Zootopia

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Desde que o Pato Donald vestiu uma camisa, mas se esqueceu das calças, animais antropomórficos são um dos elementos mais utilizados nas animações. Bichos se comportando feito gente, por algum motivo (ou pela simples razão de que é algo hilário), causam grande apelo aos espectadores. Zootopia não poderia ser diferente e se aproveita bem desse elemento.

Na trama, tanto os animais predadores quanto as presas suprimiram seus instintos primitivos e passaram a viver juntos e em paz na cidade de Zootopia. Contudo, essa convivência não é desprovida de certos preconceitos. Judy Hopps é uma minúscula coelha cujo maior sonho é virar policial, profissão reservada para os bichos maiores e mais fortes.

Ela consegue seu objetivo, mas terá de se esforçar muito para desvendar seu primeiro caso, envolvendo uma lontra desaparecida. Para isso, ela contará com a improvável ajuda de um golpista de rua, a raposa Nick Wilde, numa parceria para lá de inusitada que renderá altas confusões envolvendo uma turminha animal! Pronto, a futura chamada da Globo já está feita!

A animação parte de uma ideia simples, com animais fofinhos se comportando feito gente, mas talvez seja um dos roteiros mais engajados dos últimos tempos em se tratando de longas infantis. Ele usa de temas sérios e em geral espinhosos, como preconceito racial e discriminação. Tudo embalado por um visual ultracaprichado, em uma aventura divertida e movimentada que vai entreter a criançada, mas com muita coisa para se pensar enquanto se assiste.

Visualmente, o filme é bonitão, o design dos bichos é ótimo e o modo como projetaram a cidade, dividida em várias zonas específicas e como cada tipo de animal interage com o próprio local, com as suas próprias características específicas e com os outros bichos é muito bem pensado e rende várias boas situações.

Há inúmeras piadas hilárias e situações muito bacanas, além de um monte de referências específicas para os adultos. Até mesmo outras animações da própria Disney são sacaneadas aqui. Destaque especial para a aparição dos bichos preguiça, que rendem um dos melhores momentos do filme.

A história é bacana e o filme diverte durante toda sua duração. Contudo, o roteiro não é lá aquelas coisas e apresenta alguns clichês típicos dos desenhos, como a obrigatória parte triste, onde os dois personagens vão se desentender. O terceiro ato também enrola mais do que deveria, e a história não acaba no ponto natural, seguindo um pouco mais, envolvendo um desnecessário mistério que qualquer um é capaz de matar desde o começo.

Certamente não é um dos longas mais criativos da Disney, mas certamente é um dos mais fofinhos, com o bom design da bicharada e o colorido de encher os olhos da cidade. Ele tem um feeling de animações mais antigas, tipo Pernalonga e congêneres, porém menos sacana e mais politicamente correto. Ou seja, adaptado aos novos tempos.

Zootopia talvez não seja uma daquelas animações que permanecerá na memória da criançada ou dos apreciadores de desenhos por anos a fio, mas dentro da sala de cinema ele cumpre muito bem seu papel de divertir todo mundo arrancando várias risadas. Nesse sentido, o resultado é ótimo.

CURIOSIDADE:

– Desta vez não foi exibido um curta animado antes da atração principal. Será que a Disney resolveu parar de imitar a Pixar?

REVER GERAL
Nota
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Formado em cinema (FAAP) e jornalismo (PUC-SP), também é escritor com um romance publicado (Espaços Desabitados, 2010) e muitos outros na gaveta esperando pela luz do dia. Além disso, trabalha com audiovisual. Adora filmes, HQs, livros e rock da vertente mais alternativa. Está no DELFOS desde 2005.