Jack White – Lazaretto

0

Pode-se dizer um monte de coisas a respeito de Jack White, menos que ele não é um cara prolífico. O sujeito já passou por três bandas, colabora com Deus e o mundo, tem sua própria gravadora e acaba de lançar seu segundo álbum solo, após o bem-recebido Blunderbuss (2012). Produzir material novo aos montes, para ele, nunca foi problema.

Por um lado isso é ótimo, afinal, se você gosta do cara, odiaria ter de esperar de três a quatro anos por músicas novas. Mas por outro, corre o risco de dar uma saturada, de perder aquela expectativa boa. E aí, ao invés de “ei, vem aí um novo disco do Jack White. Yay!”, vira aquela coisa mais ao estilo “saiu um novo disco do Jack White…”, e dá de ombros ao descobrir o fato por acaso.

Eu gosto dele, continuo acompanhando sua carreira de perto, mas admito que pendi mais para essa segunda reação (embora não tão exagerada assim) quando soube do lançamento de Lazaretto. Por mais que seja legal ouvir um de seus discos, aquela ansiedade por se colocar as mãos a cada novo trabalho se perdeu já faz algum tempo.

Contribui com isso o fato de que você sabe sempre o que vai encontrar: canções de Rock, Blues e Country juntas e misturadas, em ótimas composições com a presença de sua ótima e criativa guitarra e sua voz esganiçada característica. É mais do mesmo com muita qualidade, mas ainda assim não deixa de ser o de sempre, uma espécie de arroz com feijão.

Até por gosto pessoal, sempre prefiro as bandas que mudam sua sonoridade e se arriscam a cada novo trabalho àquelas que fazem sempre o mesmo som. Nada de errado com isso, óbvio, gosto de Ramones e AC/DC tanto quanto qualquer um, mas eu simplesmente não consigo me empolgar da mesma forma já sabendo de antemão o que vou ouvir.

Estão lá as canções cool como a faixa de abertura Three Women e seu bom trabalho de teclados, Would You Fight for My Love? e Just One Drink com seus bacanas backing vocals femininos, e o guitarreiro e bom primeiro single Lazaretto.

Temporary Ground, Entitlement e Want and Able investem mais nas influências do Country de raiz, enquanto Alone in My Home e I Think I Found the Culprit pegam mais o caminho do Blues com um delicioso tempero Pop.

That Black Bat Licorice e High Ball Stepper tomam o rumo das guitarras sujas reminiscentes da época de White Stripes, totalizando 11 canções num disco curto, conciso e muito bom, que mantém a qualidade da produção do Sr. Branco no ótimo patamar em que sempre esteve.

Lazaretto é mais um exemplo da excelente capacidade de Jack White em misturar suas referências das antigas, das quais tanto gosta, num som moderno, grudento e muito bom de se ouvir. Contudo, o álbum também passa a distinta impressão de começar a ser apenas mais do mesmo. Muito bem executado, é verdade, mas está na hora do sujeito começar a pensar em sair da sua zona de conforto e surpreender. Assim, quem sabe não volta a empolgar mais com o lançamento de um novo trabalho.

REVER GERAL
Nota
Artigo anteriorComo ser um cafajeste interiorano
Próximo artigoO Teorema Zero
Carlos Cyrino
Formado em cinema (FAAP) e jornalismo (PUC-SP), também é escritor com um romance publicado (Espaços Desabitados, 2010) e muitos outros na gaveta esperando pela luz do dia. Além disso, trabalha com audiovisual. Adora filmes, HQs, livros e rock da vertente mais alternativa. Fez parte do DELFOS de 2005 a 2019.
jack-white-lazarettoAno: 2014<br> Gênero: Blues Rock<br> Duração: 39:16<br> Artista: Jack White<br> Número de Faixas: 11<br> Produtor: Jack White<br> Gravadora: Sony Music<br>