Asterix e o Domínio dos Deuses

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O delfonauta dedicado sabe que eu sou um grande fã das aventuras de Asterix & Obelix. Eu gosto tanto dos gibis franceses, aliás, que tenho um adesivo de um metro do Obelix colado na parede do meu escritório. Pois é, nerd pride FTW!

Pois este novo desenho das criações de René Goscinny e Albert Uderzo é uma adaptação direta da HQ de mesmo nome, que narra o momento em que as forças de Júlio César chegaram mais próximos de dominar a irredutível aldeia onde moram nossos gauleses preferidos.

E veja só, depois de tentar tantas vezes vencer a batalha através da violência, quem diria que bastaria apenas um pouco da boa e velha sedução do capitalismo?

O Domínio dos Deuses que dá nome ao desenho e à HQ é um condomínio de luxo que os romanos querem construir próximo à aldeia dos nossos heróis. Claro, os gauleses, especialmente o fofo cachorrinho Ideiafix, não vão levar numa boa a destruição da sua floresta, então a construção vai passar por algumas boas e engraçadas confusões.

Neste primeiro pedaço rolam algumas cenas muito boas, como as preocupações trabalhistas dos escravos ou a sempre graciosa lógica do Obelix. Algumas piadas e situações são novas, considerando que a HQ não seria suficiente para preencher um filme de 90 minutos, mas em geral a história se mantém bem fiel ao material original, sem fazer como o desenho anterior, Asterix e os Vikings, que misturou duas HQs e colocou um monte de piadinhas “modernas”.

Eu diria que, embora goste também de Asterix e os Vikings, esta é uma adaptação mais respeitosa, feita com um carinho que fica claro em cada frame. É também o primeiro longa de Asterix feito em computação gráfica, abrindo mão da charmosa animação 2D utilizada em todos os anteriores. No entanto, o belíssimo design criado por Albert Uderzo é mantido de forma bastante fiel, com todos os personagens sendo facilmente reconhecíveis para quem já é fã da turminha.

O humor se mantém na mosca durante toda a projeção. Quando o Domínio dos Deuses finalmente é construído e os gauleses se vêm seduzidos pelo lucro fácil e o conforto proveniente disso temos alguns dos melhores e mais engraçados diálogos, daqueles que me faz lembrar porque gosto tanto dessa série desde que era um menininho sardento. E hoje, que sou um adulto sardento, continuo gostando.

Não só O Domínio dos Deuses é melhor do que Os Vikings, eu diria que temos aqui uma das adaptações mais bem feitas da obra de Goscinny e Uderzo, tão divertida e feita com tanto carinho quanto os melhores filmes em live-action dessa turminha. Pratão cheio não apenas para fãs de longa data das HQs, mas mesmo para as crianças de hoje e todos os fãs de um humor nonsense inteligente.

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REVER GERAL
Nota
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Editor-chefe e editor de games. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).