Muse – Drones

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O Muse é a banda de rock mais bem-sucedida dos anos 2000. Além de conquistar o mundo com seu hard rock alternativo dançante virtuoso, os britânicos lotam arenas por onde passam. Gosto bastante do trabalho deles e os vejo como uma espécie de Rush moderno. Afinal de contas, são três caras criativos fazendo barulho.

A discografia do Muse é variada. Showbiz, Origin of Symmetry e o revolucionário Absolution têm uma pegada mais roqueira enquanto Black Holes and Revelations , The Resistance e The 2nd Law flertam com o pop e a música eletrônica sem deixar os bons riffs e o virtuosismo de lado. Drones, o sétimo álbum de estúdio da banda, é a última receita deste caldeirão.

Drones é um álbum conceitual centrado no esvaziamento do ser humano perante a tecnologia gerando a ausência de empatia em situações extremas como guerras e degradação ambiental. Não é a primeira vez que o Muse aborda causas políticas e humanitárias em suas composições.

Apesar do conceito interessante, Drones é mediano quando comparado aos seus antecessores. O disco agrada em alguns momentos, mas é repetitivo e chato em outros. Entre altos e baixos, Mercy e Reapers destacam-se positivamente por serem as faixas mais inovadoras desta ópera rock sobre não tripulados. Os refrãos empolgantes até lembram a fase clássica da banda.

A trinca de encerramento, composta pela balada Aftermath, a longa The Globalist e a faixa título se encaixam bem no clima ópera rock proposto. Chegando a ter uns lampejos da megalomania típica do Queen (a exemplo de Tenement Funster/Flick Of The Wrist/Lily Of The Valley do álbum Sheer Heart Attack).

Dead Inside, Psycho, The Handler, Defector e Revolt não são necessariamente ruins. Apenas não acrescentam nada. Soam como um punhado de b-sides no meio do caminho entre The Resistance e The 2nd Law. Tornam o álbum cansativo. Se algumas faixas se adequam bem ao conceito de ópera rock, estas parecem totalmente fora de contexto. De qualquer forma, devem ter boa aceitação na turnê uma vez que parecem ter sido compostas exclusivamente com este objetivo.

É óbvio que o potencial para lotar grandes arenas acaba gerando “músicas de estádio”. Nada contra. Só acho a substituição de efeito por causa inconveniente. Ou será que Seven Nation Army (The White Stripes) ou Thunderstruck (AC/DC) só entraram em full lengths exclusivamente pelo potencial de agitar grandes públicos?

Drones está longe de inaugurar um novo ciclo do Muse ao abusar da reprise de elementos dos dois álbuns anteriores. Mesclando bons e maus momentos, o retorno do investimento no lugar seguro é um trabalho mediano e muito abaixo do que se espera da melhor banda de rock dos últimos 15 anos.