois tinha potencial para ser uma franquia igualmente bem-sucedida tendo mais esmero nos outros campos que não apenas os efeitos especiais e o som de rachar tímpanos. Mas, pelo visto, esse barco já zarpou há tempos. Ou vai ver foi explodido pelo Michael Bay.

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