O delfonauta dedicado sabe que eu adoro Call of Duty, um dos últimos jogos de ação pura que sobraram. E, provavelmente também sabe que, ao contrário da maioria das pessoas que compra o jogo, eu não me importo com nada além da campanha. Multiplayer, Zombies, Spec Ops… Eu quero mesmo é uma boa aventura cheia de adrenalina. E é nisso que vamos focar na nossa análise Call of Duty Black Ops Cold War: um monte de subtítulos.

ANÁLISE CALL OF DUTY BLACK OPS COLD WAR

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Nada como começar a resenha – e a campanha – torturando um árabe.

Nada como começar a resenha – e a campanha – torturando um árabe.Call of Duty é muito criticado por ser todo ano quase o mesmo jogo. Pelo menos pelas campanhas, eu discordo fortemente disso. Sim, todos são jogos de ação cinematográficos, mas não é fácil criar novas cenas de ação e tiroteios empolgantes.

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Se bem que, ok, todo ano a gente põe C4 num bagulho desses.

Se bem que, ok, todo ano a gente põe C4 num bagulho desses.Curiosamente, Call of Duty: Black Ops Cold War sai um pouco da caixinha. Temos aqui uma campanha mais cerebral, com mais subterfúgios e menos explosões.

UMA CAMPANHA CABEÇUDA

A Guerra Fria é uma ambientação bacana para um jogo desses. Porém, era uma guerra fria, né? O jogo reflete isso trazendo muitas missões de stealth e até puzzles relativamente elaborados, que não são comuns na série.

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E com participação especial de algumas celebridades, como a mancha da cabeça do Gorbachev.

E com participação especial de algumas celebridades, como a mancha da cabeça do Gorbachev.Uma dessas fases chama a atenção. Nela, você é um agente infiltrado no escritório da KGB e deve conseguir a chave para um bunker. Você tem acesso a um mapa, e várias oportunidades. Dá para envenenar o cara que tem a chave, persuadir um prisioneiro a dizer que o sujeito é um traidor, ou forjar as provas você mesmo, entre outras.A coisa é bem parecida com os jogos recentes de Hitman. Você deve fazer um plano, seguir até o fim e lidar com as consequências. É algo que eu sinceramente não esperava encontrar em um Call of Duty.

SIDE MISSIONS

Tem também duas side missions que podem ser encaradas como um tiroteio descerebrado, ou da forma certa, e isso afeta o final do jogo. Na forma certa, você deve encontrar evidências durante as missões de história, analisá-las e matar a charada. Em uma delas, a charada envolve descobrir a identidade dos informantes inimigos analisando onde eles estavam nas datas mostradas nas evidências e cruzando informações. É opcional, e só afeta o texto do final, mas eu me senti realmente inteligente ao conseguir decifrar.
Mas calma, tem explosões também!Também tem uma grande quantidade de missões de stealth, que sempre foram presentes na série, mas que aqui se tornam mais proeminentes. Eu diria que a campanha de Call of Duty Black Ops Cold War é 50% ação cheia de adrenalina e 50% mais na maciota.

AÇÃO DE PARQUE DE DIVERSÕES

A ação em Call of Duty sempre foi bem empolgante, com um gameplay entre os melhores da categoria. E felizmente continua assim. Você vai dirigir helicópteros, tanques, perseguir aviões em pista de decolagem. E é tudo muito gostoso de controlar e empolgante de assistir.
Eu joguei no PS5 e devo dizer que a diversão foi ainda mais turbinada pelo controle. Graças aos gatilhos com feedback, atirar em Black Ops Cold War traz um peso e uma fisicalidade com os quais não estamos acostumados. Falei mais sobre isso aqui, então não vou me estender muito neste texto. Mas quero deixar claro que, se você quer ver o que seu PS5 novo e brilhante é capaz de fazer, Call of Duty Black Ops Cold War é tão essencial quanto Astro’s Playroom. É incrível o cuidado e o trabalho em fazer com que a sensação de usar cada arma fosse diferente.

TANTAS OPÇÕES QUANTO SUBTÍTULOS

Algo que também foi novidade para mim é criar seu personagem. Não é nada assim tão elaborado, mas dá para escolher seu background, sua raça e nome, entre outras coisas. Inclusive, o nome aparece no início de cada missão e eu achei bem divertido ver “Carlos Corrales” escrito em quase todas as fases.
Minha ficha de criação.O que mais afeta o gameplay é a possibilidade de escolher dois bônus. Um dos que eu escolhi foi “ter mobilidade total mesmo quando estiver mirando” e, meu amigo, fez uma diferença vital nos tiroteios.Também achei curiosas a liberdade e a conveniência que Call of Duty Black Ops Cold War te dá. Não gosta dos gatilhos com resistência? Então desligue. Caramba, dá até para escolher se você quer que correr interrompa a animação de carregamento, o que eu normalmente consideraria uma decisão criativa. Em uma época em que os desenvolvedores querem impedir até mesmo que você faça xixi, é revigorante encontrar um jogo que deixa jogar como for mais conveniente e divertido.

POLÍTICA

Ronald Reagan está no jogo, mas é menos importante do que eu esperava.Apesar de eu adorar as campanhas de Call of Duty, em parte entendo a rejeição que a série causa em algumas pessoas. Afinal, suas opiniões políticas e revisionismo histórico são, no mínimo, nojentos.Neste aspecto, Call of Duty Black Ops Cold War pega mais leve. Apesar de você jogar o tempo todo do lado estadunidense, minha opinião é que dessa vez o jogo escapou de mostrar os EUA como os heróis inabaláveis e a Rússia como os vilões Ivan Drago da coisa toda. Na verdade, uma coisa que fica bem clara quando você termina a campanha é que seus companheiros de batalha são todos grandessíssimos FDPs. Além da relação pessoal, que não vou elaborar aqui, boa parte da campanha envolve um esforço para esconder um crime de guerra feito pelos EUA, e impedir que essas armas caiam em mãos erradas (russas).
Não que a história seja grande coisa, mas pelo menos dessa vez parece menos “patriota cega”, entende? Mas admito, aquela viradinha claramente chupinhada de Bioshock enfraquece consideravelmente a trama. Afinal, isso já foi feito, eles simplesmente repetiram a pegadinha. Gostaria de falar mais, mas você sabe… spoilers e tal. Would you kindly continue reading?

NÃO É O MELHOR, MAS É EXCELENTE

Apesar da ojeriza causada pelo seu lado político, devo dizer que gostei mais da campanha de Call of Duty: Modern Warfare (de 2019) do que da de Call of Duty Blacks Cold War. Essa também é boa, e acredito que sua campanha mais variada traga elogios da mídia especializada que vive reclamando da estagnação.
Dito isso, eu diria que esta campanha se destacou muito mais pelo uso que fez do controle do PS5 do que pela campanha em si. De qualquer forma, o futuro dos jogos de tiro é brilhante no PS5. Vamos torcer que venham muito mais lançamentos do gênero por aí.