Robocop Rogue City? Então, eu tinha sete anos. Robocop estava passando no cinema, com classificação indicativa de 14 anos. Meu pai me levou. O bilheteiro perguntou “quantos anos ele tem?”, e meu pai respondeu, na cara de pau, “14”. Eu entrei. Fiquei semanas tendo pesadelos, especialmente com a cena do ED-209 e com a do vilão derretendo no ácido.

Depois de mais velho, assisti ao filme mais algumas vezes, desta vez sem traumas. Mas o trauma da primeira foi tão forte que me surpreendi quando comecei a ler que Robocop na verdade era uma sátira. E, olha, jogando hoje Robocop Rogue City, eu consigo ver isso. Na verdade, o jogo é muito mais engraçado do que me lembro de o filme ser, e gostaria de assistir ao longa de novo para restaurar minhas memórias. Mas hoje a gente vai falar do jogo.

ANÁLISE ROBOCOP ROGUE CITY

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A visão do Robocop foi perfeitamente passada para o jogo.

Esta resenha demorou, eu sei. Mas é porque eu demorei para ter acesso ao jogo. Na verdade, acredito que não o receberia se não tivesse insistido com os colegas da Nacon. Nem sempre insistir dá certo, mas dessa vez deu. Então cá estamos um pouco atrasados, mas é com prazer que eu digo que adorei Robocop Rogue City.

Falando do gameplayRobocop Rogue City me lembrou muito o estilo da Bethesda, mas felizmente sem o exagero que vemos em games como Starfield. O que temos aqui é uma história antes de qualquer coisa. Ela é contada através de fases de tiro lineares e pausas que envolvem conversas e investigações. Vamos começar por este último.

REVIEW ROBOCOP ROGUE CITY E AS INVESTIGAÇÕES

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Robocop Rogue City tem muita conversa e “serviço banal” de polícia. Há um hub na estação de polícia e um pequeno mundo aberto pelo qual você passa em momentos pontuais da campanha. Estes são os momentos de pausa e reflexão. Você vai atender pedidos de civis e colegas, conversar e tomar decisões que afetam a história, completos com frases do tipo “fulano vai lembrar disso”.

Você sempre tem a missão principal bem clara, e pode seguir em frente com a ação se só se importar com pipocos. E admito que fiquei um pouco apreensivo quando, depois da fase de tutorial, eu fui jogado no mundo aberto e fiquei lá por algumas horas até limpar tudo. Felizmente, o timing depois melhora, colocando várias fases de tiro antes de voltar ao mundo aberto. Daí, quando voltou, foi até legal, pois eu estava atirando há bastante tempo e queria um respiro. O timing do jogo me lembrou The Evil Within 2, mas o gameplay que combina ação, diálogos e investigação é bem típico da Bethesda mesmo.

VOCÊ TEM 20 SEGUNDOS PARA OBEDECER

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A ação é o principal destaque para mim. Desde Doom original eu não me lembro de um outro FPS em que a violência seja tão crocante e prazerosa. Mesmo a pistolinha padrão do Robocop é muito forte, explodindo cabeças e deixando pedacinhos de cérebro pelo cenário com sons bombásticos. Na verdade, eu usei mais a pistolinha em si do que outras armas supostamente mais poderosas, como escopetas ou rifles de assalto. Em determinado ponto do jogo, comprei um upgrade que permitia atirar sem precisar recarregar e isso me tornou um literal tanque explodidor de cabeças.

Tem algumas decisões curiosas tomadas pela Teyon que deram ao jogo um ar mais lento, talvez menos empolgante do que outros FPS mais móveis, como Titanfall 2. Porém, provavelmente estas decisões foram tomadas para que Robocop Rogue City não fosse um bom FPS, mas um bom jogo do Robocop.

UM TANQUE EXPLODIDOR DE CABEÇAS

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Em comparação a outros jogos modernos, até mesmo jogos de puzzle em primeira pessoa, como The Talos Principle 2, o Robocop é bem lento no jogo. Mesmo sua corrida é devagar. Ele não pula, o que é um tanto limitador quando você precisa dar uma volta para passar por algo que normalmente atravessamos com um toque do X. Porém, esta falta de mobilidade tem seu motivo para existir.

Essas coisas são o que dão a sensação de ser o Robocop. E isso é refletido na quantidade de tiros que o Robotira aguenta. O que é necessário também, já que ele nem aceita se proteger em coberturas. Mesmo assim, o jogo é relativamente fácil, e eu morri bem pouco na dificuldade padrão. Isso foi bom também, pois os checkpoints são bem raros e punitivos, e provavelmente teria me enchido o saco se tivesse morrido mais.

UPGRADES

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Os upgrades do Robocop envolvem a tradicional árvore de habilidades upada com skill points, mas o mais interessante são os upgrades da pistolinha. Esta é upada através de placas mãe encontradas no jogo. Você precisa equipar a placa mãe, e daí fazer o caminho com componentes, levando a corrente elétrica para o que é positivo e evitando os vermelhos, que são negativos.

É interessante porque cada placa mãe modifica consideravelmente sua pistolinha. Algumas, por exemplo, deixam os tiros automáticos, enquanto outras aumentam o dano, mas atiram uma bala por vez. Uma que usei por boa parte do tempo eliminava a necessidade de recarregar, o que me permitia atirar sem parar por quanto tempo eu quisesse. É como se cada placa mãe fosse uma pistola diferente, e você pode alterar a hora que quiser. Há componentes suficientes para upar várias, mas não para todas, então vale olhar as alterações que elas fazem na arma antes de comprometer seus valiosos ingredientes.

GRÁFICOS REALISTAS E JANK

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Esta ultraviolência é muito gostosa.

Um dos grandes trunfos de Robocop Rogue City são seus gráficos altamente realistas. Os cenários são quase perfeitos, não raro parecendo fotos. É incrível o que é possível fazer graficamente na geração atual mesmo sem ter mais dinheiro do que Deus. O orçamento AA de Robocop Rogue City fica claro nos personagens humanos, que não são tão expressivos e são, sinceramente, meio feinhos. Mas o Robocop, que traz os gloriosos lábios licenciados do Peter Weller, e os cenários, são sensacionais.

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É perfeitamente compreensível achar que isso é uma imagem do filme. Não é.

A direção de arte também é fantástica, com um hud que realmente dá a sensação de estar olhando pelos olhos do Robocop, além do uso de cores e tudo mais que tornam o jogo um esplendor visual.

GLITCHES

O jogo mostra sua limitação AA em alguns glitches que são, sinceramente, meio pentelhos. Teve algumas missões em que eu não conseguia cumprir o objetivo, porque um NPC ficou travado no cenário ou o objetivo não aparecia. Além disso, era comum os troféus e outras mensagens de sistema não aparecerem (nesses casos, todos os troféus popavam quando rodava o jogo novamente).

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Assim, a experiência foi cheia de probleminhas pequenos que afetavam a diversão. E isso mesmo eu tendo jogado mais de um mês depois do lançamento, o que me faz pensar que essas coisas não serão resolvidas. A boa notícia é que eu me diverti MUITO com o jogo apesar destes problemas.

POR MAIS AA COMO ROBOCOP ROGUE CITY

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Apesar dos problemas técnicos, eu diria que o orçamento mais conciso foi na verdade positivo para Robocop Rogue City. Ele traz uma aventura com uma duração mais aceitável, com uma quantidade de sidequests que dá para fazer sem encher o saco. Até a jornada para a platina foi uma das mais prazerosas que já tive.

É fácil imaginar como Robocop Rogue City ficaria consideravelmente pior com um orçamento maior. Seu mundo aberto seria mais extenso, haveria uma infinidade de sidequests e colecionáveis. Se pá ia ter um monte de microtransações para ganhar mais dinheiro. Mas não tem nada disso. O que temos aqui é uma aventura bem direcionada, que dura o tempo que deveria durar, divertindo durante toda sua duração. Se o futuro dos AA for representado por Robocop Rogue City, eu realmente me vejo gostando mais de jogos de médio orçamento do que de alto no futuro. E você?