Você se lembra de Control, não? Aquele jogo ótimo, porém puxado para baixo por uma miríade de problemas técnicos, feito pela mestre da narrativa Remedy? Pois ele ganhou uma DLC que saiu para PS4 em 26 de março de 2020. A versão de Xbox One saiu três meses depois, em 25 de junho. Como nossa cópia de review era do Xbox One, não tivemos acesso a ela até recentemente. Bora trocar uma ideia na nossa análise Control The Foundation?

Análise Control: um jogo excelente cheio de problemas técnicos

DLCS

DLCs costumam ter um valor complicado. Seu índice preço/quantidade de conteúdo costuma ser bem inferior ao de games completos. Em alguns casos, como em Castlevania – Lords of Shadow, embora sejam vitais para a história da franquia, elas são péssimas. Na maioria das vezes, são curtas, sem importância narrativa e não fedem nem cheiram.

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DLCs realmente excelentes são raras. Das que eu cheguei a jogar, de sopetão, me lembro de Left Behind, do primeiro The Last of Us, e o season pass realmente parrudo de Assassin’s Creed OdysseyThe Foundation não chega a esse nível de excelência, mas tem alguma sustância (eu a joguei ao longo de duas tardes), e conta uma história independente da trama principal.

ANÁLISE CONTROL THE FOUNDATION

Passada após a história principal de ControlThe Foundation parece um episódio de Arquivo X (série que provavelmente teve grande influência nos roteiristas da Remedy). Ele é totalmente focado em uma nova área do mapa e em uma missão autocontida.

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Há dois novos upgrades e alguns inimigos e chefes novos. Tem três sidequests e uma pá de novos colecionáveis com lore. Em suma, tem bastante conteúdo, mas nada é uma inovação surpreendente. Sabe aquela continuação feita para quem quer mais de algo? Esta é The Foundation. Se você terminou a campanha, e quer jogar mais um pouco de Control, porém não tem tempo de fazer a história inteira de novo, esta é a pedida. E, curiosamente, eu estava exatamente nesse grupo.

A Fundação do título é uma área desconhecida da Oldest House, cheia de mistérios. Os cenários não são tão legais quanto do resto do jogo, sendo basicamente cavernosos. Porém, a história viajandona entretém bem e o gameplay continua muito divertido. Um dos novos poderes, que envolve arrancar plataformas das paredes, pode ser usado no combate de formas bastante criativas.

AS SIDEMISSIONS

Como quase sempre costuma ser, as sidemissions são o ponto mais fraco de The Foundation. Uma envolve colecionar cartões que abrem passagem para uma área escondida. Outra exige passar por um caminho cuja única iluminação é a TV que você é obrigado a carregar. Por fim, a última podia ser legal. Podia.

Esta sidemission coloca você em carrinhos que andam por alta velocidade em dois trilhos. Você deve pular de um para o outro para evitar obstáculos, enquanto atira em inimigos. Quando a música começou a tocar, eu me empolguei, achando que seria um repeteco do ponto mais legal da campanha principal (se você jogou, sabe qual é). E a fase em si até é bacana, e pode até ser comparada a um Battletoads de tiro. O problema é que ela termina em um chefe.

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Aliás, o problema nem é o chefe em si, mas a ridícula insistência de Control em seus checkpoints estilo Dark Souls. Nenhuma dessas áreas opcionais de The Foundation tem control points (as fogueiras do jogo). Assim, se você morrer em qualquer uma delas, é obrigado a começar a sidemission desde o início. Tivesse um checkpoint antes do chefe, minha experiência com The Foundation teria sido MUITO mais positiva, pois eu perdi mais de uma hora jogando toda essa parte dos trilhos mais de dez vezes. Acabei vencendo quando estava já considerando desistir, mas o tempo que passei repetindo isso me amargou para tudo que veio depois.

Apesar de as outras serem muito menos agravantes, todas essas sidemissions poderiam ser cortadas do produto final, sem fazer a menor falta. Nenhuma delas acrescenta nada. O DLC seria mais curto, mas teria mais qualidade, até porque o level design do dungeon em si é bem legal.

PROBLEMAS TÉCNICOS

Uma coisa que me decepcionou bastante é como, mesmo depois de quase um ano do lançamento do jogo, ele ainda é empesteado por uma pá de problemas técnicos. Aliás, são os mesmos problemas que eu detalhei na minha resenha. Sempre que você pausa ou captura uma imagem, o jogo passa a rodar em uns cinco fps por alguns segundos, o que fatalmente causa uma morte se você fizer essas coisas durante um tiroteio.

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Valorize meu sacrifício de continuar tirando screenshots em cenas de combate.

O problema do mapa demorar para carregar (ou simplesmente não carregar) também continua. É menos frequente do que quando joguei, é verdade, mas ainda acontece, e a essa altura essas coisas já deveriam ter sido limadas do produto final. Considerando como ele roda mal no Xbox One X (o que teoricamente é a melhor versão do jogo disponível para consoles), penso como ele deve ficar num Xbox One padrão (tecnicamente o console mais fraco da geração).

ESTRELANDO JESSE FADEN

Assim, The Foundation merece, literalmente, a fácil descrição de que ele é “mais Control“. Ele traz tudo que Control tinha de bom – excelente gameplaylevel design e história – mas mantém os mesmos problemas técnicos que incomodavam no lançamento. Vale a pena? Sim, se você quer mais Control, vale sim. Mas se você tem medo de perder alguma coisa que possa ser vital para uma eventual continuação (como aconteceu com Lords of Shadow), pode relaxar, pois não é o caso.