O Regresso

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Leonardo DiCaprio quer tanto ganhar um Oscar de melhor ator que isso já virou até piada, principalmente porque todo ano em que ele entrega uma atuação forte, acaba preterido por algum outro colega. Da última vez, por exemplo, indicado pelo excelente O Lobo de Wall Street, acabou perdendo para o chapa Matthew McConaughey.

No entanto, DiCaprio, tal qual um brasileiro, não desiste nunca e mais uma vez tenta receber o peso de papel mais caro do mundo por sua atuação em O Regresso, do também oscarizado diretor Alejandro González Iñárritu. Essa confluência de fatores transforma este longa num típico Oscarizável.

Ele conta a história de Hugh Glass (DiCaprio), um explorador das terras selvagens da América do Norte na década de 1820. Não bastasse ter de lidar com todas as condições adversas, tipo ataques de índios, o frio inclemente e por aí vai, Hugh ganha mais um evil monkey da vida quando é atacado por um urso e fica à beira de empacotar. Pode-se dizer até que este evil monkey era um evil bear.

Largado para trás por seus companheiros de expedição para morrer, o evil monkey termina o serviço dando-lhe uma bela cusparada na cara quando um de seus colegas (Tom Hardy, fazendo mais uma voz esquisita a la Bane) ainda lhe causa uma última injúria além de todo o azar que já teve.

Contudo, como bem sabemos, nunca é bom sacanear um sujeito que encarou um urso e saiu respirando. Pois, mesmo mais para lá do que para cá, Hugh Glass irá atrás do carinha atrás de sua merecida vingança. O Regresso é uma história sobretudo de sobrevivência, mas também de revanche.

Seu grande problema é justamente querer ganhar Oscars. Isso, aliado a certa arrogância bem conhecida de Iñárritu, visa dar um escopo mais artístico e grandioso a um longa que poderia ser uma simples e excelente aventura de homem contra a natureza. Dessa forma, contudo, temos um longa de desnecessárias duas horas e meia que a todo momento tenta parecer ser mais do que verdadeiramente é.

O cara é bom diretor, criando bem a atmosfera hostil das florestas no inverno, com uma paleta de cores gélida para acentuar a adversidade do inverno rigoroso, e orquestra algumas sequências primorosas. A cena do ataque dos índios logo no começo, por exemplo, é excelente. E o ajuste de contas final é bruto e cru. Se tivesse ao menos um pouco de humildade e não achasse que está dirigindo um grande épico, poderia obter resultados ainda melhores.

Quanto a DiCaprio, bem, seu personagem sofre o filme inteiro. Passa quase todo o tempo todo detonado, com frio, fome e distâncias enormes a percorrer até chegar a seu objetivo. O ator se entrega como costumeiramente faz. Particularmente, não acho que seja sua melhor atuação, eu o prefiro em O Lobo de Wall Street. Se ele vai ganhar o Oscar dessa vez ou continuar sendo motivo de chacota, saberemos na noite de entrega dos prêmios.

No final das contas, temos um bom filme, prejudicado pela grande duração desnecessária, por um diretor que tende a se achar demais e até pela aura de que esse é só um veículo para seu astro finalmente conquistar um careca dourado. Sublimando-se tudo isso, contudo, ainda resta uma boa história de luta pela sobrevivência, com um visual caprichado, o qual merece ser visto numa boa tela.