Quando o primeiro Kingsman estreou, ninguém sabia do que se tratava e creio que quase todo mundo imaginava que seria um filminho de ação genérico. Felizmente estavam todos enganados e ele se provou maior legal, uma mistura de Testosterona Total com cartoon feito com gente de carne e osso. E claro, sequências de ação embasbacantes.

Kingsman: O Círculo Dourado já sai perdendo por não contar mais com o fator surpresa. Pelo contrário. Agora já sabemos do que se trata e queremos cenas de porrada e tiroteios ainda mais caprichadas que as de seu antecessor. Tarefa difícil de ser cumprida.

E olha que ele até se esforça. Já abre com uma grandiosa cena de ação, sem dar tempo nem para o espectador se acomodar direito na poltrona. Baseado nesse começo promissor, tudo indicava que seria ação non-stop do início ao fim. Mas não é assim, ele também precisa de uma história.

Delfos, Kingsman, O Círculo Dourado

Dessa vez, os agentes da Kingsman enfrentam o Círculo Dourado, o maior cartel de drogas do mundo, comandado por uma Julianne Moore tentando fazer uma supervilã tão caricata quanto o malfeitor de Samuel L. Jackson no primeiro. Ela consegue causar um grande baque na organização de espionagem inglesa.

Tanto que eles terão de pedir ajuda aos seus “primos” estadunidenses da Statesman, uma agência similar. Só que ao invés de se passar por uma alfaiataria, eles usam a fachada de uma destilaria de uísque do Kentucky. E se vestem feito vaqueiros.

O Círculo Dourado não tem um pingo de criatividade ou vergonha na cara. Tudo que ele deseja é pegar exatamente o que funcionou no primeiro filme e repetir amplificado no 11, como dita as regras da continuação.

Delfos, Kingsman, O Círculo DouradoMAIS E MAIORES EXPLOSÕES

Isso não seria necessariamente ruim se sempre desse certo. De fato, quando o pau come, é bem legal. A essa altura Matthew Vaughn já dominou completamente essas sequências de ação malucas e cheias de trucagens. O cara manda muito bem em todas as cenas de ação. Contudo, entretanto, todavia, você não vai encontrar aqui nada parecido com aquela sequência gloriosa da chacina na igreja. E uma cena desse calibre faz muita falta.

Uma coisa que prometia bastante e acabou não sendo tão legal assim são os Statesman. Caramba, são agentes secretos caipiras! Isso poderia render uma tonelada de piadas, mas só o Pedro Pascal (o agente Peña de Narcos) é bem utilizado. Channing Tatum e sobretudo Jeff Bridges (este como o chefe da Statesman) são bem pouco usados. Esse segundo se limita apenas a fazer o papel padrão de caubói que ele tem repetido nos últimos anos. Uma pena, rendia mais.

A história também atrapalha. Esse é um daqueles raros casos onde se daria melhor deixando a trama totalmente de lado para abraçar de vez o que interessa: explosões, trocas de tiros e pancadaria no geral. Toda vez que a ação é interrompida para dar seguimento à história, a película esfria.

Um dos elementos onde o “fator sequência” (de ser sempre maior que o original) funciona é o exagero. Isso aqui de fato parece uma versão live action e com humor mais violento de algum desenho tipo Inspetor Bugiganga. Tudo é extremamente exagerado, colorido, e totalmente sem sentido.

Delfos, Kingsman, O Círculo Dourado

Cães robôs, esconderijos secretos, um capanga com braço biônico e até uma explicação mirabolante para a volta do Colin Firth, nada ficaria deslocado numa animação de sábado de manhã. Se seu antecessor já era exagerado, esse aqui vai um passo além nesse sentido.

No mais, é um bom filme, com ótimas sequências de ação, seu grande ponto forte. Porém, sai perdendo por apenas repetir a fórmula, não tendo mais o elemento surpresa a seu favor. No saldo geral, muitas coisas funcionam e outras tantas não. Não é tão legal quanto o original, mas não chega a decepcionar. Se você não for ao cinema esperando muita coisa, O Círculo Dourado resulta em boa diversão.