O delfonauta dedicado sabe que eu não sou fã de terror sobrenatural. Assim, gosto muito de Jogos Mortais, primeiro longa do James Wan, mas os que vieram depois (SobrenaturalInvocação do Mal) não me apeteceram. Hoje é dia da nossa crítica Maligno, filme que promete trazer algo de novo ao cinema de terror. Será?

CRÍTICA MALIGNO

Maligno começa com uma energia e uma estética realmente rara de se ver no cinemão de medo hollywoodiano. Se liga na imagem do topo. É bacana, né? E diferente do mainstream. Ela traz influências de filmes B ou de longas de terror clássicos italianos. E isso me agrada muito mais do que os filminhos de fantasma estadunidenses.

Na cena de abertura, vemos de relance uma criatura fazendo miséria com os profissionais de um lugar que parece um hospital. Ele de repente fala através do rádio. A médica exclama, surpresa “Meu Deus, ele fala!”. Tudo isso banhado na cor vermelha e com ângulos de câmera estilosos e nada óbvios.

Colega delfonauta, se a abertura de Maligno fosse um curta, se tornaria um de meus preferidos. Mas não é. Ele continua.

DEPOIS DOS CRÉDITOS DE ABERTURA

Depois de tanto estilo, aparece a legenda “Dias atuais”. E conhecemos um casal aparentemente normal, em uma estética típica de qualquer filme mainstream. Que banho de água fria, meu amigo. Verdade, não demora para o terror voltar a acontecer, mas é aquela coisa. Aumento de trilha sonora, vislumbres da criatura de relance.

Maligno, Malignant, James Wan, Delfos
Tipo assim.

Tudo bem tradicional. Tudo bem sem graça. Maligno segue o estilo slow burn, no entanto. E, quando a coisa começou a ficar mais elaborada, eu me surpreendi ao perceber que estava gostando!

Após um ataque de uma criatura que mata seu marido e o bebê que estava na sua barriga, Madison (Annabelle Wallis, e ninguém tira da minha cabeça que o James Wan a escolheu para o papel só pelo nome) precisa seguir em frente com sua vida. Porém, ela não esperava o que aconteceria.

Após o ataque, ela começa a ter visões onde vê a tal criatura matando pessoas desconhecidas. Ela não sabe explicar, e ao ver na TV que as vítimas realmente foram assassinadas, procura a polícia. Daí a coisa se divide em dois gêneros.

CRÍTICA MALIGNO E OS DOIS GÊNEROS

Por um lado, a coisa beira o slasher. E disso eu gosto muito! Através da perspectiva de Madison, nós vemos uma série de assassinatos. São nessas cenas que fogem da estética tradicional que James Wan mostra seus músculos de bom diretor. Quando se permite fugir do estilo mainstream, o cara faz planos estilosos e muito belos. Daquele jeito macabro, mas belos.

design da criatura, chamada de Gabriel, é muito assustador. Embora você só consiga ver o rosto perto do final do filme, a sacada está mesmo no corpo. Ele se dobra e se movimenta de formas que o corpo humano não costuma se movimentar. Parece uma aranha humana, mas totalmente diferente do Peter Parker. O Gabriel foi interpretado por um contorcionista da vida real, mas a coisa é tão absurda que mesmo com isso em mente, eu gostaria de saber o quanto de CG foi usado em seus movimentos.

Maligno, Malignant, James Wan, Delfos

E daí tem o outro gênero. O esperado terror sobrenatural. E daí é aquela coisa. Primeiro a Madison tem que se convencer que realmente está vendo o que está vendo. Depois, ela vai convencer a irmã. Daí ela vai até a polícia, que duvida de suas afirmações e tira sarro dela.

Eu estou tão cansado desse tipo de história sempre igual. Talvez por isso terror sobrenatural funcione melhor nos videogames. Protagonistas e coadjuvantes de videogames tendem a aceitar mais rápido que algo sobrenatural está acontecendo, e daí a história pode continuar. Seria bom que os filmes também pulassem essa parte. Afinal, o expectador, que escolheu assistir a um terror sobrenatural, já espera que essas coisas aconteçam. Não precisa ser convencido.

A CRIATIVIDADE DE MALIGNO

O bacana é que, ao flertar com slashersmainstream sobrenatural e filmes clássicos de terror europeu, Maligno acaba criando um prato novo. Todo o sabor está concentrado no Gabriel, e na revelação do que de fato ele é. E essa revelação é boa! Não excelente, mas bem satisfatória.

Há algumas perguntas, algumas sementinhas que Maligno planta, que não são respondidas ou que parecem esquecidas. Não cabe entrar em detalhes, mas um exemplo não spoiler envolve o fato de que o filme deixa claro no início que Gabriel fala através de equipamentos. Mas depois parecem esquecer isso, e ele passa a falar normalmente. Como há vários lapsos desta forma, Maligno acaba não sendo tão redondinho quanto um filme dependente de um twist deveria ser.

Mas o saldo é positivo no final das contas. Maligno não se tornou meu filme de terror preferido. Não é nem mesmo o melhor filme de James Wan. Porém, ele é certamente muito superior aos trabalhos com temática sobrenatural que ele fez anteriormente.

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