A Linguagem do Coração

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A premissa de A Linguagem do Coração, produção francesa inspirada numa história real, me lembrou instantaneamente de Tommy, do The Who, tanto o clássico disco quanto o não tão clássico longa-metragem. E assim que apresentar a sinopse você saberá o porquê.

Marie Heurtin é uma menina que nasceu cega e surda, assim como o supracitado Tommy (este, ainda por cima, era mudo também). Contudo, ela não jogava um pinball malvado, visto que ela vivia no interior da França no final do século XIX. Ao invés disso, ela vivia fechada dentro de si mesma, incapaz de se comunicar com o mundo exterior (afinal, se ela não ouve e não enxerga, ela não tem como aprender a falar) e vivendo praticamente como um animal selvagem.

Aliás, essa história de uma pessoa se portando como um animal, sem capacidade de comunicação, também lembra o mais cabeçudo O Enigma de Kaspar Hauser, do diretor alemão Werner Herzog, um dos filmes favoritos das faculdades de comunicação.

Seja como for, os pais a mandam para uma instituição gerida por freiras especializada em ensinar crianças surdas. Claro, como ela também é cega, torna-se um desafio a mais, que será enfrentado pela Irmã Marguerette, que torna a tarefa de ensiná-la a se comunicar a sua missão de vida.

Poderia descambar para um dramalhão açucarado, mas o cinema francês tende a saber evitar bem essa armadilha e esse é o caso, entregando um trabalho sensível e bonito, com uma história de amizade diferente e que não soa forçada ou cansativa como a maioria.

Particularmente, eu gostei da história e ela consegue ser comovente e leve em vários momentos, com destaque para as belas e ensolaradas paisagens campestres e para o uso do som, já que em muitos momentos não há diálogos, o que ressalta os variados ruídos do ambiente, como pássaros, grilos e etc.

Sua boa condução, a leveza como é levada e até mesmo sua curta duração tornam o filme bastante agradável e eu gostei bem de assisti-lo, embora não ache que seja algo que vai ficar particularmente marcado na minha memória. Ainda assim, é o tipo de produção da qual não sabia o que esperar e ao final saí satisfeito com o que vi. Se você gosta de dramas sensíveis de um tipo de cinema mais alternativo e artístico, então A Linguagem do Coração vale uma assistida.

CURIOSIDADE:

– Já que comecei a resenha com a referência, por que não terminá-la com The Who? Fique então com Pinball Wizard:

REVER GERAL
Nota
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Formado em cinema (FAAP) e jornalismo (PUC-SP), também é escritor com um romance publicado (Espaços Desabitados, 2010) e muitos outros na gaveta esperando pela luz do dia. Além disso, trabalha com audiovisual. Adora filmes, HQs, livros e rock da vertente mais alternativa. Está no DELFOS desde 2005.