Quero Matar Meu Chefe 2

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Eu não assisti a o primeiro Quero Matar Meu Chefe. Mas, dada a existência desta continuação que chega agora aos nossos cinemas, creio ser uma aposta segura presumir que o trio de protagonistas falhou em sua intenção, ficando mesmo só no desejo de matar (neste momento, Charles Bronson abre um grande sorriso no Paraíso). Claro, se eu estiver enganado, o delfonauta sinta-se à vontade para me corrigir no espaço de comentários.

Seja como for, os três (Charlie Day, Jason Bateman e Jason Sudeikis) parecem ter tomado uma atitude mais sensata e simplesmente decidiram eles próprios virarem chefes, abrindo juntos sua própria empresa para fabricar e comercializar uma invenção deles. No entanto, eles são engabelados por um investidor inescrupuloso (Christoph Waltz) e, para não perder seu negócio, decidem sequestrar o filho do cara (o Capitão Kirk) e usar o dinheiro do resgate para sair da encrenca financeira.

Mas como os três têm o nível de QI similar ao de Debi e Lóide, altas confusões se seguirão, enquanto os tapados tentam colocar o plano mirabolante em prática. Aliás, devo admitir que esse longa realmente me surpreendeu. Confesso que esperava um filme ruim, não só porque a maioria das comédias estadunidenses anda bem mal das pernas ultimamente, mas também porque esse negócio é estrelado pelo Jason Bateman.

É inacreditável que o cara que estrelou uma das séries de TV mais engraçadas de todos os tempos, Arrested Development, só consiga fazer tranqueiras no cinema. Por isso, realmente foi uma surpresa bem positiva Quero Matar Meu Chefe 2 não ser a grande porcaria que eu esperava que fosse. Bem longe disso, aliás.

E muito disso se deveu justamente ao estilo do humor “tão bobo que é bom”, bem no estilo do já citado Debi e Lóide, mas também de coisas mais antigas como Os Três Patetas e Chaves. Você sabe, não tem nenhuma novidade, as piadas são manjadas, mas justamente por serem já tantas vezes testadas e comprovadas, você acaba rindo do mesmo jeito.

Também é o tipo de filme onde todos os atores principais, principalmente os três protagonistas, parecem ter se divertido horrores fazendo, e todas as falas e interações entre o trio têm o maior jeitão de improvisação. Acaba conquistando pela química entre eles e as burrices que cometem.

Mas bem que poderiam ter explorado mais o personagem do Christoph Waltz. É quase um pecado ter esse cara no seu filme e subutilizá-lo dessa forma. Ainda assim, o elenco está bem servido e vários personagens da primeira película retornam para ter seus momentos de graça neste aqui também.

Quero Matar Meu Chefe 2 não tenta reinventar a roda e sequer apresenta uma trama com o mínimo de originalidade. Na verdade, é tudo bem batido e facilmente adivinhável. Ainda assim, funciona muito bem e foca num tipo de humor que muito me agrada.

E não há nenhuma piada envolvendo flatulência, o que é ainda mais surpreendente em se tratando de uma comédia estadunidense. Só isso já colocaria o filme acima de muitos de seus pares. O fato dele conseguir arrancar boas risadas durante toda sua projeção também só contribui para torná-lo uma boa opção de programa para o fim de semana.