Já faz onze anos desde que a Ubisoft lançou Assassin’s Creed Black Flag. Para muitos, este é o melhor Assassin’s Creed. Não à toa, desde então Skull and Bones vem sendo desenvolvido. E faz todo o sentido. Se o povo gostou do gameplay de combate entre barcos no Assassin’s Creed, a coisa funcionaria bem melhor em um jogo que tivesse isso no centro de suas mecânicas.

Além disso, a vida de um pirata, ou seja, caçar tesouros, melhorar o navio e fazer os números subirem é a coisa mais próxima de um live service na vida real. Sei lá, faz bem mais sentido um game com esta temática usar dessas mecânicas do que, por exemplo, AvengersSuicide Squad.

SKULL AND BONES: A PIRATE LIFE’S NOT FOR ME

Skull and Bones, Ubisoft, Live Service, Delfos

Particularmente, eu não gosto das batalhas náuticas em Assassin’s Creed, então sempre vi Skull and Bones com bons olhos. Bons olhos porque tiraria essas mecânicas da série que eu gosto. Mas ao mesmo tempo eu não tinha interesse nenhum nele. Quando ficou claro que seria um live service, então, meu interesse foi a zero.

Skull and Bones tem uma campanha, mas ela serve basicamente para te dar coisas para fazer e ensinar as mecânicas. O jogo realmente quer que você saia pelo enorme mundo aberto e faça sua própria diversão. E, de acordo com a lógica da indústria de games em 2024, o jogo fica mais divertido quanto maiores forem os números de suas estatísticas.

NAVIOS E BONECOS

Skull and Bones, Ubisoft, Live Service, Delfos
Obviamente, eu fiz o pirata mais parecido com o Guybrush Threepwood que consegui.

Skull and Bones é um jogo de navios ou de bonecos? Na verdade é os dois, mas não como Black Flag. Você controla seu boneco nos portos, onde pega missões, crafting, cozinha e compra equipamentos. Mas não existe um gameplay propriamente dito para o boneco, pelo menos não além de andar.

O visual também claramente traz dois níveis distintos. Personagens humanos e mesmo os cenários em que dá para caminhar são feinhos e animados de forma estranha. Por outro lado, a parte dos barcos é impressionante. As explosões em HDR, em especial, brilham tão forte que obrigam a piscar quando acontece.

As missões acontecem sempre acima dos barcos e no mundo aberto. E podem ou não envolver combates ou caçar colecionáveis. Skull and Bones é sempre online, então é comum você estar fazendo algo e outro jogador próximo entrar na batalha. Isso é legal, e dá aquela sensação de que você é apenas parte do mundo. É também algo que eu achava maior legal em Destiny, mas ele sempre cortava todas as conexões quando você entrava na área de uma missão. Aqui, o mapa parece ser sempre compartilhado.

INTERACT OR PLUNDER

Skull and Bones, Ubisoft, Live Service, Delfos

Um exemplo foi uma missão em que tinha que entregar umas muambas em três portos. Em um deles, fui confrontado com a opção “interact” ou “plunder“. Escolhi plunder, mais para ver o que era, e de repente estava em uma missão onde precisava destruir vários barcos. Tinha dois jogadores próximos, e em poucos segundos recebi uma mensagem de que ambos tinham entrado no meu plunder, e estávamos suavemente jogando em cooperativo. Depois que a missão foi vencida, cada um pegou seu loot e seguiu seu caminho.

É o tipo de experiência que eu acho muito legal para jogos online. Parece mais natural e mais gostoso do que entrar em um quickplay ou algo assim. É um coop dinâmico, que acontece porque seus interesses estão alinhados com jogadores próximos naquele momento. Eles entraram na minha missão porque desejaram, e isso é vital. Se eles quisessem poderiam ter ignorado a batalha e seguido seu caminho.

Com isso em mente, eu tentei atacar barcos de outros jogadores, mas pelo menos até onde cheguei na campanha, não foi permitido. Parece uma boa decisão para um mundo sempre online, já que é bacana quando um sujeito chega para te ajudar, mas é bem chato se você está fazendo uma missão e começa a ser caçado. Dark Souls que o diga.

SKULL AND BONES: BLACK FLAG FEELINGS

Skull and Bones, Ubisoft, Live Service, Delfos

gameplay em si é bem parecido com o dos barcos em Black Flag. Você pode escolher e equipar armas que atacam para os lados e para a frente e depois de atirar, elas demoram alguns segundos para recarregar. Basicamente, o combate envolve ficar rodeando os inimigos e atirando até eles explodirem.

Quando os inimigos estão com pouca vida, você pode invadir o barco deles, mas curiosamente isso é muito menos envolvido do que em Black Flag. Você precisa chegar perto e apertar triângulo, o que vai jogar as cordinhas. Se conseguir prender o barco nelas, rola uma animação e você ganha loot extra. Se não, você pode atirar as cordas de novo, ou terminar o serviço na base do canhão mesmo.

MUNDO ABERTO

Skull and Bones, Ubisoft, Live Service, Delfos
O mundo aberto é totalmente desnecessário e só serve para aumentar o tempo de jogo.

Uma coisa que eu odiei em Black Flag e em Skull and Bones é a movimentação. O mundo aberto, como tradicional em jogos deste escopo, é enorme. Muitas vezes seu objetivo está a três quilômetros ou mais. E ir até lá envolve apertar o X três vezes para a velocidade máxima, o que faz a barra de stamina murchar. Quando isso acontecer, você aperta bola para diminuir a velocidade até recuperar stamina e daí repete o processo. O transporte demora tanto e é tão monótono que eu literalmente apontava meu barco e pegava o celular para ver as redes sociais.

Sim, coisas podem acontecer no caminho. Você pode atacar ou ser atacado, pode encontrar pontos de interrogação, outros portos e afins. Mas se o jogo tivesse um fast travel tradicional, em que eu pudesse me transportar direto de uma missão para outra, provavelmente teria jogado bem mais tempo. Skull and Bones até tem fast travel, mas só dá para se teleportar para portos anteriormente visitados, e ainda precisa pagar (com dinheiro dado pelo jogo).

BEM-VINDO A SKULL AND BONES

Skull and Bones, Ubisoft, Live Service, Delfos
Bem-vindo a Skull and Bones. Deixe sua carteira com a gente e vá jogar.

E obviamente, também existe uma loja cheia de cosméticos vendendo fantasias digitais por dinheiro real. Achei engraçado de uma forma irritante que um desses troços vendidos a dinheiro real se chama “Bem-vindo a Skull and Bones“. É o tipo de nome que você costuma dar para algo fornecido com o jogo, para você começar a jogar mesmo. Mas aqui se você quiser boas vindas tem que pagar.

Skull and Bones, Ubisoft, Live Service, Delfos

O preço das coisas também é bem absurdo, com uma simples cor para o barco custando 15 dólares. Isso deixa ainda mais antipática a declaração que a Ubisoft fez há alguns dias, dizendo que Skull and Bones é um jogo completo que vale 70 dólares. Ele até usou a palavra AAAA, o que talvez até se encaixe diante de quanto o game custou para fazer. Obviamente, este custo ficou extremamente inflado graças ao longo tempo de development hell em que ficou empacado.

Se a ideia de jogar a parte dos navios de Black Flag com as mecânicas de um live service te apetece, Skull and Bones certamente entrega. Para mim, particularmente, não gosto do gameplay e nem de live services, então Skull and Bones só me interessaria menos se fosse também um roguelike. Mas sei que muita gente gostou de Assassin’s Creed Black Flag especialmente por causa dos barcos, e se você é um deles, diria que Skull and Bones é tudo que você espera dele.