X-Men: O Confronto Final

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Finalmente chegou a hora de conferir o filme mais esperado do ano, ao menos por mim. Estava bem ansioso para a sessão, então acordei com bastante tempo de antecedência, conferi os dois trailers do longa antes de sair e cheguei relativamente cedo ao shopping onde aconteceria a cabine de imprensa. Na verdade, pela primeira vez, não resisti e cheguei até a assistir àqueles sete minutos que virou moda divulgar antes da estréia do longa propriamente dito. Posso dizer sem sombra de dúvida que X-Men: O Confronto Final é, para mim, o Episódio III deste ano.

Chegando lá, como já era esperado, o lugar estava lotado. Ao contrário do que acontece na maioria das sessões, bem antes do horário marcado, os jornalistas começaram a entrar na sala. Ainda estava terminando meus pães de queijo, então quando o Cyrino e eu entramos no recinto, já estava bem cheio.

Acredito que se você se importa com os mutantes, já deve saber a genial sinopse do filme, mas por via das dúvidas, vamos lá. O governo estadunidense encontrou uma forma de reprimir os efeitos do gene X, o responsável pela manifestação dos poderes. Estão chamando isso de cura e fazendo uma campanha para que os mutantes que desejarem sejam “curados”. Isso gera uma rachadura na comunidade dos Homo Superior. Alguns, como a óbvia Vampira, vão naturalmente se sentir atraídos pela idéia de poderem ser pessoas normais novamente. Outros, como a Tempestade, acham um absurdo quererem “curar” mutantes, já que a mutação não é uma doença. Outros ainda, como o tremendaço Magneto, concordam com Tempestade, mas pretendem manifestar seu ponto de vista de forma menos pacífica. Junte a isso o ressurgimento da ex-presunta, Jean Grey e a manifestação do seu lado negro, a Fênix, e está armada a confusão que essa “turminha do barulho” tem que resolver.

A força dessa história fica bem clara se a transpusermos para o mundo real. Você já pensou o caos que geraria se o governo de qualquer país inventasse uma “cura” para as minorias? Imagina se fosse possível você tomar uma injeção que eliminasse a homossexualidade ou que tornasse a pele mais clara? Se qualquer coisa relacionada a assuntos como esses geram tanta polêmica, fico pensando como seria caso alguém inventasse essa injeção no mundo real e as conseqüências decorrentes disso. Concorda comigo que existe nessa idéia potencial para um drama de proporções herculanas caso fosse bem desenvolvido? Pois é. A minha dúvida desde que li essa sinopse pela primeira vez foi se os roteiristas Simon Kinberg e Zak Penn saberiam explorar todo seu potencial e, principalmente, se teriam as manhas de colocar o dedo na ferida, deixando bem claro para todos qual era a verdadeira idéia que o filme estava tentando passar.

A resposta para a dúvida exposta acima é: em parte. Ao sair da seção, o Cyrino comentou que o filme tem esse fiapo de história e a partir daí é só porrada. Eu não seria tão radical. Acho que a história é, sim, desenvolvida, mas uma idéia como essa poderia render muito, muito mais. Para começar, não vejo necessidade de ter espremido a famosa Saga da Fênix Negra no mesmo filme, embora esta fosse obviamente a linha a ser seguida por Bryan Singer, o diretor anterior, quando optou por matar a ruiva magrela em X2. Na minha opinião, tanto a história da Fênix quanto esse papo da cura, renderiam, fácil, um filme cada, talvez até mais. Ao invés disso, espremeram duas narrativas boas em um filme que não chega a duas horas e, justamente por isso, faltou desenvolvimento. É bom, mas não foi desenvolvido como deveria considerando os dois ótimos pontos de partida.

A história que envolveu este filme talvez seja ainda mais estranha do que a retratada na tela grande. Aparentemente, o presidente da Fox não gosta da franquia e estava doido para acabar com ela. Graças a suas enrolações para realizar a terceira história mutante, o diretor Bryan Singer mandou ele recolher pequenos cocos e foi dirigir o concorrente Superman Returns, levando consigo parte do elenco, como Hugh Jackman (o Wolverine) e James Marsden (o Ciclope). A Fox não gostou e resolveu se vingar, produzindo X3 às pressas para que estreasse antes do filme do azulão. E conseguiram, mas talvez por causa disso, O Confronto Final não é tudo que poderia ser.

Tirando esse problema do desenvolvimento, eu quase só tenho elogios para o longa. Com a adição de Hank McCoy, interpretado por Kelsey Grammer (quem diria que o Frasier daria um bom Fera?) todos os meus personagens preferidos dos quadrinhos já deram as caras na série (para os que se importam, eles são Magneto, Fera, Colossus e Noturno). É realmente uma pena que o diabo alemão não tenha voltado para este filme. O Cyrino tem uma teoria de que tiraram o cara porque o Fera também é azul e “só pode haver um azul” para as pessoas não se confundirem. Eu já acho que Alan Cumming pediu dinheiro demais. O chato é que nada é explicado em relação ao personagem (dizem que o motivo de sua ausência é mostrado no game, mas ainda não tive oportunidade de jogar) e para piorar, tem inclusive um mutante que se teleporta no time de Magneto. Bizarro.

Em comparação com os longas anteriores, X3 tem duas diferenças básicas. A primeira é que ele é mais regular. Explico com uma analogia: sabe aqueles discos que têm três ou quatro músicas fenomenais e o resto parece que é só para encher lingüiça? Pois a franquia dos mutantes sempre sofreu disso, tanto no cinema quanto nas HQs. Pense no segundo filme, por exemplo. Aposto que a cena que veio à sua mente é o ataque do Noturno ao presidente, a fuga de Magneto da prisão, Wolverine defendendo a escola ou Pyro atirando fogo nos policiais. Acertei, né? E, tirando isso, o que sobra na mais de uma hora restante? Um filme bem mediano, infelizmente. O Confronto Final, por outro lado, é mais regular. Não tem nenhuma cena tão embasbacante quanto o Noturno dando uns olés nos guardas da Casa Branca (que considero um dos grandes momentos do cinema), mas também não tem nenhuma parte tão sem sal como tantas da segunda incursão mutante. X-Men 3 é bom o tempo todo, com alguns poucos momentos ótimos, mas sem ser tão legal quanto as cenas citadas acima.

A outra diferença básica é que o diretor anterior se esforçava bastante em trazer os mutantes para o nosso mundo, deixando as doses de fantasia no mínimo possível. Brett Ratner, o diretor atual, já é o oposto, pois abraça o lado fantasioso e nos leva a uma escola de mutantes que chega a lembrar Hogwarts de tantas coisas mágicas e poderes divertidos que vemos nela. Além disso, o filme tem bem mais humor que os anteriores, o que é sempre bem-vindo.

Alguns personagens que brilharam nos filmes anteriores, como Magneto (embora sua atitude em relação à Mística em determinado momento tenha me decepcionado muito) e Pyro, voltam a mostrar aqui porque merecem o posto de tremendões. Outros que não tiveram antes a chance de brilhar, como a Tempestade, mostram a que vieram (parece que os resmungos de Halle Berry tiveram efeito). Mas assim como nos anteriores, apesar da grande quantidade de personagens, muitos deles mal aparecem. É o caso do Anjo, por exemplo, que embora tenha em seu prólogo uma cena deveras aflitiva, não dá as caras por mais de 10 minutos no total e não tem absolutamente nenhuma importância para a história (quem tem é seu pai, o empresário que financiou a “cura”). De acordo com os boatos, a Sala de Perigo e os Sentinelas também estão no filme. Mas esteja avisado, pois sua aparição é um tanto decepcionante e é mais uma easter egg para os leitores do que algo realmente importante. Também vale a pena citar as legendas, que estão bem estranhas. Para você ter uma idéia, quando um ator enfatiza uma palavra, ela vem grifada na legenda. Mais bizarro que isso, só se legendassem o filme em miguxês como o Telecine vem fazendo.

Finalmente, chego no ponto que os mais antenados realmente esperavam saber. Sim, alguns personagens vitais para a história têm trágicos destinos nesse longa. Por um lado, temos a Fênix, destruindo quase tudo que se move e chegando a deixar até Magneto acuado em determinado momento. Do outro, temos a cura, que acaba “curando” alguns voluntariamente e outros nem tanto. O resultado é uma baixa tão grande para os dois lados da disputa, levando alguns dos personagens mais queridos do público, que realmente vai ser bem difícil fazerem um outro filme decente a não ser que descartem esse da cronologia cinematográfica oficial. Tudo bem que no último segundo antes dos créditos, os produtores parecem ter decidido voltar atrás em uma dessas decisões. E depois dos créditos, tem uma outra cena desse tipo. A primeira, eu gostei. A segunda, não. Eu só espero que não façam no cinema as mesmas péssimas decisões que a Marvel faz nos gibis de escolher caminhos ousados matando personagens, mas depois mudando de idéia e apelando para aquela frase que até já virou piada (tudo que você leu antes era mentira). Imagina isso no cinema? “Tudo que você viu em X-Men 3 era mentira”.

No final das contas, X-Men: O Confronto Final é um filme altamente recomendável, mas ao mesmo tempo decepciona. Decepciona porque poderia e deveria ter rendido mais. Decepciona por causa da idéia de se fazer um último filme de uma franquia que ainda tinha muito a render. E, principalmente, decepciona porque, a julgar pelas duas últimas cenas, a idéia não é que seja tão “último” assim. Mas o caminho que seguiram simplesmente não dá mais espaço para continuar de forma decente. É uma pena, mas de uma forma ou de outra, parece que a franquia X morre aqui. E não duvido nada que, se for realizado um X4, ele saia direto em DVD. As esperanças ficam então com os filmes solo do Wolverine e do Magneto. E os nerds de todo o mundo ficam torcendo para que eles sejam dignos desses personagens.

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