Frank

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Quem conhece o mundo do rock alternativo sabe que algumas bandas abusam da excentricidade e do “cabecismo”, seja para chamar atenção ou para passar uma aura cool para seu grupo de seguidores. Eis que surge uma comédia justamente para tirar sarro desse pequeno universo e suas esquisitices.

Frank, o filme, é baseado no personagem Frank Sidebottom, criado pelo comediante e músico inglês Chris Sievey. Francamente, eu nunca tinha ouvido falar desse personagem antes, mas isso acaba não influindo em nada na película, tanto que se eu não soubesse dessa informação, daria absolutamente na mesma.

Seja como for, o sujeito que dá nome à obra é o vocalista de uma banda de rock indie e ele se destaca por usar uma enorme cabeça falsa, tipo de papel machê, que o deixa parecido com um boneco de Olinda nerd. Ele nunca tira a cabeçorra e seus colegas de banda e empresário o consideram um gênio musical.

A história começa quando o grupo admite um novo tecladista, um jovem ambicioso que deseja divulgar o grupo e fazer um público maior se apaixonar pelo som de Frank, e não só a galera da própria banda. Mas isso talvez seja demais para o instável frontman.

Para quem gosta e conhece o universo do rock alternativo, o longa se torna especialmente mais engraçado, justamente por tirar sarro das idiossincrasias do estilo. Do nome impronunciável da banda (praticamente só com consoantes), passando pelas canções sem pé nem cabeça, tudo é uma grande brincadeira carinhosa com o gênero, apenas apontando os excessos às vezes cometidos, nunca querendo ser desrespeitoso.

O filme tem bons momentos, como o hilário processo de gravação totalmente nonsense do disco, Frank mostrando uma composição mais acessível e todo o terceiro ato, passado no festival South by Southwest, um dos mais importantes da música alternativa atual, que costuma receber bandas do mundo inteiro, e deveria ser o grande momento do grupo de Frank.

Porém, ao se utilizar de muitos elementos tão próprios do cinema indie, como personagens gratuitamente bizarros (Maggie Gyllenhaal, estou falando com você) e situações sem pé nem cabeça, acaba muito mais parecido com o tema que queria sacanear do que talvez fosse recomendável.

Ainda assim, um filme onde Michael Fassbender fica o tempo inteiro sem mostrar a cara, escondido debaixo do cabeção de Frank, merece ser visto. E para quem já usou o elmo de Magneto, a nova tarefa parece fichinha. E até que a última música que ele canta é bem legalzinha, para falar a verdade.

Certamente Frank não é um filme para todos os gostos, sendo mais recomendado para quem gosta de esquisitices no geral e comédias com um humor mais para o lado do nonsense. E claro, se além de tudo isso você gostar também de rock alternativo e tiver espírito esportivo para vê-lo sacaneado, tanto melhor.

REVER GERAL
Nota
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Formado em cinema (FAAP) e jornalismo (PUC-SP), também é escritor com um romance publicado (Espaços Desabitados, 2010) e muitos outros na gaveta esperando pela luz do dia. Além disso, trabalha com audiovisual. Adora filmes, HQs, livros e rock da vertente mais alternativa. Está no DELFOS desde 2005.