Annabelle

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Sabe aqueles programas de TV, tipo Friends, que quando estão com preguiça de fazer um episódio novo, fazem um repleto de flashbacks de episódios antigos? Pois então, em um assunto totalmente não relacionado, eis o que eu falei na minha resenha de Invocação do Mal.

O início do filme é bem bacana, ao mostrá-los entrevistando umas meninas que estão sendo assombradas pela boneca possuída que aparece em alguns dos pôsteres deste filme. Tudo indica que essa será a história que veremos, mas daí o foco muda para uma outra família, que começa a sofrer ocorrências estranhas em sua nova casa.

Pois assim como este meu texto, Anabelle começa com uma versão resumida da mesma cena que abre Invocação do Mal. Todo mundo ficou cabreiro com aquela boneca e com sua história, e Hollywood não perdeu a chance: praticamente um ano depois, eis aí um spin-off focado justamente na boneca Anabelle.

Sabe o que é pior? A história deste longa não é a daquelas meninas que aparecem no início do filme do ano passado. Não, aqui voltamos ainda mais no tempo, para ver como a tal boneca ficou possuída.

Acontece que Mia (Annabelle Willis, aliás, que coincidência que este é o nome dela, não?) é uma mulher tão linda que dói. Mais importante para o filme, no entanto, ela está grávida do patrício John (Ward Horton). John é um esposo amável, e resolveu dar de presente uma boneca muito especial. Adivinha qual boneca é essa?

Logo, a casa dos vizinhos é invadida, em um plano-sequência muito legal, e essa confusão toda acaba com um demônio possuindo a boneca. A partir daí, você conhece a ladainha. Vultos, pernas sendo puxadas, batidas nas paredes. Tudo tirado do livro “Terror básico para iniciantes”. E como este não conta com nenhum dos atores, e nem mesmo o diretor, do anterior, acaba ficando bem mais genérico do que você poderia imaginar.

Curiosamente, o mais legal de Annabelle é justamente a direção. A cargo do desconhecido John R. Leonetti, que anteriormente tinha dirigido pérolas do naipe de Mortal Kombat: Aniquilação e Efeito Borboleta 2, ela é estilosa e chama a atenção.

Além do plano-sequência que responde pela melhor parte do filme, o movimento das câmeras e mesmo a forma que alguns dos sustos são filmados são bem eficientes. Em especial, penso no momento da menina e da porta, que foi uma das coisas mais creepy que já vi em um terror sobrenatural.

É pouco, no entanto. Na minha resenha de Invocação do Mal, falei que o filme renderia um spin-off, e mantenho o que digo. Porém, o spin-off que previ seria focado no casal Warren, que não aparece aqui.

Fosse o que deveria ser, a história do casal Warren com a boneca Annabelle, poderia até não ser um grande filme, mas pelo menos atrairia os fãs do original. Da forma que saiu, no entanto, tem tão pouco a ver com o filme que lhe deu origem que os fãs podem se sentir enganados.

CURIOSIDADES:

– Esta resenha tem dois trechos tirados da resenha de Invocação do Mal. Um deles está bem claro, mas o segundo só será encontrado por delfonautas fiéis. Seja o primeiro a apontar o segundo trecho e ganhe um exclusivo high five telepático.

REVER GERAL
Nota
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Editor-chefe e editor de games. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).