Em shows do Manowar, a gente já espera uma certa dose de bizarrices. A banda deu uma boa limitada em sua postura machista agora que não pega mais bem. A regravação do álbum Kings of Metal não conta com a música Pleasure Slave e seus fatídicos gritos de “woman, be my slave” rodeados de risadas de estuprador, por exemplo. Algo ainda se mantém, como Eric Adams colocando a mão nos genitais toda vez que uma música usa a palavra hard. Faz parte do show, creio. Mas três coisas muito bizarras aconteceram na apresentação do Manowar em São Paulo, no Espaço Unimed, no dia 23 de setembro de 2023. Vamos fazer um intertítulo para cada uma das bizarrices.

MANOWAR EM SÃO PAULO: SEM TELÕES, POR FAVOR

A primeira coisa que você via ao entrar no Espaço Unimed era uma mensagem no telão dizendo que a “produção da artista (sic) pediu para desligar os telões”. Por quê? Será que vão usar as telas para alguma coisa mais legal? Ou será que foi simples babaquice? Durante e depois do show, a resposta ficou clara. Foi apenas babaquice.

Várias pessoas da plateia, como minha própria esposa, ficaram impossibilitados de ver o palco porque não eram altas o suficiente. Os fãs provavelmente falariam algo como “deixa de chorar e cresça”. Eu sou alto e consegui ver normalmente, mas isso não muda minha compaixão para as pessoas que também pagaram para estar lá e dependem das telas para poder enxergar o show.

WARRIORS OF THE WORLD UNITED FOI TOCADA POR UMA BANDA COVER

Manowar, Espaço Unimed, São Paulo, Delfos

Uma das músicas mais marcantes do Manowar é Warriors of the World United. Quando os roadies trouxeram uma segunda bateria ao palco, achei que seria para o solo. Até estranhei que colocaram uma bateria menor com este objetivo. Curiosamente, um outro baterista sentou lá. Foi aproximado por outro guitarrista, com Joey DeMaio ao lado, e iniciaram a canção.

Então um outro vocalista subiu ao palco e começou a cantar. Antes disso, Eric Adams falou que sairia do palco para tomar uma cerveja, mas todo mundo deduziu que seria por causa do solo. Não era.

Não vou criticar a performance dos músicos convidados, até porque eles tocaram a faixa muito bem. Porém, não muda o fato de que Warriors of the World United foi tocada por uma banda cover com participação de Joey DeMaio, e não pelo Manowar com alguns músicos convidados.

Seria legal se o Manowar estivesse no palco e chamasse músicos extras, mas o que aconteceu foi uma substituição. A música ainda foi tocada por quatro pessoas, mas não pelas quatro que pagamos para ver. E ver uma banda cover de Manowar é algo que em São Paulo temos oportunidade literalmente todo final de semana.

Naquela parte mais lenta, Eric Adams voltou, e o guitarrista do Manowar também subiu ao palco para terminar a música. Mas a bateria ficou só a cargo do convidado mesmo. E a maior parte da música – certamente a melhor parte – já tinha passado.

11o MANDAMENTO: TODOS DEVEM HONRAR O MANOEL

Quem diabos é Manoel? Não sei e não pesquisei, pois queria que este texto representasse a sensação de WTF que ficou na mente de quase todos que estavam no show. O Manoel foi apresentado por Joey como a “pessoa que nos uniu aqui hoje”, então deduzo que ele é o promotor do show ou algo parecido. E pelo jeito 23 de setembro é o aniversário dele.

A banda o convidou ao palco para um brinde, e tudo bem. A parte bizarra é que depois passaram um vídeo de vários minutos contando a vida do Manoel – chamado de Manwell nas legendas. Mais bizarro ainda: Manoel foi apresentado no vídeo como um profeta que veio à Terra atendendo a um pedido do Senhor para que as pessoas voltassem a louvá-lo.

Totalmente fora de contexto para um show do Manowar (até num do Stryper seria bizarro). Eu fiquei esperando uma punchline. O vídeo não usa a palavra Deus, nem Yaweh, nem nada parecido. Apenas Senhor. Então achei que no final revelaria que Manwell veio à terra para louvar o Deus Metal ou algo assim. Mas isso nunca veio. Aparentemente, o Manowar resolveu gastar vários minutos de seu show para apresentar Manoel como um profeta cristão, estilo Inri Cristo. Sentimentos de Bolsonaro e seu “Deus acima de tudo” foram fortes, até porque sabemos que fãs do Manowar tendem à extrema direita.

Logo a plateia começou a vaiar, e a gritar “que porra é essa?”. Talvez estas respostas possam ser encontradas no Google, e talvez eu até as procure e escreva um novo texto para colocá-las no DELFOS. Mas neste momento não tenho respostas. Apenas que o show do Manowar em São Paulo no dia 23 de setembro de 2023 foi provavelmente o show mais bizarro que já vi.

E você? Estava lá? Que achou dessas partes específicas do show? Ansioso para continuar a conversa com você na parte de comentários aí embaixo.