Gosto muito da Remedy. Muito mesmo. A ponto de querer jogar tudo que eles lançam. Só por isso fui atrás deste FBC Firebreak. Se o mesmo jogo fosse desenvolvido por qualquer outra desenvolvedora, ele simplesmente passaria reto pelo meu radar. Afinal, não gosto de multiplayer, não gosto de live service e os motivos que me fazem ser fã da Remedy (suas histórias cabeçudas e ambientações bacanudas) não servem muito bem para isso. Mas vivemos em uma época em que todo mundo está tentando fazer seu live service, e FBC Firebreak é a tentativa da Remedy. Então bora ver que tal.

REVIEW FBC FIREBREAK

FBC Firebreak acontece no Remedy Connected Universe, e está ligado especialmente a Control. Você e seus miguxos fazem parte de uma equipe de limpeza e reparos responsáveis por apagar os incêndios metafóricos e literais da Oldest House. E se tem uma coisa que FBC Firebreak conseguiu ser bem sucedido foi em fazer seu gameplay parecer com trabalho.

Cada uma das seis fases incluídas no lançamento tem um gimmick de gameplay, mas todos são bem entediantes. São coisas como reparar equipamentos, destruir post its ou usar máquinas que soltam fogo para derreter o gelo mágico. Como você pode perceber, atividades de dia a dia em um escritório. São atividades repetitivas que devem ser realizadas enquanto você luta contra inimigos. Algumas ações, como abrir os abrigos que servem de checkpoints, atraem grupos de inimigos, mas eles parecem vir com um timer. Assim, você nunca fica muito tempo sem precisar lutar.

Eu tive acesso a FBC Firebreak antes do lançamento, então ainda era bem difícil conseguir jogar com desconhecidos, embora tenha matchmaking. Felizmente, a assessoria de imprensa forneceu alguns códigos para eu poder jogar com amigos, e eu resolvi chamar meu colega do podcast Ludologia e do Antropogamer Yohan Barcz para salvar a Oldest House comigo. Nós fizemos praticamente o jogo inteiro juntos.

CONEXÃO PERDIDA

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Se me surpreendi com a conexão on-line de Elden Ring Nightreign funcionar, FBC Firebreak me surpreendeu pelo contrário. Ela simplesmente não funciona. Eu conseguia me juntar com o Yohan com alguma facilidade, mas era muito difícil que a conexão aguentasse uma fase inteira sem tirar um de nós da partida. No final das contas, conseguimos avançar com ele criando a party e, toda vez que eu era kickado, voltava à partida com o mesmo código. Isso nos permitiu jogar, mas fez com que boa parte do loot e dos meus saves ficasse perdido no limbo. É complicado julgar este tipo de coisa antes do lançamento, pois pode muito bem ser corrigido, mas a assessoria de imprensa disse que não antecipa necessidade para um patch de dia um. Eles dizem que a experiência que nós tivemos será a mesma que o público terá quando o jogo sair.

Uma mecânica extremamente irritante foi a do fogo. Tem muito fogo na Oldest House, e encostar nele faz você começar a pegar fogo, o que exige buscar água. Você pode tomar um banho, ou uma das classes carrega uma arma que atira água. No nosso jogo, isso se tornou essencial. Era tão comum pegar fogo, especialmente com a raridade dos chuveiros, que um de nós (normalmente eu) ficava o tempo todo com a arma de água preparada para molhar o coleguinha ou a si mesmo.

CONSERTE E FUJA

As missões envolvem sempre uma sequência de consertos e solução de problemas enquanto luta contra os fantasminhas. Basicamente, você vai correndo de waypoint para waypoint, consertando e lutando, até o jogo falar chega e te permitir voltar ao início, chamar o elevador, e fugir. Cada missão tem várias opções de dificuldade e três de duração. Pois é, a primeira vez que você joga cada fase, ela termina rapidinho, mas você pode voltar nela depois com mais objetivos e duração mais longa. Isso basicamente envolve ter que consertar mais coisas antes de fugir.

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O minigame de consertar as coisas é super interessante. SQN.

Chamar o elevador é algo semelhante aos famosos extraction shooters. Você aperta o botão, e daí aparece um timer e o objetivo “sobreviva até o elevador chegar”. O engraçado é que, como na vida real, ficar apertando o botão do elevador repetidamente faz o dito-cujo chegar mais rápido. Isso sempre me fazia rir. A gente chamava o elevador, aparecia o timer de 90 segundos e daí o Yohan e eu ficávamos martelando o botão para o desgramado chegar em pouco tempo. Isso era bem mais recomendável inclusive do que ficar matando geral até o tempo terminar.

Depois de passar algumas horas jogando, ser kickado dúzias de vezes e perdido boa parte do loot que conquistamos, conseguimos “terminar” o jogo. Ou seja, fazer todas as fases disponíveis no lançamento. Curiosamente, tirando o contexto de “você faz parte da equipe que resolve problemas na Oldest House“, não há história ou nada mais elaborado aqui. Os personagens falam, e o jogo tem um jeito mais alegre e bem humorado do que a tensão de Control, mas não existe lore, narrativa ou nada que demonstre ser um jogo da Remedy.

FBC FIREBREAK É UMA BOLA FORA DA REMEDY

Elden Ring Nightreign é um jogo on-line que não me interessa particularmente, mas que ainda me pareceu uma boa adaptação da fórmula da From Software para um live serviceFBC Firebreak, por outro lado, parece uma bola fora total da Remedy Entertainment. É um jogo genérico, que segue a fórmula dos multiplayers da forma menos interessante possível. Não tem absolutamente nada aqui para quem curte o trabalho da Remedy, e diria que também não faz o suficiente para atrair os fãs de live services e de multiplayer.

Especialmente considerando que é um jogo pago. No Playstation e no Xbox, você consegue pegá-lo como parte dos serviços de assinatura, que são necessários para jogar on-line de qualquer jeito. Isso é uma jogada esperta. No Windows você não paga para jogar on-line, mas precisa comprar o jogo. De qualquer forma, não dá para experimentar FBC Firebreak sem colocar a mão na carteira. E ele simplesmente não faz o suficiente para convencer ninguém a abrir a carteira.

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