Epa! Cadê o Noé?

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Este é um dos títulos mais enganosos dos últimos tempos. Afinal, diferente do que faz parecer, Epa! Cadê o Noé? não trata do sumiço do velho barbudo e da subsequente busca por ele. Na verdade, ele sequer aparece e não tem a menor importância para a trama desta animação. Tirando, é claro, o feito que o tornou famoso.

Nesta história, o grande dilúvio bíblico está prestes a cair e os animais estão em polvorosa. Contudo, graças à arca construída por Noé, há uma chance de salvação e os próprios animais se organizam para ver quem ganha um lugar nela ou não. Dave e seu filho Finny são dois nestrians, criaturinhas esquisitas que não são selecionados para embarcar, mas conseguem entrar clandestinamente.

Contudo, Finny se engraça com a filha de outra criatura estranha e ambos acabam saindo da arca e perdendo sua partida. Daí, enquanto os dois tentam sobreviver à enchente, seus pais fazem de tudo para obrigar a embarcação a dar meia volta para buscá-los antes que seja tarde demais.

A animação é muito genérica, em todos os sentidos. Do design dos personagens, pouco inspirado e sem o suficiente do fator fofura, à qualidade visual apenas na média, não há nada que salte aos olhos, nada que empolgue, nada que lhe confira qualquer destaque individual.

Também faltou colhões. Afinal, se o desenho é povoado por um monte de criaturas bizarras ao lado de animais conhecidos, subentende-se que toda essa galerinha esquisita morreu porque não ganhou um lugar na arca. Porém, por se tratar de uma produção infantil, você já sabe que dificilmente eles tomariam uma decisão ousada dessas, que certamente isso tornaria o filme bem mais interessante.

Também não possui nenhum apelo para os adultos. O roteiro é fraco e cheio de clichês, mirando numa turminha mais jovem, o que torna a coisa toda insuportável para os marmanjos. Tem umas três piadinhas envolvendo videogames que se salvam e olhe lá.

Epa! Cadê o Noé? é daquelas produções com cara de caça-níquel, para tirar uns trocados dos pais que levaram seus rebentos para uma sessão, mas entregando muito pouco, quase nada em troca. Crianças mais novas podem até curtir o colorido da animação, mas certamente há opções muito melhores para apresentar aos pequenos. Prefira qualquer uma delas.

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Nota
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Formado em cinema (FAAP) e jornalismo (PUC-SP), também é escritor com um romance publicado (Espaços Desabitados, 2010) e muitos outros na gaveta esperando pela luz do dia. Além disso, trabalha com audiovisual. Adora filmes, HQs, livros e rock da vertente mais alternativa. Está no DELFOS desde 2005.