Tô pra ver experiências completas e decentes disponíveis para VR. Ou os jogos são bons, mas no estilo indie, ou são praticamente minigames. Ocasionalmente temos algo mais legal, e vira e mexe rola uma excelente adaptação de Resident Evil. Mas eu queria que tivéssemos mais jogos como Resident Evil em escala, não necessariamente em gênero. Journey to Foundation poderia ter sido um deles. Na verdade, ele poderia ter sido muitas coisas. Mas depois de fazer um tremendo esforço para terminar a campanha, devo dizer que a única coisa que ele realmente conseguiu ser é um jogo ruim.

ANÁLISE JOURNEY TO FOUNDATION

Pense em um Starfield sem a escala, que funcione pior, seja mais feio e tenha uma jogabilidade beirando o banal. Esta é a melhor definição curta que posso dar para Journey to Foundation. A definição mais longa começa após a imagem.

Journey to Foundation, Archiact, PS VR2, PS5, Delfos

Journey to Foundation é um game em primeira pessoa que combina história interativa com combate em FPS, salpicado com escaladas. Durante a maior parte de seus seis capítulos, você vai conversar com uma galera, escolhendo opções de diálogo com seus olhos.

A história envolve duas facções principais. Você começa como uma funcionária do império que logo será incumbida de se infiltrar do outro lado. No final das contas, você está no meio dos dois, recebendo ordens dos dois lados. Um diz que o outro é fascista. Outro diz que o primeiro é um culto. Obviamente, algumas das ordens serão contraditórias, e você deverá escolher para onde levar sua história.

TIRINHO E ESCALADINHA

Journey to Foundation, Archiact, PS VR2, PS5, Delfos

Quando não está conversando, você vai explorar alguns cenários, o que vai envolver cenas de tirinho e de escalada. Absolutamente nenhum dos pilares de gameplay é bom. Seus tiros parecem petelecos que sequer atingem os inimigos, quando atingem. Felizmente, isso também vale para o dos inimigos, pois se tiver pouca gente na sua frente, você pode simplesmente sacar a arma e começar a atirar, sem nem precisar de estratégia.

A escalada é algo que você provavelmente já fez em VR e não muda muito do tradicional. A questão é que este tipo de gameplay me deixa consideravelmente enjoado. Eu passo 10 segundos simplesmente subindo uma escada, e daí preciso parar de jogar e ainda fico mareado por mais de uma hora. O lado bom é que Journey To Foundation deixa você pular os trechos de escalada. Pular uma parte de uma fase linear não é algo que me agrada muito, mas fico feliz com a oportunidade, já que se fosse obrigado a fazer todas, ia ter que jogar um pouquinho de cada vez. E eu entendo como soa o fato de que meu maior elogio ao jogo é poder pular partes dele. Queria que ele me deixasse pular também seus puzzles.

QUE QUE EU TENHO QUE FAZER?

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Eu fiquei com muita raiva deste minigame de hacking. Quando os videogames vão parar de colocar isso nos jogos?

Aí tem alguns quebra-cabeças, mas a maioria deles você fica simplesmente sem saber o que fazer. Tipo alguém fala “coloca as baterias no breguete”, e você acha as baterias, mas onde está o breguete? Eu sinceramente passei mais de uma hora do meu tempo total de jogo procurando breguetes.

Outro que é mais claro é o minigame de hacking/lockpick acima. Você precisa combinar os símbolos da mesma cor fazendo caminhos que não se cruzam. É algo que até poderia ser prazeroso, mas os controles são extremamente confusos. Às vezes você precisa voltar o caminho de uma cor para liberar para outra, e o jogo simplesmente se recusa a colaborar.

O DITO PELO NÃO DITO

Journey to Foundation, Archiact, PS VR2, PS5, Delfos

Talvez este seja o principal problema de Journey to Foundation. Quase toda sua comunicação com o jogador é através de ícones, ou simplesmente não é comunicada. Em vários momentos, aparecia um ícone que eu não sabia o que significava e não tinha um glossário em que pudesse traduzi-lo. Ao invés disso, o jogo tem uma enciclopédia extremamente elaborada, mas duvido que alguém se preocupe em se aprofundar na lore quando o básico não funciona direito.

Sobre o minigame supracitado, deve ter alguma forma simples de voltar o caminho, mas o óbvio não funcionou, e eu não consegui descobrir o não óbvio. Então acabava precisando resetar o puzzle inteiro a cada pequeno erro. Isso tudo fazia com que cada minuto de jogo eu ficasse mais de saco cheio dele. Isso quando ele simplesmente não quebrava.

QUANDO JOURNEY TO FOUNDATION QUEBRA

Journey to Foundation, Archiact, PS VR2, PS5, Delfos
Repare no inimigo dentro do armário.

Quase todos os tiroteios do jogo envolviam um inimigo que ficava preso “dentro” de uma mesa ou atrás de uma parede. Muitas vezes isso exigia restaurar o checkpoint, pois o jogo só avança depois de limpar a tela. Sinceramente, não acho que uma única cena de ação  tenha rolado como deveria. Mesmo os diálogos o jogo não consegue fazer direito, pois é comum você estar escolhendo o que vai dizer e o game encerra a conversa sem você pedir. Poxa, até a performance é fraca. O cenário eventualmente se movimentava num estilo slideshow, o que nunca tinha visto em VR.

Journey to Foundation, Archiact, PS VR2, PS5, Delfos

Não é como se Journey to Foundation fosse um jogo extremamente técnico. Ele sequer é bonito. Na verdade, pelo contrário, é simplesmente muito feio. Técnica e artisticamente. Pelo menos as atuações são boas e a história é digna, mas é muito pouco diante de tudo que ele faz você engolir. Melhor passar longe.