Cá estamos, 14 meses após o lançamento de Horizon Forbidden West. E ele acaba de receber um DLC intitulado Burning Shores, que traz uma nova história, atividades, inimigos e um novo mapa. A coisa tem bastante sustância.

SOBRE HORIZON FORBIDDEN WEST

Se você já leu algum dos outros textos sobre a série Horizon que escrevi por aqui (links ao final da matéria), sabe que não sou muito fã dela. Pelo menos não do gameplay. Mesmo assim, é uma série que gosto de acompanhar. Digamos que meu interesse em Horizon é basicamente acadêmico. Afinal, temos aqui um dos jogos mais bonitos já feitos. Isso torna jogá-lo um prazer mesmo quando o gameplay em si é um tanto trabalhoso. E, para mim, ele é muito trabalhoso, com o exagero de crafting, números, estatísticas, danos elementais e o tamanho absurdo do mapa. Mas olha só isso.

Horizon Forbidden West, Burning Shores, Guerrilla, Sony, PS5, Delfos

Parece imagem de divulgação, mas eu te garanto que a imagem acima foi capturada por mim durante o gameplay. Eu não pausei nem usei photo mode, simplesmente estava pilotando o barquinho e cliquei no botão de capturar. É impossível não ter prazer jogando um game tão lindo.

SOBRE BURNING SHORES

Apesar de ser um jogo bem complicado no gameplayHorizon é uma história. Então nada mais justo do que começarmos a falar dele pela narrativa. Uma vez que você tenha a DLC instalada e o jogo terminado, receberá uma ligação do Sylens (talvez a última atuação que veremos do saudoso Lance Reddick). Ele vai te colocar no rastro de um Zenith até agora desconhecido, Walter Londra. Se você jogou Forbidden West, deve se lembrar que os Zenith são os ancestrais imortais, e deram uma canseira na Aloy no game principal.

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Sylens acredita que ir atrás do Londra pode revelar informações que tornem possível encarar Nemesis, o cliffhanger do game principal, e provavelmente o grande vilão do vindouro Horizon 3: Forbidden East One Dawn.

Assim, a história é como um DLC deve ser. Não é essencial para o entendimento da trama completa, e mais do que elaborar algo novo depois do final do game, ela dá um passo ao lado, quase como um spin off. Se há algo aqui que deve fazer parte do terceiro jogo provavelmente será a nova personagem Seika, que acompanha Aloy durante praticamente toda a história.

MAIS SOBRE BURNING SHORES

O novo mapa, localizado no que um dia foi Los Angeles (que parece estar na moda nos games de 2023) é bem grande. Tem cerca de um terço do tamanho do mapa principal. Ele tem uma infinidade de campos inimigos, novos colecionáveis ou habitats de máquinas. Há um único novo caldeirão, aquelas fases lineares de plataforma.

De missões mesmo, ele me parece relativamente compacto. Eu encontrei apenas duas sidemissions propriamente ditas. E, para ser sincero, para mim foi o suficiente. Eu não tenho minha diversão turbinada ao ver um monte de pontos de exclamação no mapa. Muito pelo contrário, aliás. E colocaria as poucas sidemissions como um dos maiores pontos positivos de Burning Shores.

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Para entrar no novo caldeirão, você precisa planar.

A história não me pareceu especialmente curta, mas também não chegou a cansar. As duas últimas missões são bem fracas, em especial a última, que te coloca numa batalha contra um chefe que dura cerca de uma hora e é terrível. Mas o restante foi bem legal, normalmente colocando Aloy e Seika num caminho linear, alternando combate, escaladas e exploração.

Eu não gosto do combate (trabalhoso demais para mim), então diminuí a dificuldade ao máximo e mandei ver no restante, que é o que me agrada. E passei algumas horas bem agradáveis com o DLC. Quantas? Umas doze, fazendo a história com calma, as duas sidequests e o caldeirão, mas ignorando todas as outras atividades opcionais.

FINALIZANDO BURNING SHORES

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Dito isso, admito que minha diversão com Burning Shores pode ser totalmente atribuída a meu interesse acadêmico pelas suas conquistas técnicas. Sinceramente, não vi um avanço visual aqui que justifique o PS4 não ter ganhado o DLC, já que ganhou o jogo padrão. Mas independente disso, temos aqui um dos lançamentos mais técnicos e mais bonitos que já vi.

Esta simples característica é o que provavelmente vai me manter acompanhando a Guerrilla Games em seus games futuros, mesmo quando o que eles fazem não me apeteça tanto. Como ver um guitarrista tocando solos rápidos e complicados, eu acho legal ver o que eles conseguem fazer, mesmo Horizon trazendo, para mim, quase tudo de ruim que envolve os jogos AAA hoje em dia (mundo aberto, crafting, estatísticas, danos elementais, loot com raridade classificada por cores).

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Mas eu sei que tem muita gente que gosta disso hoje. O próprio Horizon Forbidden West é um jogo muito querido pelos fãs, por mais que eu particularmente preferisse um retorno a Killzone. E Burning Shores há de continuar essa querideza. É um DLC como todo DLC deveria ser. Um capítulo extra no jogo, trazendo bastante conteúdo, mas nada muito essencial. Ideal para quem gostou de Horizon Forbidden West e quer mais. Mas quem já teve o suficiente das aventuras da Aloy por um tempo, dá para pular sem grandes traumas.

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