O Teorema Zero

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Eu não tenho medo de teoremas. Eu tenho pavor. Nunca entendi a fascinação do professor do ensino médio para que eu provasse que um triângulo era um maldito triângulo. Cacildis, olha pra ele. Tem três pontas, é um triângulo. O que mais pode ser? Um pentagrama?

Qohen Leth (Christoph Waltz, de Bastardos Inglórios, irreconhecível aqui, careca e peladão) não tem medo de teoremas. Na verdade ele tem medo de pessoas, de ficar sozinho e de mais um monte de coisa. Mas de teoremas não.

Justamente por isso, ele recebe a missão de provar o teorema zero que, ao contrário da maioria dos teoremas, não visa provar que um triângulo é um triângulo, mas algo muito mais importante: que a vida humana é em vão.

A sinopse é um fiapo, e essa é justamente a ideia. Dirigido pelo Monty Python estadunidense Terry Gilliam, de o O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus e Irmãos Grimm, temos aqui um filme bem nos seus conformes, um longa surreal ou uma piração geral, dependendo de como você o encare.

Com um visual aprimoradíssimo, repleto de cores saturadas e um mundo bem interessante que me lembrou bastante uma mistura do jogo Remember Me com Alice no País das Maravilhas, temos aqui um longa que visa analisar o significado da vida. Desnecessário dizer que é uma obra cabeçuda, que não deve ser recomendada para qualquer um, e mesmo que compre a ideia, tudo vai depender da sua paciência e disposição para este tipo de filme.

Para deixar tudo um tanto menos pesado, até que o longa tem bastante humor, que sai basicamente das atitudes inusitadas de seus personagens e de inesperados nonsenses bem na linha do Monty Python, como uma caixa de pizza que fala algo como “hum… pizza!” quando é aberta. Não espere que se trata de uma comédia, no entanto, pois apesar de suas arriscadas no humor, suas piadas são poucas e bem separadas e estão lá só para ajudar o clima pesado do filme a descer mais redondo.

Dependendo da sua mentalidade, pode encarar que O Teorema Zero é um longa que quer falar muito e não fala nada, ou então sair com a sua cabeça em polvorosa, pensando nas questões que ele apresenta. Não, ele não responde nada, mas é um veículo interessante para quem acha que a jornada é mais importante do que o destino.

REVER GERAL
Nota
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Editor-chefe e editor de games. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).