Bulletstorm VR é um caso interessante. Eu estava realmente animado para este jogo. Amo o Bulletstorm de PS3, e queria muito jogá-lo de novo. Em VR, melhor ainda. Quando pareceu que não teria acesso a um código de review, cheguei a colocá-lo na lista de desejos, na intenção de comprar um dia. Porém, não demorou para ver um monte de opiniões online de pessoas que pediram reembolso porque ele simplesmente não funcionava. Reclamavam da adaptação, da performance, e até do fato de ele simplesmente não rodar. Tirei da lista de desejos e segui com minha vida. E daí o código de review chegou.

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A essa altura, minha empolgação tinha se transformado em medo. Até resolvi esperar alguns dias na esperança de que ele fosse arrumado. E sim, pelo menos um patch rolou neste meio tempo. Então agora é a hora da verdade. Será que Bulletstorm VR é legal como o jogo original ou é uma porcaria que arruina a boa memória de outrora?

REVIEW BULLETSTORM VR

Bulletstorm VR está longe de ser um jogo redondinho. Em determinado checkpoint, o jogo ficava preso numa tela preta quando eu morria, e exigia ser fechado e reiniciado para continuar. Isso foi apenas num checkpoint específico, e demais incômodos foram igualmente pontuais. A boa notícia é que eu sinceramente esperava que fosse pior. Muito pior.

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E deixa eu ser justo aqui: jogando no início de fevereiro, na versão de PS VR2, Bulletstorm VR é um game tão legal quanto o original. Imagine Bulletstorm em VR e você terá uma boa ideia do que vai encontrar. Como Bulletstorm era originalmente um AAA, temos aqui gráficos, nível de produção e espetáculos que simplesmente não são comuns encontrarmos em outros jogos de VR.

DELÍCIA OLD SCHOOL

Outra vantagem, especialmente se você odeia o rumo atual da indústria de games, com seus mundos abertos enormes e live services, é que Bulletstorm é uma deliciosa relíquia do passado. É surpreendente quão linear é sua campanha. Basicamente, os criadores da People Can Fly criaram um sistema de combate bacanudo, uma história engraçada, e daí fizeram um parque de diversões com começo, meio e fim. E ele tem fim, veja só! Poxa, por que diabos os jogos deixaram de ser assim? Eu sei o motivo, então esta é uma pergunta retórica. Mesmo assim vale fazê-la.

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Jogar Bulletstorm hoje me fez lembrar de um jogo mais moderno que nunca tinha ligado a ele: Doom Eternal. O sistema “kill with skill“, que dá mais XP para assassinatos estilosos, é bem semelhante. A principal diferença é que no Doom Eternal cada tipo de inimigo precisa de um ataque estiloso específico, enquanto aqui você é mais livre para brigar como quiser. Ou até mesmo para ignorar a brincadeira, se preferir jogar como um Call of Duty. A diferença é que você não terá tanta XP para upgrades, mas isso é facilmente resolvido diminuindo a dificuldade. Bulletstorm não tem níveis ou inimigos esponja de balas. Suas armas não perdem utilidade conforme você avança na campanha. Ele é bom e divertido o tempo todo.

ADAPTAÇÃO PARA VR

O jogo foi, sim, passado para VR, mas convenhamos que é uma adaptação bem básica. Cutscenes, por exemplo, ainda acontecem no “estilo cinema”, dando apenas a opção de transformar a imagem em estereoscópica. O tiroteio é como você imagina, com a mão esquerda sendo usada para o chicote e a direita para as armas de fogo. Dá para usar duas armas de fogo ao mesmo tempo, se preferir. E os momentos de escalada ficaram mais interativos, seguindo aquela linha tradicional de “escaladas em VR”.

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Escalar em VR.

Tudo isso é básico, mas é o que você espera. O que eu realmente não esperava é que partes da campanha fossem cortadas – inclusive com a numeração dos capítulos ficando diferente. Todos os palavrões foram censurados, o que não faz sentido, já que a cultura pop nunca deixou de falar palavrões. Além disso, diálogos inteiros não existem mais, como a divertida parte em que Trishka fala para os heróis “vou matar seus pintos”. Pelo menos uma cena de ação também foi excluída, e é aquela bem divertida em que tocava Disco Inferno.

PS5 NÃO RODA BULLETSTORM?

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Tem algo errado aí, não?

Os gráficos estão legais para um jogo em VR, mas a performance não é boa, e há algumas coisas bastante estranhas, como a água da imagem acima. Minha sensação é que o jogo teve o visual simplificado para esta versão em VR, mas ainda assim suas raízes AAA fazem com que ele seja mais bonito e impressionante do que a maior parte do que temos no PS VR2.

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Monstros gigantes em VR são muito legais.

Também há limitações técnicas que não me lembro de estarem no jogo antes. Refiro-me a telas de carregamento no meio das fases. Talvez esteja errado, já que joguei Bulletstorm pela última vez há mais de dez anos, mas realmente não lembro de o jogo parar para carregar no meio de corredores.

Outras coisas narrativas também foram modificadas sem sentido, como as portas queimadas que tiravam um sarro das três luzes vermelhas do Xbox 360. Mesmo que a desenvolvedora pense que as pessoas não entenderiam mais esta piada, não vejo motivos para tirá-la do jogo. Certamente ela era mais ofensiva para a Microsoft quando Bulletstorm literalmente rodava em um Xbox 360.

BULLETSTORM VR

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Então, somando tudo isso, é difícil dizer que Bulletstorm VR é melhor que sua versão panqueca. Ele também não traz o conteúdo adicional que foi incluído para Bulletstorm Full Clip Edition, que saiu para PS4 e Xbox One e roda nos consoles atuais via retrocompatibilidade. Bacana mesmo seria ter a Full Clip Edition e a VR sendo vendidas juntas e compartilhando saves, mas não é o caso. São dois jogos totalmente separados, então você precisa escolher se quer a versão em VR pelas possibilidades da realidade virtual, ou a panqueca simplesmente por ela ser melhor e mais completa.

Eu não joguei a Full Clip Edition, então não posso falar da sua qualidade por aqui. Porém, devo dizer que me diverti bastante revivendo Bulletstorm em sua versão VR. Há problemas na transposição, mas mesmo assim temos aqui uma das campanhas de FPS mais divertidas já feitas. Apesar dos problemas, vale muito mais a pena em 2024 jogar Bulletstorm VR do que Vertigo 2, por exemplo. O jogo simplesmente é melhor, mesmo com algumas peculiaridades tendo ficadas perdidas na “tradução”.