Assassin’s Creed Odyssey é um jogo quase infinito. E mesmo assim, desde o lançamento, ele recebeu uma parruda quantidade de novos conteúdos, tanto pagos quanto gratuitos, desde que o resenhamos no final do ano passado. Algumas semanas atrás, eu escrevi sobre o DLC gratuito Lost Tales of Greece e detalhei alguns dos extras que vêm de brinde no season pass (dois fuckin’ jogos completos!). Agora chegou a hora de falar do prato principal, as novas histórias pagas. Hoje, falaremos da primeira delas, Legacy of the First Blade. Em breve, sobre a segunda, Fate of Atlantis.

ENTRE POLÊMICAS E SPOILERS

Se você acompanha as notícias do mundo gamer, provavelmente já sabe os principais pontos da história de Legacy of the First Blade. Portanto, não vou me limitar meus comentários por aqui. Além de este fato que gerou a polêmica já ser notório, faz um bom tempo que este DLC saiu. Se você de alguma forma não sabe o que acontece e quer jogar antes, pode parar de ler por aqui e voltar depois. Juro que não fico chateado.

Legacy of the First Blade coloca Kassandra (ou Alexios, se você escolheu jogar com ele) em uma aventura ao lado do persa Darius. Fãs de longa data de Assassin’s Creed sabem que Darius foi o primeiro a usar o que viria a ser a famosa hidden blade, e usou esta arma para matar Xerxes. Considere a imagem abaixo a sua última chance de parar de ler antes de eu começar a comentar a trama mais detalhadamente, entrando no que causou a polêmica.

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O assassinato de Xerxes é um momento importantíssimo na lore de Assassin’s Creed, e aqui podemos vê-lo em flashback.

A questão é que Darius tem um filho chamado Natakas (ou uma filha, para quem escolheu jogar com Alexios). E rola um romance com a protagonista, que acaba gerando um pimpolhinho. A polêmica se deve a Assassin’s Creed Odyssey ser um jogo de escolhas. E até este momento, o jogador sempre podia escolher suas investidas sexuais. A minha Kassandra é pansexual e transa com todo mundo que a Ubisoft deixou. Porém, algumas pessoas optaram em fazer seu personagem estritamente homossexual. Para esta galera, Assassin’s Creed Odyssey se tornou um jogo realmente importante. Afinal, talvez seja o primeiro jogo mainstream de alto orçamento com um herói que pode ser abertamente gay. E representatividade é importante. Assim, o romance com o filho de Darius foi forçado e ofensivo.

A Ubisoft reagiu rapidamente, remendando o jogo para que Kassandra tenha a opção de deixar claro que não ama o pai de seu filho, e foi uma transação puramente comercial, para que a ancestralidade “divina” da heroína seja continuada. Foi, literalmente, um remendo. Mas pelo menos foi uma resposta – discutivelmente a única possível sem mudar totalmente a história que os roteiristas queriam contar.

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Mozão Natakas, sogrão Darius e a boa e velha Kassandra.

Mas e o que rola no DLC além dessa história toda? Afinal, Darius é um personagem importantíssimo na lore da série. Bom, isso tudo acontece ao longo de três episódios que, somados, duram cerca de oito horas de jogo.

LEGACY OF THE FIRST BLADE

Eu joguei poucos DLCs na minha vida, e entre os que joguei, sempre fiquei com a sensação de que eram basicamente um pouquinho a mais do jogo, mas nunca contando algo que realmente fosse importante para a história geral. O próprio Assassin’s Creed, no entanto, já contradisse isso lá atrás, quando revelou que a importantíssima coadjuvante Lucy era uma vilã infiltrada em um dos DLCs, o que me deixou bem confuso quando fui jogar o seguinte.

Pois Legacy of the First Blade entrega bem o que eu acho perfeito para um DLC. São novas missões, que formam uma nova história e, com exceção do filhote da Kassandra – que convenientemente faz como o filho do Homem-Aranha e some sem nunca mais ser citado logo que nasce – não conta nada muito vital.

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Quando a floresta do suicídio saiu do Japão e veio para a Grécia?

Não há um novo mapa – e considerando o tamanho do que já tínhamos, nem era necessário. Nada é falado sobre a Ordem dos Assassinos (que, afinal, ainda não existia nesta época). A própria hidden blade é a arma de escolha de Darius, mas tirando alguns poucos diálogos que a abordam, não é especialmente importante. Você não recebe uma versão dela para brincar em nenhum momento.

O mais interessante é que, se ainda não há os Assassinos, temos a Ordem dos Anciões, que provavelmente são os proto-Templários. Eles assumem o papel que no jogo principal era do Culto de Kosmos, e aqui é revelado que os Anciões vieram da Pérsia e estavam manipulando o Culto durante a Odisseia de Kassandra. Xerxes fazia parte desta Ordem, que cultiva a paz através de poder autoritário e foi isso que o colocou na mira de Darius, que acredita na liberdade – bem como os Assassinos que seriam inspirados por ele.

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A vilania agora vem da Pérsia.

O fato de você estar atrás de um novo grupo de vilões faz com que o gameplay seja bem parecido com o da Odisseia original. Algumas missões de história colocarão Kassandra contra membros da Ordem, assim como alguns sidequests. Outros, no entanto, você vai precisar caçar por conta própria, na esperança de ganhar novos equipamentos e achievements.

CREDO ASSASSINO

O bacana é que, pelos Anciões serem uma Ordem mais semelhante aos Templários, vários dos diálogos dos heróis demonstram o início da ideologia dos Assassinos, algo que Origins falhou em fazer.

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Emboscando com sogrão.

Tem uma missão, em especial, na qual um dos membros da Ordem faz um convite para conversar. Neste papo, ele fala bastante das ideias do grupo e, como acontecia com frequência nos primeiros Assassin’s Creed, ele tem bons argumentos. Este é o ponto que eu mais vou me lembrar de Legacy of the First Blade, mais até do que a cria de Kassandra, que gerou tanta controvérsia.

Este ponto – de que a guerra milenar entre Assassinos e Templários é basicamente uma disputa de ideologias por controle – é algo que eu gostava muito na série e que vem sendo deixado de lado nos últimos lançamentos.

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Can you feel the love tonight?

Mas já que não dá para não falar sobre o filhote da Kassandra, tem algo que me incomodou bastante. A família da protagonista, pelo menos na minha história, está viva. Lembro de meu jogo ter terminado com Kassandra, o irmão, o pai adotivo e a mãe em um jantar familiar. Como assim a moça casa e cria uma vida sem nenhum destes personagens aparecer ou sequer ser citado?

Entendo o que causou a polêmica, é claro, mas na minha história, este foi o principal ponto contraditório, e tem toda cara de ter sido um erro de roteiro da Ubisoft mesmo.

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Eu chegando para bater um papo com o roteirista do DLC.

Eu gostei de ter jogado Legacy of the First Blade. Porém, este é um caso de um típico DLC – ou pelo menos do que eu acho que todo DLC de história deveria ser. Um acréscimo e uma nova história, mas em geral bem independente. Não é algo que deve fazer você sofrer se não tiver oportunidade de jogar.

Já Fate of Atlantis, a outra campanha que faz parte do season pass... Ah, meu amigo, este é um caso completamente diferente. Mantenha-se delfonado.

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Mas, Corrales, até quando vou ter que esperar?